Para ficar na história Brasil vive boom de patentes tecnológicas e tem no anonimato importantes tecnologias que inventou ou adaptou. Conheça algumas delas
POR JUSSARA GOYANO (COLABOROU ANDERSON FERNANDES)
A criatividade brasileira não estaria só no jeitinho que se dá para viver por aqui. O Brasil, mesmo sem vocação científica ou tecnológica (assim o é, diz a História), vê surgir de cidadãos tão inventivos quanto Santos Dumont um sem número de engenhocas e tecnologias. Muitas delas foram pioneiras e necessárias no desenvolvimento de áreas diversas, da Medicina à telefonia, tornando-se quase tão importantes quanto o avião. Esses feitos e seus autores aparecem reunidos na Internet, em uma seleção realizada pelo engenheiro Antonio Abrantes, examinador de patentes do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Constam como invenções, no site Inventa Brasil (http://www.inova.unicamp. br/inventabrasil), adaptações a mecanismos conhecidos e pesquisas de impacto, registrados pelo instituto ou não. A ver, porém, que se tratam de adaptações extremamente relevantes, exibidas junto a produções originais e genuinamente nacionais. Segundo dados alocados no endereço, estaríamos vivendo um boom de patentes registradas no País (veja gráfico na página 44), mesmo sob a competitividade global das idéias - o “inventar” cede às pressões de urgências da humanidade (como sempre), para reverenciar, por fim e mais intensamente, às leis capitalistas de um mundo globalizado.
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| O brasileiro Santos Dumont (1873 – 1932) era engenheiro de formação prática mas não acadêmica. Não patenteou nenhuma de suas invenções e entrou em estado de depressão após o uso militar dos aviões |
Enquanto Dumont deixara sua produção a quem quisesse faturar com ela, seus compatriotas vivem hoje uma realidade distante disso. Lutam pelo retorno necessário dos gastos empreendidos em pesquisa e desenvolvimento (P & D) que não são poucos, levando-se em conta, ainda, a necessidade de combater a múltipla ou indevida apropriação dos benefícios financeiros e méritos relacionados às invenções. Estabelece-se, assim, a “corrida” pelo domínio tecnológico na era da informação volátil, do conhecimento dissipado à velocidade da luz . Como o escocês Alexander Graham Bell (que por pouco não fora superado por outros europeus na patente daquilo que hoje conhecemos por telefone), ocorre que muitos inventores, envolvidos nessa mesma maratona, acabaram por “atropelar” o registro internacional ou nacional de patentes brasileiras. O número de registros, assim, apesar do boom atual, poderia ser bem maior, acredita o examinador Abrantes, do INPI. Não só pela competição decorrente de um movimento universal. Mas porque é difícil para um inventor/ pesquisador/ cientista brasileiro tanto competir quanto se estabelecer, ainda que não haja concorrência em sua área de atuação.
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| Graham Bell patenteou o telefone em 1876. No entanto, anos depois, foi descoberto que o italiano Antonio Meucci havia criado um aparelho similar, em 1849 |
Não estamos falando só do pouco incentivo à pesquisa, que alguns dados em relação a isso chegam a animar os mais pessimistas. O Brasil liderou alta do investimento mundial em P&D entre 2004 e 2006 . Antes disso, já respondia por 1,8% da produção científica mundial, como o décimosétimo país desse ranking, conforme divulgado pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), com base no relatório do Institute for Scientific Information (ISI), que analisou a publicação de artigos científicos em vários países, de 1981 a 2000. Superamos, então, a Bélgica, a Escócia e Israel, e ficamos bem próximos de países de tradição em tecnologia, como Coréia do Sul, Suíça e Holanda na produção de artigos, impulsionando a Astronomia, a biotecnologia e a Física nacionais. Mas seguimos com poucos recursos para unir universidades, boas idéias, iniciativas privadas e consumidores.

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