A ordem dos iluminados A illuminati, sociedade secreta que aparece no enredo do fi lme Anjos e demônios, surgiu na Baviera, no século XViii, e já foi alvo de tantas teorias da conspiração que chegou a ser relacionada com a Revolução Francesa e o processo de independência dos estados Unidos
Por Sérgio Pereira Couto
PERSEGUIÇÕES E REVOLUÇÃO
FRancesa Com a vinda de Von Knigge, os membros da Illuminati começaram a entrar em cons- tantes embates internos. Ele e Weishaupt não cansam de se enfrentar por causa da questão religiosa, ainda importante pelo ponto de vista de Weishaupt. Von Knigge, cansado de tentar estabelecer uma direção diferente para a ordem, deixou o grupo em abril de 1784, o que afetou a Illuminati de maneira irreversível.
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Adolfvon Knigge foi crucial para a adesão da seita entre os maçônicos e, em seguida, por membros de fora da Alemanha |
Pouco depois, naquele mesmo ano, o prín- cipe-eleitor Carlos Teodoro da Baviera (1724- 1799) baixou um decreto em que baniu todas as sociedades secretas, incluindo os maçons e os illuminatus. A partir dessa decisão, os mem- bros desse tipo de organização passaram a ser considerados criminosos e perseguidos. Não demorou muito para que a estrutura da Illu- minati começasse a ruir.
Por causa das perseguições, Weishaupt deixou Ingolstadt e fugiu para a Saxe-Gota-Altenburgo (Estado da Turíngia, hoje localizado na Alema- nha), onde o duque Ernesto II (1772-1804) lhe deu proteção. Muitos dos membros da Illuminati simplesmente desertaram e nunca mais tocaram no assunto. Outros mais famosos, como o escritor alemão Jo- hann Wolfgang von Goethe (1749-1832), fizeram de tudo para minimizar sua par- ticipação no grupo, muitas vezes negando que sabiam o que lá acontecia. Um triste fim para uma ordem que, em seu auge, contava com muitos intelectuais influentes e políticos progressistas dentre os seus adeptos.
Por algum tempo, a ordem (ou o que restou dela, com seus membros mais persistentes) continuou ativa na clan- destinidade. Um dos participantes mais ativos durante essa fase foi Johann Joachim Christoph Bode (1730-1793), um tradutor de trabalhos de literatura, iniciado na Illuminati por Von Kni- gge, em 1782. Bode, por ter galgado todas as etapas dentro da hierarquia da ordem, era o mais indicado para assumir as atividades enquanto Weishaupt estava no exílio.
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Nos cinemas, a Iilluminati ganha vida no filme Anjos e demônios, ao promover atentados contra a Iigreja Católica |
O tradutor teve a ideia de instalar ramifica- ções da Illuminati fora da Alemanha com o obje- tivo de esperar a situação das perseguições cessar. Em 1787, Bode foi para a França, onde inaugurou um ramo francês, que ganhou o nome de Phi- ladelphes. Porém, a ordem não se tornou tão forte em terras francesas. Bode morreu em 1793.
Depois dessa fase crítica, a Illuminati perdeu muito de sua influência, mas as sementes do folclore que ronda essa ordem até hoje já estavam lançadas. Por exemplo, na época da Revolução Francesa (1789- 1799), um padre chamado Augustin Barruel (1741- 1820), ferrenho opositor do movimento político e so- cial que vinha ocorrendo na França, divulgou a ideia de que apenas os maçons e os membros da Illuminati teriam tanto ódio assim da Igreja Católica a ponto de provocar um evento como a tomada da Bastilha.
A Illuminati teria tanto ódio da Igreja Católica a ponto de promover a tomada da Bastilha?
E dada a aversão que os revolucionários tinham das figuras eclesiásticas de então, não é de se espantar que essa ideia tenha ficado nas mentes das pessoas e sido transmitida por meio de textos da época.
