Especial | Abandono de crianças Os pequenos enjeitados A rejeição, o infanticídio e a prática do abandono de crianças recém-nascidas pelas mães já eram uma realidade social na cidade de São Paulo no período dos anos oitocentos...
Por Robson Roberto da Silva

A "roda" consistia de um cilindro de madeira oco instalado no muro do Hospital da Santa Casa com uma abertura voltada para a rua onde se depositava o recém-nascido, esse cilindro girava em torno do seu próprio eixo e ao girá-lo, a abertura dava acesso à parte de dentro do Hospital, após isso, tocava-se a sineta avisando a freira, que ia buscar a criança exposta
Por fim, os expostos ficavam aos cuidados das amas-de-leite até os 7 anos de idade, depois disso, seriam enviadas para as instituições de caridade, as meninas eram internadas no Seminário da Gloria e os meninos eram internados no Seminário de Sant'Anna, onde receberiam a adequada educação para a formação de cidadãos úteis a sociedade, outras eram adotadas por famílias criadeiras, nas quais seriam utilizadas nos serviços domésticos e nas atividades e tarefas da economia familiar.
Esse sistema de assistência a infância abandonada fundamentado na caridade e piedade cristã, onde a participação da Igreja Católica foi essencial, vigorou por todo o século 19, sendo criticado apenas nas ultimas décadas daquele século e nas primeiras décadas do século 20 pelos médicos e higienistas.
No exemplo apresentado das crianças expostas e enjeitadas em São Paulo no século 19, percebemos que a questão da infância abandonada não é nova, mas perpassava em todo processo histórico no Brasil.
Perguntarmo-nos por que o costume do abandono de crianças recém-nascidas ainda permanece em nossos diais? Porque tanto o Estado como a sociedade civil sempre foi totalmente ausente e negligente sobre essas questões sociais e ambos possuem uma enorme dívida social com as populações mais empobrecidas, principalmente com as crianças abandonadas.
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A roda |
Ilustração do abandono de uma criança na Roda dos Expostos, séc. 19 |
Saiba +
ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. Tradução de Dora Flaskman. Rio de Janeiro: Editora LTC, 1981.
FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. São Paulo: Global, 2003.
MARCÍLIO, Maria Luíza. História social da criança abandonada. São Paulo: Hucitec, 1998.
PRIORE, Mary Del (org.). História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 1999.
VENÂNCIO, Renato Pinto. Famílias abandonadas: assistência à criança de camadas populares no Rio de Janeiro e em Salvador. Campinas: Papirus, 1999. |
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