editora Escala
Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000    
 
Filosofia  
   
 
 
 
Envie para um amigo Imprimir

 

Dossiê
Memórias e histórias de cativeiro e liberdade
Há 120 anos os escravos brasileiros eram libertados. O que faziam e quem eram os cativos tão importantes para a formação nacional

POR FLAVIO GOMES E PIETRA DIWAN

SHUTTERSTOCK


A escravidão marcou a sociedade brasileira de várias formas. Foram quase 400 anos de trabalho escravo com indígenas e africanos. O fim da escravidão para várias sociedades nas Américas começou nas primeiras décadas do século XIX. O Brasil - que recebeu cerca de 40% de todos os africanos escravizados enviados para as Américas - foi o último país a abolir a escravidão. Não muitos anos depois do 13 de maio de 1888, setores das elites, intelectuais, cientistas e literatos já falavam da escravidão como coisa de um passado muito distante. A idéia era apagar a "mancha" da escravidão e eliminar a memória das lutas abolicionistas do final do século XIX. Escravos e libertos eram transformados em "negros" e "pretos" numa perspectiva racial de classificação estigmatizante das novas hierarquias sociais do alvorecer do século XX. A abolição não foi acompanhada de políticas públicas que garantissem terras, educação e direitos civis plenos aos descendentes de escravos e libertos. Pelo contrário, políticas públicas urbanas e higienistas refundaram as diferenças sob novas bases sociais e étnicas. Até a década de 1930, o 13 de maio era feriado nacional e com festas cívicas, além de comemorações populares. Apesar da manutenção de faces da desigualdade, descendentes de escravos e mesmo libertos comemoravam - se não a cidadania plena - a liberdade conquistada com a Lei Áurea. O passado não era muito distante. Mesmo hoje não seria difícil encontrar pessoas de mais de 90 anos de idade e filhos diretos de escravos nascidos antes de 1871, quando uma lei decretou o ventre livre para mães cativas. Caso seus pais tivessem também alcançado a idade semelhante, teria falado como foi ser escravo até os 20 anos de idade. A geração negra mais idosa alcançada hoje nos nossos censos modernos e abrangentes do IBGE pode ser filha e é predominantemente neta de ex-escravos do 13 de maio de 1888.
Ainda conhecemos pouco sobre o pós-emancipação no Brasil. O que representaram, em áreas rurais e urbanas, as primeiras décadas da liberdade para milhares de homens e mulheres - e seus filhos, netos e sobrinhos - que conheceram a escravidão? Já sabemos mais, e cada vez melhor, como viveram os escravos e como pensaram os senhores nos séculos XVII, XVIII e XIX. A influência da África no Brasil tem sido um importante eixo dos renovados estudos sobre o tráfico negreiro e seus impactos, os cenários de captura, embarque e desembarque, assim como comparações com outras áreas coloniais. Da mesma maneira, as imagens de uma África précolonial homogênea ou do comércio europeu, visto somente a partir do mercantilismo, têm sido rediscutidas em pesquisas nas universidades brasileiras e procuram redefinir os interesses do mercado de escravos também pelas dinâmicas internas das várias sociedades africanas e suas transformações, inclusive participando de várias maneiras no tráfico negreiro. Ao contrário das perspectivas quantitativas e generalizantes, útil também tem sido repensar as origens e culturas africanas no Brasil, não só enfatizando os ciclos do açúcar, do ouro e do café e suas áreas econômicas correspondentes, mas igualmente outras rotas africanas, impactos demográficos e as redefinições das identidades africanas na diáspora. O cotidiano de escravos, libertos, senhores e fazendeiros surgem como novas pesquisas e enfoques diversos.
Por essa razão, a revista Leituras da História preparou esse dossiê especialmente para comemorar os 120 Anos da Abolição da Escravidão no Brasil. Mostrando como novas pesquisas desenvolvidas em programas de pós-graduação de universidades de norte a sul do país podem ajudar a sociedade brasileira a entender e refletir sobre os caminhos que levaram a escravidão no Brasil a ser uma das mais longas e diversificadas do planeta. Esse fato não merece nenhum mérito especial e, se merece alguma atenção, é pelo compromisso com a diversidade dessas pesquisas que pretendem captar e elucidar fragmentos de um período tão complexo e importante da história brasileira que ainda tem muito a ser contada.

FLÁVIO GOMES é professor do departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro
PIETRA DIWAN é editora e mestre em História pela PUC-SP

Clique nas imagens abaixo e selecione a matéria desejada
A Bahia de São Salvador de todos os santos e africanos Brasil e Caribe: a escravidão e o gosto amargo do açúcar Outras rotas de um comércio atlântico
Moradias da resistência Saúde e doença escrava Liberdade na Pia batismal
A falência da escravaria Por entre quilombos e senzalas Pioneiros da abolição
 
Heranças africanas da invenção da liberdade

 

 

 

Assinaturas
 
Assine as publicações do núcleo Ciência & Vida.
Matérias, novidades acadêmicas, reportagens e muito mais.
Filosofia História historia Psique
 
Edição nº23
SUMÁRIO DA EDIÇÃO
MATÉRIA DE CAPA
REPORTAGENS
TESTEMUNHA OCULAR
EDIÇÕES ANTERIORES
EXPEDIENTE
FILOSOFIA
LEITURAS DA HISTÓRIA
PSIQUE
SOCIOLOGIA
AGENDA
ARTIGOS
 
Busca
Buscar
 
 
Newsletter
Cadastre-se e fique atualizado diariamente com nosso conteúdo.
  OK
 
 
Institucional
Publicidade
Adicionar Favorito
Links Úteis
 
 
Legenda
O acesso ao conteúdo do portal Ciência&Vida é identificado por cards.
Assinante
Cadastrado


 
Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000