Um Soberano Feito de Brumas Na Inglaterra, existiu um rei que desapareceu sob a força da magia de Avalon.
Por Nazarethe Fonseca
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| Ilustração do norte-americano Alfred Frederick de 1881 que mostra a corte do rei Arthur |
O rei Arthur entrou para a história de modo peculiar e se tornou um personagem legendário e discutidamente histórico. O grande rei, matador de saxões, portador da espada Excalibur, teve dias de glória, amor e de traição. Imortal? Sim, até o último fio de cabelo louro de sua amada rainha Guinevere. Afinal, continuou se movendo pela fantasia em lendas, trovas, contos, livro e filmes.
A legitimidade desse rei é posta à prova pela história. Os motivos são muitos e justificáveis. Na História, Arthur surgiu pela primeira vez (o que também é discutível) num manuscrito da Idade Média chamado História Regum Britanniae (História dos Reis da Bretanha) escrito por Geoffrey de Monmuth (cerca de 1100-cerca de 1155), um clérigo e professor de Oxford. Entretanto, a primeira vez que Arthur foi ligado a fatos concretos ocorreu no século VIII com os escritos de um bretão chamado Nennius, que o descreveu como um comandante militar na batalha de Badon Hill.
Retratos
O que se percebe é que qualquer manuscrito ou livro que cita Arthur é fruto de narrativas passadas de geração a geração por ingleses, irlandeses, galeses e franceses, e na maioria dos textos a magia é inserida, o que tira desse grande rei sua credibilidade. Entretanto, nenhuma figura histórica contemporânea como Júlio César ou Alexandre, o Grande tiveram apoio do Mago Merlin para resolver suas questões políticas e militares. Lembremos, ainda, que tanto César quanto Alexandre eram reis pagãos e que Arthur vivia entre os dois extremos.
Tudo estaria realmente fundamentado na história não fossem alguns fatos considerados mágicos dentro da história desse grande rei. Sua concepção, por exemplo, deve-se a uma trama do mago Merlin para unir Uther Pendragon e a duquesa da Cornualha Igraine. A união fortaleceria os laços de sangue do povo antigo e manteria os celtas no poder. Sabemos que infidelidade conjugal sempre existiu, mas quando é tramada por um mago em favor da concepção de um rei que será o defensor de uma ilha, as coisas perdem realmente o senso de realidade.
Afirma-se que Arthur viveu no século IV, mas não existe nenhuma documentação que comprove tal feito. Seguindo essa linha, ele teria se tornado rei aos 15 anos de idade. Numa versão, que depois foi romanceada pelos livros da escritora norte-americana Marion Zimmer Bradley, teria recebido a espada Excalibur e jurado trazer paz, defender os indefesos e Avalon. Um rei justo como cabe a qualquer herói e com a responsabilidade de devolver para a Bretanha sua dignidade.
Arthur seguiu seu caminho de vitórias derrotando e expulsando os saxões de seu reino. Conquistou grande parte da Europa e estabeleceu sua corte, onde se reunia com seus cavaleiros na célebre Távola Redonda, uma mesa de madeira.
Conviver com mitos é o que podemos chamar de contagioso. A imaginação voa, os cavaleiros ganham forma e suas lendas se tornam tão reais quanto eles, pois a palavra torna-se estranhamente imortal quando muito propagada.
Vários escritores e pesquisadores falaram do homem além do mito, mas nenhum deles resistiu ao lado mágico da história. O pesquisador e professor britânico Bernard Cornwell escreveu a suposta história real de Arthur na Grã-Bretanha. Nela, o rei é filho bastardo de Uther e a magia era feita por um druida chamado Merlin. E esse, como todos os demais relatos, também é fruto de outras versões propagadas por celtas britânicos e anglo-saxões.
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