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HISTÓRIA NATURAL | Paleontologia
Os avós de Dino
A identificação de um novo sítio fossilífero no Rio Grande do Sul reabre o debate sobre a importância da Paleontologia para o conhecimento da vida primitiva na Terra

Da Redação

www.portalsaofrancisco.com.br

O achado, no fim do ano passado, do fóssil de um tecodonte (arcossauro basal rauissúquio), no interior de um envólucro natural do subsolo gaúcho, pode não impressionar pela idade, 238 milhões de anos – Período Triássico Médio –, mas é valioso para ilustrar a origem e evolução dos crocodilos modernos. Os paleontólogos Sérgio Furtado Cabreira e Lucio Ribeiro da Silva, ambos da Universidade Luterana do Brasil, acharam, na verdade, não um, mas dois fósseis – possivelmente o predador e sua presa

O fóssil do tecodonte, de aproximadamente três metros de comprimento, tem o esqueleto todo articulado, quase completo, faltando apenas o crânio. Podem ser vistas as cinturas escapulares, membros anteriores (úmero, ulna e rádio, e a pata anterior), cintura pélvica e membros posteriores (fêmur, tíbia, fíbula e a pata esquerda) que estão totalmente expostos. Numa das patas traseiras é possível, inclusive, avistar uma das garras. O “gradeado” das costelas está articulado com as vértebras, e a cauda presa ao restante do esqueleto. Este tecodonte era um quadrúpede carnívoro e leve, de mobilidade muito maior que a do prestosuchus coletado pelos palentólogos da própria ULBRA em maio de 2010.

Fotos: Gabriel de Mello/Ulbra

Um fóssil de dicinodonte foi encontrado há apenas seis metros de distância do tecodonte. O Dicinodonte era um herbívoro comum no Triássico Médio, e uma das presas favoritas de predadores do porte do tecodonte. A hipótese mais provável é que os dois animais sucumbiram em um mesmo evento climático, provavelmente uma grande seca seguida de inundação. A descoberta tem valor particular para os apreciadores da História Natural, e o segredo, aí, está no esqueleto, recuperado quase completo. Ele pode trazer inúmeras informações da anatomia e da evolução destes répteis primitivos.

Fotos: Gabriel de Mello/Ulbra

O local da descoberta ainda não havia sido descrito como fossilífero. O novo afloramento fossilífero está na região central do Rio Grande do Sul , junto a ERS 287, entre Paraíso do Sul e Cabrais.

Você já ouviu falar em Paleontologia? Se já, provavelmente ao pensar a respeito lhe vieram à mente imagens de ossadas de dinossauros. Apesar de estar presente no nosso imaginário como algo relacionado a esses grandes animais extintos, a Paleontologia é bem mais do que isso. A palavra em português surgiu da somatória de três termos gregos: palaiós (antigo) + óntos (ser) + lógos (estudo). Assim, podemos pensar na Paleontologia como a ciência que se propõe a compreender os organismos vivos que habitaram a Terra em um passado bem distante.

 

Gabriel de Mello/Ulbra

Na verdade, esse ramo do conhecimento é o resultado de uma união da Geologia com a Biologia. Sua busca por vida na superfície terrestre se estende por um intervalo extensíssimo: de cerca de 3,8 bilhões de anos atrás, época do surgimento da vida no Planeta, até aproximadamente 11 mil anos antes de nós, época em que tomavam forma os seres humanos modernos.

Para estudar essas eras tão distantes, a Paleontologia divide o passado de acordo com os grandes eventos geológicos. As classificações mais usadas para a orientação dessa ciência são as eras e os períodos, localizados na chamada escala geológica de tempo. As pesquisas em Paleontologia são baseadas principalmente no estudo dos fósseis. Mas, diferentemente do que muita gente pensa, esses fósseis não são exatamente ossos que permaneceram intactos durante milhões e milhões de anos. Se pegarmos, por exemplo, a era Mesozóica (entre 251 milhões e 65 milhões de anos atrás), as ossadas dos répteis, que dominaram a Terra naquela época, já sumiram há muito tempo.

Mas então, o que são esses fósseis? Basicamente rochas com o formato das partes rígidas de organismos: ossos, carapaças, troncos e outras. O surgimento dos fósseis deriva de um processo onde a água é elemento decisivo. Uma vez no fundo de um ambiente aquático, é a água que permite que os sais minerais aos poucos preencham a parte rígida dos organismos, enquanto eles se decompõem lentamente. Por isso, um animal, mesmo não sendo aquático, precisa ter seus restos trazidos à água por uma enxurrada ou enchente logo após a sua morte

Os ossos, cheios de poros, são preenchidos pela água, que precipita dentro desses poros sais minerais, como sílica ou carbonato de cálcio. Com o passar do tempo, o osso acaba sofrendo um processo de dissolução, e o que resta é o que os paleontólogos chamam de osso substituído – um molde do que existia.

 

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