O trabalho dignificou o homem Tebas o escravo arquiteto do século 18 O talento de construtor transformou o escravo Tebas em figura lendária; mas até hoje continua pouco conhecido
Por: Wagner Ribeiro
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| EM 1755, A REFORMA DA CATEDRAL FICOU PRONTA, COM A TORRE - OS PROBLEMAS TÉCNICOS FORAM RESOLVIDOS PELO, ENTÃO, ESCRAVO |
Joaquim Pinto de Oliveira, o escravo Tebas, foi responsável pela construção de obras importantes durante o século 18, como a torre da primeira Catedral da Sé, Chafariz da Misericórdia, talhou a pedra de fundação do Mosteiro São Bento, ergueu o frontispício da Igreja da Ordem Terceira Carmo, este tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), entre outras obras. Contudo, até hoje tão pouco se sabia a respeito da vida dele, que o historiador Nuto Sant'Anna chegou a levantar a hipótese de que ele fosse branco e o habilidoso escravo Tebas não passasse de lenda. Mas, Leituras da História encontrou documentos inéditos que comprovam a existência desse escravo arquiteto.
Para Benedito Lima de Toledo, professor emérito da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, a notoriedade conquistada por Tebas está relacionada ao período em que ele viveu. No início do século 18, São Paulo era uma pequena cidade episcopal sem recursos financeiros, cujas escassas obras arquitônicas estavam em ruínas. Mas esse quadro começou a mudar a partir de 1840. Algumas das antigas igrejas e conventos foram totalmente reconstruídas e outras passaram por grandes reformas - tanto internas quanto externas. "Depois de primeira metade do século 18, tudo mudou e esse se tornou o tempo em que mais se construiu durante todo o período colonial", comenta Toledo. "E Tebas foi um escravo que conseguiu representar a forte religiosidade dessa época por meio de suas construções", acrescenta.
A outra face da notoriedade de Tebas são as histórias repassadas oralmente pelo povo, com o acréscimo de elementos dramáticos, e que acabaram se tornando falsas verdades. Vários textos encontrados tanto na Internet quanto em livros, relatam que, em 1750, Tebas pertencia ao padre responsável pela primeira Catedral da Sé. Um dia ele perguntou ao senhor por que não tinha torre na igreja. O eclesiástico respondeu não haver engenheiro capaz de construí-la, Tebas disse que executaria a obra sob as condições de receber a carta alforria e que o primeiro casamento realizado na catedral fosse o dele.
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| CIDADE DE SÃO PAULO VISTA DA VÁRZEA DO CARMO, EM 1809 |
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