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Ku Klux Klan: passado e presente do terror
Com capuzes brancos e cruzes incandescentes, a organização racista que surgiu no sul dos Estados Unidos no século XIX mostra que ainda não foi totalmente extinta ao lançar uma nota de repúdio à eleição de Barack Obama à presidência

POR SÉRGIO PEREIRA COUTO

FOTO: WARREN K. LEFFLER

Uma das organizações terroristas mais temidas de todos os tempos, conhecida por promover ataques violentos contra negros norte-americanos, chegou a contar com a adesão de 4 milhões de membros durante o seu auge, na década de 1920. A Ku Klux Klan é uma sociedade secreta originária do sul dos Estados Unidos que possui visão política de extrema direita e prega a supremacia branca. Embora a sigla KKK, pela qual a Ku Klux Klan é conhecida, remeta ao passado intolerante dos Estados sulistas norte-americanos, o grupo ainda está em atividade nos Estados Unidos. Há tanta semelhança entre a KKK e os neonazistas que, por vezes, os partidários das duas facções se juntam e geram híbridos, como a Imperial Klans of America (IKA), formada em 1997, que se diz a maior organização desse tipo, atrás somente da própria KKK.

ARQUIVO CIÊNCIA E VIDA
Na foto, uma missão comum durante a Guerra de Secessão, que tinha o intuito de motivar os soldados. Após a derrota, os sulistas resolveram se unir para praticar, inicialmente, atos de vandalismo gratuito

As versões atuais da KKK e de seus subgrupos como a IKA, possuem certas nuances que os diferem da versão clássica. Por exemplo, não são apenas os negros que são perseguidos, mas também fazem parte das listas de ódio os comunistas, os católicos, as feministas, os imigrantes e os homossexuais. Outro ponto: saem de cena os trajes tradicionais brancos e fantasmagóricos vistos em filmes como Mississippi em chamas (Burning Mississippi, 1988), de Alan Parker, e entram em seu lugar uniformes militares, com direito a capacetes e outros acessórios, o que os caracteriza ainda mais como neonazistas.

Apesar de ainda ser um problema para as cidades norte-americanas, que se orgulham de possuírem liberdade de expressão e são, ao mesmo tempo, repressivas com os grupos que por lá aparecem, a KKK ainda se faz presente no imaginário popular. Hoje parece mais um item que se conta nas histórias para deixar as crianças com medo antes que adormeçam. Porém, com essa nova forma e conteúdo, essa sociedade secreta continua a atrair pessoas que, sem saber de seu passado violento, procuram-na com esperanças falsas de expulsar "o invasor de suas terras", seja ele qual for.

AS ORIGENS DO TRIPLO K

Por mais que se fale na KKK, poucos conhecem seu passado ou mesmo sabem apontar o período em que estiveram em maior atividade. É necessário esclarecer que existiram alguns grupos mais antigos que usaram este nome e construíram a mitologia da KKK com o passar dos anos. O grupo original foi criado em 1865 por veteranos do exército confederado sulista, que saiu como perdedor no final da Guerra de Secessão (1861-1865). Seu propósito era restaurar a supremacia branca no período seguinte ao da guerra civil entre os Estados do norte e do sul dos Estados Unidos, que resultou na libertação dos escravos negros que trabalhavam nas lavouras sulistas. O berço da KKK foi a cidade de Pulaski, no Estado do Tennessee.

Os envolvidos na criação da KKK queriam "apenas" se divertir um pouco ao assustar os negros recém-libertados. Como eles eram do exército perdedor, favorável à escravidão, pensaram em fazer uma espécie de provocação tanto para os libertados quanto para os vencedores do norte. Assim, criaram algumas regras, esboçaram alguns rituais sem nenhuma base esotérica e logo partiram para criar seu primeiro nome oficial: kuklos, palavra grega que significa círculo.

A maioria dos primeiros participantes da KKK era de origem escocesa, cuja cultura estimula a organização em famílias ou clãs. Dessa forma, o nome evoluiu para a forma atual ao separar a palavra kuklos, que gerou Ku Klux por aproximação de pronúncia, mais a palavra clan (clã, em português), que se tornou Klan. Foi assim que nasceu o temido triplo K.

FOTO: MATHEW BRADY
Uma referência aos mortos na Guerra Civil Americana é uma das razões que explica os trajes brancos da KKK. Eles queriam representar os espíritos dos soldados que morreram em combate

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