A faixa de Gaza O último conflito entre israelenses e palestinos, que começou
no final de 2008 e terminou no início de 2009, chamou mais uma vez a atenção da população mundial para esse pedaço de terra do oriente Médio. os debates sobre a ação do exército deIsrael e do hamas na região marcaram a nona edição do Fórum Social Mundial, realizado em Belém, no Pará
Por Sucena Shkrada Resk
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Na imagem abaixo é possível ver os restos de um foguete Qassam, utilizado por organizações da resistência palestina, principalmente o Hamas, contra o território de Israel |
ATENÇÃO NO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
Durante o Fórum Social Mundial (FSM) 2009, realizado em Belém, Pará, entre 27 de ja- neiro e 1º de fevereiro, foram protagonizadas várias manifestações em favor de um acordo de paz. Representantes de 142 países compareceram ao evento e a maioria se posicionou contra a guerra.
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Acima, a localização de Gaza. Abaixo, da direita para a esquerda, Benjamin Netanyahu com Yasser Arafat e Nabil Shaath, um alto funcionário palestino, no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em 1997
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Na chamada Assembleia das Assembleias, reu- nião de encerramento do FSM, foi anunciada a realização de uma ação global antiapartheid.
Jamal Jumá, coordenador do movimento pa- lestino antiapartheid Stop e Wall, afirmou que o evento foi um meio de mostrar ao mundo a im- portância de Israel cumprir as leis internacionais.
"Não valem de nada [as leis], se não estão sendo respeitadas", afirmou em palestra no FSM.
Segundo Aureli Argemi, presidente do Cen- tro Internacional Escané pelas Minorias Étnicas e das Nações, a situação na Faixa de Gaza é um dos problemas mais graves mundiais da atuali- dade, juntamente ao Congo, na África. "A co- munidade internacional se manifesta de forma ambígua, inclusive os países árabes. Há interesse nessa região do Oriente Médio, porque envolve rotas do petróleo e, consequentemente, poder. O povo palestino vive hoje em uma prisão; de certa forma, são bodes expiatórios", diz.
Argemi analisa que essa dicotomia é uma constante e envolve jogos de interesses de ambas as partes do conflito. "O Hamas assumiu o po- der por meio de eleições e, curiosamente, quando o movimento foi criado na década de 1980, Is- rael propôs apoio ao Hamas para lutar contra o ex-líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat (1929-2004)", afirmou.
Daniel Jadue, da Federação Palestina do Chile, considera que o peso dos últimos 40 anos de ocupação em Gaza é a origem da violência na região. "Mesmo quando há momentos de paz, a Faixa de Gaza é um cárcere para 1,5 milhão de pessoas. Israel decide o que entra e sai de lá, des- de comida até combustível. A situação é insus- tentável", diz. Já o professor do Creativity Center, na Palestina, Hisham Abu Aosh, compara o ter- ritório a uma ilha isolada. "A situação humanitá- ria é extremamente complexa. São mais de 100 mil pessoas fora de suas casas, e 5 mil atingidas diretamente pela guerra", afirmou.
As manifestações pelo cessar-fogo em Gaza aumentam gradativamente no Brasil, segundo Francisco Manoel Assis França, coordenador no Paraná do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz). "Promovemos a Exposição Mostra do Holocausto Palestino munidos por meio de blogs de diversos pontos do planeta", conta. A série de imagens de pesso- as feridas e mortas, durante confrontos iniciados desde a década de 1940, são cenas chocantes que exercem forte impacto sobre o público.
Em janeiro deste ano, houve passeatas em Curi- tiba, em São Paulo, como também em Belo Horizonte e Brasília. "Acabamos nos sentindo como os palestinos, sofrendo a dor da solidariedade. Não é possível que os israelenses falem que jogam bombas de forma cirúrgica, matando civis. Desde 1947, as resoluções da ONU não são acatadas", disse França.
