Ku Klux Klan: passado e presente do terror Com capuzes brancos e cruzes incandescentes, a organização racista que surgiu no sul dos Estados Unidos no século XIX mostra que ainda não foi totalmente extinta ao lançar uma nota de repúdio à eleição de Barack Obama à presidência
POR SÉRGIO PEREIRA COUTO
Em 1867, apenas dois anos após a criação da KKK, o grupo já possuía cerca de 500 mil associados |
Assim como o nome do grupo, o uniforme branco tradicional da KKK surgiu também no final do século XIX. Há duas versões para a história da origem da vestimenta. A primeira diz que os membros apenas se aproveitaram de velhos hábitos religiosos de cor branca, modificaram-nos e passaram a usá-los com uma máscara branca. A bata mais o capuz davam o aspecto tosco que os integrantes queriam para amedrontar os negros. Já a segunda, conta que os fundadores da KKK pensaram em um traje específico, que teria sido criado por eles.
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| A "união branca", que tinha como slogan The Union as it was, the Constitution as it is (em tradução literal: A União como ela foi, a Constituição como ela é), retrata no brasão uma família negra e o título: pior que a escravatura |
Os membros da organização queriam parecer fantasmas, ou melhor, espíritos dos confederados mortos na Guerra de Secessão, que voltaram para atormentar os negros. Naquela época, os partidários da KKK usavam de tudo para aterrorizar os ex-escravos, desde ossos de esqueletos ocultos sob as vestes, que serviam para apertar as mãos dos libertados, até abóboras recortadas no melhor estilo Halloween, que lembravam a lenda do cavaleiro sem cabeça.
DE BRINCADEIRA DE MAU GOSTO A CRIME
Em pouco tempo, o que seriam apenas brincadeiras de mau gosto tornaram-se crimes violentos. Para se ter uma idéia, em 1867, apenas dois anos após a criação da KKK, o grupo já contava com cerca de 500 mil associados.
Embora o motivo de assustar os ex-escravos pareça até ser ponto tolo para justificar a criação de uma das mais perigosas e perversas sociedades secretas da História, outros objetivos foram posteriormente acrescentados e causaram uma alta na popularidade do grupo. Além de serem libertados, os ex-escravos também ganharam direito a voto, porte de armas e a freqüentar estabelecimentos de ensino. Isso foi o suficiente para que a KKK começasse a voltar seus olhos para os políticos que, de uma forma ou de outra, estavam ligados a essa nova situação. Um dos primeiros a sofrer um ataque do gênero foi o congressista James Hinds, assassinado por representantes do grupo em 1868, apenas por ter sido um dos responsáveis por uma lei que igualava negros e brancos.
Devido ao assassinato de Hinds, muitos dos klansmen, como ficaram conhecidos os integrantes da KKK, acabaram sendo enviados para a cadeia no ano seguinte. Pouco depois, saiu uma declaração oficial do governo norte-americano que condenava a KKK como um grupo terrorista. Quando a confraria foi extinta, após a aprovação de uma lei anti-KKK, pelo senado dos Estados Unidos, a organização já havia deixado um rastro que acumulava 4.600 vítimas.
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| Cena do filme Nascimento de uma Nação (Birth of a Nation, 1915). A obra engrandece a escravatura e faz apologia à Ku Klux Klan |
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A SEGUNDA VERSÃO DA KKK
No início do século XX, quando todos pensavam que a famigerada sociedade secreta racista estava banida para sempre, eis que ela ressurge das cinzas graças ao filme mudo O nascimento de uma nação (The birth of a nation, de 1915), baseado no livro The clansmen, de 1905, de autoria de Th omas Dixon Jr. Esse filme, dirigido pelo norteamericano D.W. Griffin, marcou o renascimento da KKK, já que abordava a segregação racial e tratava os integrantes do grupo como heróis.
Só que dessa vez o grupo não surgiu para fazer brincadeiras. A coisa começou a tomar um novo corpo quando um antigo pregador metodista, chamado William Joseph Simmons, trouxe a KKK de volta à ação em 1915, depois de assistir ao filme O nascimento de uma nação. Segundo depoimento dele mesmo, registrado em alguns livros sobre o assunto, Simmons teve uma "revelação" em um dia do ano de 1901, quando viu uma nuvem passar por sua casa e transformar-se em um grupo de cavaleiros vestidos de branco. Foi essa mesma visão que teria passado a ele uma mensagem para que "libertasse a América dos estrangeiros".
A KKK também perseguiu judeus, católicos, pacifistas e até comunistas. Nem os sindicatos trabalhistas escaparam do grupo |
Após 1915, quando o filme de Griffin estreou, o clima de ufanismo que a produção provocou nas pessoas, aliado ao medo que o povo tinha da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), conflito que se desenrolava na Europa, proporcionou um terreno seguro para que se iniciasse um programa de recrutamento. Nessa época, a KKK voltou com força total, mexendo com a opinião pública e jogando parte da população contra os negros. A KKK também perseguiu judeus, católicos, pacifistas e até comunistas. Nem os sindicatos trabalhistas escaparam. Como na primeira versão da KKK, o grupo condenava a suposta corrupção de costumes e as tentativas de apoderação do país pelos ex-escravos.
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