Pesquisadores afirmam, entretanto, que os adep- tos franceses da Illuminati (ou Philadelphes) não po- deriam tramar algo com tamanha repercussão, já que nunca contaram com mais de "um punhado de membros ativos", por isso mesmo seriam totalmente incapazes de articular algo assim. Porém, a imagi- nação corre solta, mesmo quando os envolvidos têm algo a ver com teorias de conspiração. A opinião rei- nante para os que concordavam com o pensamento do padre Barruel foi a de que Adam Weishaupt es- taria em algum ponto de Paris e que teria tramado a revolução com o auxílio dos maçons e de seus amigos da Illuminati. Essa teoria foi o assunto principal de um romance assinado pelo escritor espanhol César Vidal, chamado O crime dos Illuminati, já publicado no Brasil. E, por mais que saibamos que se trata de uma ficção, pensar que o famoso lema "liberdade, igualdade, fraternidade" pode ter vindo da Illumina- ti é uma enorme tentação para nossas mentes.
A ESTRITA OBSERVÂNCIA
A sociedade secreta, da qual fizeram parte maçons e alguns membros da Illuminati, tem suas origens na tradição templária
O nome do sistema maçônico cujos membros fizeram a maior objeção à Iilluminati da Baviera é ligado supostamente à tradição herdada dos Ccavaleiros Templários. A Estrita Oobservância foi fundada na Aalemanha, em 1764, pelo barão de Hund e era baseada não apenas nos Templários como também trazia elementos pertencentes a outras ordens de cavalaria.
De acordo com alguns autores maçônicos, esse rito tem sido estigmatizado como sendo de origem jesuíta e tinha sete etapas para ingressar: aprendiz, companheiro, mestre, mestre escocês, noviço, templário (subdividido em cavaleiro, aliado e porta-espada) e cavaleiro professo.
A Eestrita Oobservância, que tinha como nome original Rito da Oordem da Estrita observância, fez parte da história da franco-maçonaria até a década de 1780. Ddesde seu início, quando foi adotado pela loja chamada Das Três Colunas, da região de Ddresden, seus adeptos agregaram graus clássicos cavaleirescos, extraídos das histórias conhecidas dos templários.
A sociedade durou até a morte do barão, em 1776, e entrou em crise em 1782, que originou no declínio de sua utilização e das lojas que o adotaram. |
O FIM DA ILLUMINATI?
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O quadro de Emanuel Leutze, Washington cruzando o Delaware, retrata a independência dos Estados Unidos. teorias conspiratórias relacionam a illuminati com o feito norte-americano |
Segundo o pesquisador A. Tenório de Albu- querque, membros da Illuminati traíram a ordem ao denunciá-la às autoridades. Esses homens afirma- ram em seus depoimentos que os adeptos "detesta- vam os príncipes e os sacerdotes, que faziam apolo- gia do suicídio; que repeliam toda ideia religiosa e ameaçavam apoderar-se de todos os empregos, que pretendiam reduzir os príncipes à mais triste condição, transformando-os em seus escravos; aceitavam o projeto de livrar o poder dos príncipes, dos sacerdotes e dos nobres, estabelecendo a igualdade de condições, fazendo os homens livres e virtuosos."
Desde que essas acusações foram feitas, Weishaupt perdeu seu cargo na Universidade de Ingolstadt. Quando o governo conseguiu se apossar dos documentos da Illuminati, logo conseguiu acusar alguns adeptos. Apesar de se reconhecer a culpabilidade de alguns membros isolados, o processo que determinou o fim da ordem foi movido contra todos que se diziam "iluminados".
A verdadeira odisseia que Weishaupt enfrentou para escapar de seus algozes, já citada anteriormente, foi registrada em poucos livros. Albuquerque diz em sua obra: "Avisado com antecedência do risco que corria, Weishaupt conseguiu fugir, indo abrigar-se em Rastibona. Foi pedida a extradição do acusado. O Regente não queria negar a extradição nem prender Weishaupt, cuja evasão resolveu facilitar. Os 'iluminados' trabalhavam incessantemente pelo seu chefe e ajudaram-no a ir refugiar-se no principado de Saxe-Gota-Altenburgo, onde foi festivamente acolhido pelo príncipe, que o nomeou seu conselheiro particular".
Sabe-se pouco sobre as atividades do líder da Illuminati da Baviera no exílio. Ele teria insistido várias vezes para que seu caso fosse encaminhado para os tribunais, a fim de provar que as acusações que pesavam sobre sua cabeça eram falsas e que manchavam sua reputação. Mas todos conheciam seu caráter e suas ideias anticlericais. Por isso, suas solicitações nunca foram atendidas.
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