MÚSICA As Lendas de um ritmo cinqüentão O bom e velho rock´n´roll, já com cinco décadas de existência, tem muita história para contar. Mas, além dos casos verídicos, a música que revolucionou a juventude do século XX serviu de inspiração para a criação dos mais estranhos mitos
POR SÉRGIO PEREIRA COUTO
Muito mais do que um ritmo que encantou gerações, o rock’n’roll tornouse uma espécie de fonte inesgotável para a criação de lendas. Praticamente todos os grandes nomes do rock, de todas as épocas, já foram protagonistas de uma ou outra história escabrosa. Algumas delas, o leitor já deve ter ouvido falar. Seja em tom de piada ou de assunto sério, esses mitos, que muitas vezes são estimulados pelos próprios artistas, espalham- se em conversas de bar, fã-clubes dos ídolos, e biografias (autorizadas ou não) das bandas.
O curioso é que a análise dessas histórias leva à conclusão que elas possuem uma tendência a se repetir. Isso porque se trata de um fator que tende a voltar à baila de uma maneira ou de outra, muitas vezes pela própria aproximação de estilos, como no caso dos cantores Alice Cooper e Marilyn Mason - guardadas as devidas proporções entre eles, claro.
Se analisarmos bem, muitas dessas lendas partem do princípio de que os fãs acreditam em qualquer coisa, mesmo que remotamente condizente com a maneira como seu ídolo se apresenta. Assim, é fácil inventar explicações bizarras para o comportamento de Ozzy Osbourne, ex-vocalista da banda Black Sabbath, ou de Gene Simmons, vocalista do Kiss. Embora esses dois cantores já tenham mostrado em seus programas de televisão The Osbournes e Gene Simmons: Family Jewels (ambos já transmitidos no Brasil) que estão mais para patriarcas bem comportados do que para os demônios do palco, que mordem cabeças de morcego ou colocam línguas de vaca implantadas na própria boca.
As lendas dos astros de rock comprovam que os fãs são capazes de acreditar em qualquer coisa
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Gene Simons (à esq.), vocalista da banda Kiss, habita umas das lendas mais bizarras do rock: sua língua seria um implante |
Mas, acreditar nessas histórias é uma vontade incontida dos fãs desses artistas que quebram barreiras e que ninguém diz a eles como devem se comportar. As lendas do rock continuam a proliferar nos dias de hoje, apesar de os astros atuais não darem tanto motivo para criá-las como os dos anos 60, 70 e 80. Porém, engana-se quem pensa que anedotas estranhas que envolvem os astros da música são exclusivas do rock. Se olharmos, por exemplo, para o blues, apontado como a principal influência para a criação do rock, veremos que histórias mais estranhas já foram veiculadas.
A ALMA PELO SUCESSO
A lenda mais famosa do blues envolve o cantor americano Robert Johnson (1911-1938), admirado e cultuado por grandes nomes do rock, como Robert Plant, Jimmy Page, Eric Clapton, Keith Richards, Brian Jones, Rory Gallagher e Jimi Hendrix. Robert Johnson influenciou grupos como Phish, ZZ Top, Lynyrd Skynyrd, Rolling Stones, Allman Brothers Band, Grateful Dead e Red Hot Chili Peppers. Dizem que a morte de Johnson, que ocorreu em circunstâncias misteriosas, em 16 de agosto de 1938, foi um dos primeiros casos de um cantor que teria feito um pacto com o demônio em troca de sucesso. Esse mito de vender a alma para receber em troca o sucesso se repetiu com as principais bandas do rock, de Beatles a Led Zeppelin, de Black Sabbath a Red Hot Chili Peppers, de Echo and the Bunnymen a Soundgarden.
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| ALMA CHEIA DE ROCK Acredita-se que a banda Black Sabbath (foto abaixo) teria vendido a alma ao diabo em troca de sucesso. Para piorar, durante um show um de seus vocalistas, Ozzy Ousbourne, arrancou a cabeça de um morcego com a boca |
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