A GUERRA DE TRÓIA Tróia: A Guerra dos Deuses Por dez anos, em algum momento entre os séculos XII e XIII a.C., gregos e troianos se confrontaram nas portas da cidade de Tróia. O conflito que envolveu homens e deuses foi narrado por Homero, educou os gregos antigos e marcou o fim de um período importante da história da Hélade
POR RODRIGO GALLO
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Quadro do pintor alemão Johann Georg Trautmann (1713-1769) mostra o momento em que os gregos conseguiram invadir a cidade de Tróia usando o cavalo de madeira, o famoso "presente de grego" |
Nem mesmo Zeus, o senhor dos deuses, deixou de acompanhar aqueles dez anos de conflito. Até ele, que havia destronado o próprio pai e se imposto como soberano, desceu do Olimpo para assistir aos grandes combates, enquanto Posêidon, seu irmão, e Apolo, o arqueiro, interferiam diretamente no desfecho dos combates entre os heróis. E assim, uma década se passou em Tróia, cidade localizada na costa leste do Mar Egeu, onde troianos e aqueus se enfrentaram com ferocidade: e tudo por causa da "mulher mais linda do mundo". Desta forma, o futuro de toda a Grécia foi decidido, em algum momento entre os séculos XII e XIII antes de Cristo. Muitos helenos tombaram naquela guerra, cruzando o rio Styx e adentrando as terras de Hades, o deus dos mortos, e, novamente, vale lembrar o motivo: o rapto de uma rainha.
HISTÓRIA GREGA
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Obra do artista italiano Federico Barocci (1528-1612) dramatiza a queda de Tróia e mostra o guerreiro troiano Enéias carregando sua família para fora da cidade |
Alguns eventos históricos são assim. De tão incríveis e gloriosos, os poetas, eufóricos, passam a descrevê-los de forma ainda mais heróica, carregados de elementos míticos e divinos. A realidade, no fim, funde-se ao mitológico e, com este formato, a narrativa passa para as gerações futuras, que em muitas situações aceitam os fatos descritos e passam a tratá-los como verdades absolutas.
Os conflitos narrados pelo poeta cego Homero não fogem a esta regra. De tão sensacionais, passaram a incorporar não apenas a crença dos antigos gregos, mas também a educação dos jovens. Os helenos realmente acreditavam na invulnerabilidade de Aquiles, por exemplo. O narrador mostra que a guerra de Tróia foi tão gloriosa que nem mesmo os soberanos do Olimpo contiveram-se e desceram dos céus para acompanhar seus campeões lutarem de frente às muralhas da cidade, naquela que seria "uma das maiores batalhas da Antiguidade".
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