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BIOGRAFIA - O GRANDE CIVILIZADOR
Alexandre, o visionário
Além da audácia no comando do exército e das brilhantes vitórias contra os persas, o rei da Macedônia também foi um grande empreendedor. Ele ergueu cidades, construiu estradas, usou diplomacia com os inimigos derrotados e planejou "globalizar" o mundo Antigo

POR RODRIGO GALLO

IMAGEM: WIKIPEDIA
Gravura de Alexandre falando a seus oficiais antes de importante batalha. O monarca macedônio pode ser considerado visionário, pouco compreendido em sua época, mas venerado por gerações futuras

Ele formou um dos exércitos mais bem treinados da história, subjugou o Império Persa, conquistou 90% do mundo conhecido e, mesmo depois de travar mais de cem batalhas, morreu sem jamais sofrer uma derrota em combate. Alexandre, filho de Olímpia e herdeiro de Filipe da Macedônia, realmente mereceu ser chamado de 'o Grande'. Mas suas qualidades como líder não se restringiram apenas às questões militares. Ele também revolucionou o mundo Antigo usando diplomacia e seu ambicioso projeto de ligar a Europa, Ásia e o norte da África, mais de dois mil anos antes de ser criado o termo 'globalização'.

Alexandre nasceu em Pela, no norte da Grécia, em 356 antes de Cristo, e desde cedo seu destino esteve ligado à glória e à conquista. Sempre impetuoso, o general macedônio foi venerado como um grande guerreiro. Além do sucesso no campo de batalha, ele também se destacou por ter levado a cultura helênica aos extremos do mundo, inaugurando uma nova era para a política de relações internacionais: transformou ex-inimigos em aliados, perdoou antigos adversários derrotados, casou-se com uma estrangeira e, o mais importante, vislumbrou a possibilidade de construir estradas ligando todos os territórios anexados durante anos de guerra.

Outro grande mérito atribuído a Alexandre foi a construção de diversas cidades pelos três continentes envolvidos em sua campanha contra os persas. De acordo com o historiador Paul Cartledge, professor de história grega da University of Cambridge (Inglaterra), as fontes mais antigas estimam que Alexandre construiu pelo menos 70 cidades, mas estudos modernos apontam números mais modestos: algo entre dez e 12 pólis (termo grego para cidades).

REPRODUÇÃO
Representação de Alexandre com Bucéfalo, que se tornaria seu cavalo. No relato de Plutarco, Alexandre dava sinais de brilhantismo desde jovem, quando conseguiu, por perspicácia, montar o cavalo que parecia indomável

De qualquer forma, o modo de concepção desses centros urbanos foi revolucionário. Essas cidades não foram erguidas ao redor de grandes templos, como era comum na Antiguidade. Alexandre pensava adiante e projetou suas metrópoles ancoradas em vastas áreas comerciais, transformando- as em pontos de encontro de negócios e cultura. Algumas delas, como Kandahar (Afeganistão) e Alexandria (Egito), existem até hoje - a segunda, inclusive, foi erguida nas margens do mar Mediterrâneo como forma de facilitar o escoamento de mercadorias, e até hoje é a segunda maior cidade do país, com cerca de oito milhões de habitantes.

O rei macedônio pode ser considerado um grande visionário, pouco compreendido em sua época, mas venerado por sucessivas gerações futuras. O próprio ditador romano Júlio César guardava uma grande admiração pelo monarca grego.

DO NASCIMENTO ÀS CONQUISTAS
De olho nos recursos naturais de um território O historiador queronéio Plutarco, grande biógrafo da Antiguidade, escreveu que o nascimento de Alexandre foi marcado por uma série de eventos míticos, que servem para reforçar sua predestinação para a glória. Verdadeiros ou não, o certo é que esses fatos demonstram a forma como as pessoas da época viam e idolatravam os feitos do monarca da Macedônia.

Alexandre nasceu no sexto dia do mês de Hecatombeon, enquanto o templo de Ártemis no Éfeso, uma das sete maravilhas do mundo antigo, era destruído em um incêndio. Além disso, outros presságios chegaram aos ouvidos de Filipe, que acabara de tomar a Potidéia em uma batalha. A primeira notícia é de que ele havia ganhado o prêmio na corrida de celas, nas Olimpíadas. Além disso, soube que naquele dia Parmenion, seu principal general, havia derrotado os ilírios, ao mesmo tempo em que seu filho nascia em Pela.


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