CARTA ABERTA PELA PAZ
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A foto acima mostra uma pequena área histórica em Gaza, na Palestina, denominada Gold Market, que serve como centro comercial de compra de ouro e de troca de dinheiro |
Outras manifestações ocorreram pelo Bra- sil, como a da Comissão Teotônio Viela de Di- reitos Humanos, que ocorreu em 13 de janeiro deste ano, em São Paulo. A organização contou com o apoio do jurista Fábio Konder Compara- to, da filósofa Marilena Chaui, do especialista em Direitos Humanos Paulo Sérgio Pinheiro e do ministro Sílvio Albuquerque, do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e chefe da Divi- são de Temas Sociais do Itamaraty. Na ocasião, foi apresentada uma carta aberta em repúdio ao conflito por meios militares. No documento, é solicitado ao governo brasileiro que não poupe esforços para que a resolução do cessar-fogo da ONU seja cumprida na Faixa de Gaza. "Existe uma guerra interna econômica e militar revestida de teologia", disse Marilena Chaui.
Segundo o ministro Sílvio Albuquerque, o Brasil tem poder de influência moderado no cenário internacional. "O fórum de críticas deve ser a ONU. É lamentável que Israel não tenha ratifica- do o Estatuto de Roma; por isso, o governo brasi- leiro levará uma petição à casa, neste", afirmou.
Apesar das relações amistosas entre Brasil e Israel, o ministro declarou que o Itamaraty apoia a resolução nº 1.860. "Há clara responsabilidade civil dos atos a serem apurados. Por isso, apoia- mos a decisão da entrada de observadores da ONU nos territórios ocupados, para revelar ao mundo o que realmente está ocorrendo."
A gênese da desordem na Faixa de Gaza, de acordo com Paulo Sérgio Pinheiro, comissário em Direitos Humanos da Organização dos Es- tados Americanos, são os 60 anos de ocupação dos territórios palestinos. "Cerca de 800 mil pes- soas tiveram de sair de suas casas. Outro ponto é a dependência política externa de Israel com os Estados Unidos. É um contexto inóspito, já que é um país localizado na região de países árabes, que os israelenses não têm relações", afirma.
SOBERANIA ISRAELENSE
Dentre as diversas manifestações que aconte- ceram no Brasil e no mundo durante o conflito deflagrado em 27 de dezembro de 2008, a orga- nização não governamental internacional Amis- rael - O Mensageiro da Paz também promoveu passeatas em defesa do Estado israelense, em oito cidades brasileiras e em mais 18 países. Segundo a coordenação do movimento no Brasil, a iniciativa é para que se reconheça a soberania do governo e seu direito de defesa contra os ataques do Hamas.
A organização preparou um documento em que convoca os povos do mundo todo a encontrar maneiras de estabelecer a paz no Oriente Médio. O texto ainda afirma a rejeição ao terrorismo e aos atos violentos dirigidos a civis, manifestando a solidariedade tanto aos povos palestinos quanto aos israelenses.
REFERÊNCIAS AMISRAEL - site http://www.omegasitessolutions.com.br/amisrael/ Comissão teotônio Vilela de Direitos Humanos - site http://www.ctvdh.org/portal embaixada de Israel no Brasil - Disponível no site http://brasilia.mfa.gov.il/mfm/web/ main/missionhome.asp?MissionID=8&. acessado em 20/2/2009. OnU (Brasil) - site http://www.onu-brasil.org.br resolução do Parlamento europeu sobre a ajuda humanitária à Faixa de Gaza, 11/2/2009 - Disponível no site http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc. do?type=MOTION&reference=B6-2009-0100&language=PT. acessado em 20/2/2009 stop the Wall - site www.stopthewall.org Viva Palestina - Disponível no site http://www.vivapalestina.com.br/?conteudo=index.php. acessado em 20/2/2009.
Sucena Shkrada Resk é jornalista e escreve para esta publicação
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