Monarquias Absolutistas O sentido da era dos reis O comportamento dos monarcas e da corte, sob seu comando, ajudou a delimitar os territórios e a formar os Estados modernos. Os ritos e as regras dos governos absolutistas, entre os séculos XVI e XVIII, controlaram as crises e instabilidades políticas e estimularam os avanços nas artes e Ciências
POR MARCOS ANTÔNIO LOPES
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Aeneas at the Court of Latinus, obra do pintor holandês Ferdinand Bol (1616-1680) |
Foi na França, no século XVI, que se verificaram as transformações mais evidentes nas maneiras de se conceber e dividir as tarefas e os lazeres no dia-a-dia dos príncipes europeus. Se, de um lado, os segmentos não privilegiados da sociedade francesa permaneceram conduzindo uma existência praticamente igual à de seus ancestrais, de outro, alguns grupos sociais passaram por transformações significativas em seus costumes.
Um estrato da sociedade francesa que assistiu à singular transformação de seus hábitos foi a nobreza de espada. Por prazer, mas também por determinantes políticos, o rei francês Francisco I (1494-1547) desenvolveu sua corte, que ele desejou ver tão luxuosa e requintada quanto as cortes das cidades italianas do início do século XVI. Sob seu longo reinado (1515- 1547), a vida da corte tornou-se mais ainda um luxo e uma necessidade.
A corte francesa era numerosa, agregando alguns milhares de pessoas nas "casas de serviço" do rei, da rainha e dos príncipes de sangue, nas quais, durante praticamente todo o ano, sucediam-se bailes, torneios e festas.
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Retrato de Francisco I, rei da França, feito pelo Hilliard (1547-1619) pintor francês Jean Clouet (1480-1541): sob seu comando, a corte da França era luxuosa e nômade
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O entourage de Francisco I foi, durante muito tempo, uma espécie de bando itinerante que vagava de castelo em castelo, antes de se fixar de forma um pouco mais sedentária em Paris. Em um desses cortejos impressionantes, um contemporâneo, o cardeal de Tournon, observou admirado que em cada um dos deslocamentos da família real, de um palácio a outro, era possível contar aproximadamente oito mil pessoas em trânsito.
Em um artigo em que estuda as mentalidades coletivas do século XVI, o historiador francês Lucien Febvre (1878-1956) analisou os deslocamentos da numerosa corte de Francisco I:
"A corte: era um pequeno exército que se deslocava, com suas viaturas, seus carros e suas bagagens. Freqüentes vezes acampados, no meio de uma clareira, ali armavam a barraca do rei. Bem ou mal ali se instalavam homens e mulheres (...), pois também elas viajavam.
As damas da corte (...) vistes já, certamente - há ótimas reproduções que representam as grandes damas ao tempo de Francisco I.
Os crayons são belos, mas os modelos? Feições abatidas, narizes acentuados, maçãs salientes.
"São os povos da França humildes e obedientíssimos, e TÊM EM GRANDE VENERAÇÃO O SEU REI"
MAQUIAVEL, Escritos Políticos. Relação sobre a França
Os poetas do tempo, Marot, du Bellay, Ronsard, fizeram bem em rimar, em seus pequenos versos, Madame de Lestranges com figure d'ange - nós procuramos o anjo, ou os anjos, sem nada encontrar de angelical. (...) É que estas pobres mulheres viviam extenuadas (...). Passavam sete meses a cavalo seguindo o rei em suas marchas. Algumas vezes eram empilhadas umas sobre as outras nos barcos que desciam o Loire. (...) Dava-lhes de comer como a soldados em campanha, quase sempre mal alimentadas. Eram desembarcadas em Gien ou Orléans. E voltando, a cavalo, iam encontrar o cortejo real para a entrada solene em Paris."¹
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