Biografia Subcomandante Marcos Porta-voz do Exército Zapatista de Libertação Nacional, o homem que nunca mostra o rosto chama a atenção do mundo para os problemas sociais dos povos indígenas do sudeste do México
POR ALEXANDER MAXIMILIAN HILSENBECK FILHO
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Segundo o próprio Marcos, ele representa todas as minorias na hora de falar, e todas as maiorias na hora de calar |
As primeiras horas do ano de 1994 anunciaram uma nova era para o México. No dia 1° de janeiro desse ano, entrou em vigor o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), que congregou o Canadá, os Estados Unidos e o México em um bloco econômico. A criação da área de livre comércio permitiu que o capital e as mercadorias pudessem trafegar livremente pelas fronteiras. Embora a permissão de circulação irrestrita não valesse para as pessoas, acreditou-se por um instante que o país das tequilas e dos mariachis entraria finalmente para o Primeiro Mundo, deixando para trás um passado de atraso e subdesenvolvimento.
Apesar da importância do surgimento do Nafta, esse não foi o fato principal que entrou para a história do México naquele dia. Ao mesmo tempo que os presidentes se cumprimentavam com apertos de mão, estabelecendo o acordo econômico, milhares de indígenas armados tomavam as cidades do Estado de Chiapas, no sudeste do México.
Usando lenços vermelhos (os paliacates) e gorros negros (os pasamontañas), eles se autoproclamavam membros do Exército Zapatistas de Libertação Nacional (EZLN), gritavam "já basta" contra a humilhação e a exploração, e diziam que respondiam ao decreto de "morte aos descendentes dos maias". Para os indígenas, esse decreto era o Nafta. Juntos, eles empunhavam bandeiras de Democracia, Justiça e Liberdade.
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| Os líderes zapatistas, que só aparecem com o rosto coberto, ditam as leis do território do sudeste mexicano onde vivem |
QUEM É MARCOS?
Já nos primeiros momentos do conflito entre os zapatistas e as forças oficiais do governo, um homem se destacou dos outros guerrilheiros. Seja por destoar da aparência de seus companheiros (ele é nitidamente mestiço), ou por falar espanhol, francês e inglês, além das línguas indígenas da região, o Subcomandante Insurgente Marcos tornou-se chefe militar e porta-voz do EZLN.
Zedillo afirmou que Marcos é ex-estudante de Filosofia, membro de uma família católica de empresários
Até hoje, ninguém sabe a verdadeira identidade de Marcos, mas são inúmeras as especulações. Uma das hipóteses, contada por indígenas de Chiapas, é que Marcos é um dos filhos gêmeos de um estrangeiro que se integrou a uma comunidade maia e se casou com uma das índias. Após a morte dos pais, os irmãos teriam sido educados na Suíça. Anos mais tarde, após a morte do irmão gêmeo, Marcos teria voltado ao seio da comunidade indígena para defender os direitos do seu povo.
Os meios de comunicação já sugeriram diversas profissões para Marcos: padre, jornalista, antropólogo, sociólogo, antigo combatente das guerrilhas centro-americanas, membro de algum partido de esquerda. Também já falaram que ele é estrangeiro, filho bastardo de algum grande político mexicano, entre tantas outras suposições. Mas a versão mais aceita foi dita por Ernesto Zedillo, ex-presidente do México, em frente às câmeras de televisão, em 1995. Zedillo afirmou que Marcos era, na verdade, ex-estudante de Filosofia da Universidade Nacional Autônoma do México, nascido em 1957, em Tampico, membro de uma família muito católica de empresários do setor imobiliário - Marcos às vezes brinca com essa versão, outras vezes a nega.
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