A viagem do símbolo Desde de seu surgimento, humanidade se desdobrou em algumas representações universais. Saiba como elas nos influenciam e vivem até hoje
POR LETÍCIA DE ALMEIDA ALVES

Depois das primeiras ferramentas, mas antes da palavra, o símbolo surgiu nas paredes das cavernas como marca instintiva do homem que tentava compreender o mundo. Antes da compreensão, as imagens primordiais presentes no inconsciente coletivo dos homo-sapiens viravam formas miméticas ou abstratas. Se o símbolo surge inconscientemente com a humanidade ou é transferido conscientemente em uma tentativa de comunicação ou significação, não há nem em um nem outro tanta certeza. Porque o simbolismo não pode ser algo simplista ou absoluto.

O que podemos afirmar é que os símbolos são a base da capacidade de comunicação e criatividade do homem. Conhecer o significado dos símbolos e sua leitura é adentrar na História. A mitologia, a arte e a literatura estão povoadas de símbolos e sinais. A Psicologia e a Sociologia utilizam-nos, afinal eles afloram constantemente no inconsciente coletivo e individual, no complexo mundo dos sonhos ou nas muitas facetas do comportamento humano.
CRIADOR E CRIATURA
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| Comunicação primitiva era principalmente pictórica e possivelmente ritualística. Logo acima, mão em negativo encontrada na gruta de Pech Merle, nas França. Na foto maior, além da mão, vê-se desenhos de humanos e animais na caverna de las Manos, na Argentina |
A pesquisadora e historiadora Helena Gerenstadt, autora de Avalon e o Graal, e outros mistérios arturianos (Ed. Madras), iniciou seus estudos sobre religião e simbologia em Israel e na Espanha, onde viveu por muitos anos. Ela nos conta que a evidência de uma espécie de homosapiens, datada entre 120 a 60 mil anos atrás, foi encontrada nas cavernas de Klaiser River Mouth, África do Sul. E, com o antepassado, provas de que este utilizava a cor vermelha, provavelmente para pintar os primeiros sinais que sua mente criava ou para fazer pequenos traços e esboços de forma instintiva ou casual.
“No início do Paleolítico Superior, o homem viveu um período no qual conheceu o frio, há 35 mil anos, e que terminou há cerca de 10 mil. Se quisermos encontrar os primeiros símbolos desenhados ou gravados pelo homem devemos voltar a este tempo. Em um passado onde o homem encontrava refúgio nas cavernas, muitas vezes consideradas um lugar mágico e misterioso, lá os primeiros artistas desenharam figuras geométricas, como pontos, curvas, espirais, retângulos, e muitos outros elementos que fazem parte da arte primitiva”, diz Helena.
Mais precisamente, “no período de 22 a 18 mil anos atrás surgem as primeiras pinturas nas cavernas, mas é entre 18 a 11 mil anos que vemos realmente as pinturas rupestres, com animais e figuras humanas. No Período Neolítico o homem experimentou a explosão de signos, símbolos e imagens. As interpretações são muito discrepantes mas os símbolos representados podem ser considerados reflexos dos esboços mentais primitivos carregados de afetividade e dinamismo”, conclui.
IMPÉRIO DO SENSÍVEL
Isso quer dizer, o surgimento do símbolo está vinculado às forças básicas do humano, ao mundo arquetipal (veja quadro). Ele está estreitamente ligado à alma primitiva, para a qual o homem é parte integrante do cosmo. Estes primeiros hominídeos, sem senso histórico ou espírito crítico, viviam em sociedades onde não existiam diferenciações marcantes entre os indivíduos.
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