editora Escala
Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000    
 
Filosofia  
   
 
 
 
Envie para um amigo Imprimir

 

HIBAKUSHA
Os filhos do Átomo
Após os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki, dezenas de japoneses afetados pela radiação buscaram refúgio no Brasil. Hoje, pelo menos 135 deles ainda vivem no País, mas muitos ainda não conseguiram o direito ao auxílio médico pago pelo governo do Japão

POR RODRIGO GALLO

ILUSTRAÇÃO: DIEGO FERREIRA / FOTOS: WIKIPEDIA

O clarão atômico visto naquela manhã de 6 de agosto de 1945 cobriu o céu de Hiroshima com fuligem e poeira, e ergueu uma coluna de fumaça de 18 quilômetros de altura. Em poucos minutos, uma bomba lançada por um bombardeio B- 29 da força aérea dos Estados Unidos colocava fim à 2 Guerra Mundial, deixando milhares de mortos e inúmeras outras pessoas afetadas pela radiação. Até hoje, pelo menos 135 desses sobreviventes vivem no Brasil - muitos conseguiram tratamento médico adequado só nos últimos dez anos.

Os japoneses que sobreviveram aos ataques atômicos a Hiroshima e Nagasaki são conhecidos como hibakushas. Muitos desenvolveram tumores e doenças gravíssimas, como câncer, e outros tiveram filhos com problemas de saúde em decorrência da radiação da Bomba-A. Mas não perdem a esperança e, quando possível, ajudam-se para minimizar o sofrimento causado pela radioatividade.

Os hibakushas que continuaram morando no Japão após os bombardeios conseguiram ajuda financeira mensal e tratamento médico gratuito concedido pelo governo do país. Já aqueles que decidiram continuar a vida em outros países sofreram por muito tempo, pois não tinham acesso aos recursos japoneses.

Junko Watanabe, 65, tinha apenas 2 anos na data do bombardeio de Hiroshima mas se lembra da forte chuva negra radioativa

O NOVO CONTINENTE
No Brasil, os sobreviventes não tinham auxílio sequer para comprar os medicamentos e realizar os exames periódicos essenciais. A situação começou a mudar apenas a partir de 1984, quando foi criada a Associação das Vítimas da Bomba Atômica no Brasil, com o objetivo de lutar pelos direitos dos hibakushas e, com isso, garantir o direito a tratamento médico aos imigrantes afetados pelas bombas de Nagasaki e Hiroshima. Na ocasião, eram apenas 17 associados; hoje, são 135.

Os hibakushas que decidiram viver em outros países não tinham acesso aos recursos japoneses

O reconhecimento do direito ao auxílio demorou a se estabelecer. Os primeiros processos favoráveis às "vítimas do átomo" foram liberados apenas em 2004, quando alguns hibakushas no Brasil passaram a receber ajuda em dinheiro do governo do Japão.

O problema é que a Lei de Suporte às Vítimas da Bomba Atômica, datada de 1957 e modificada por um decreto em 1974, restringia os benefícios financeiros e médicos aos hibakushas que continuavam morando no Japão. Quem passasse a residir no exterior perderia o direito ao dinheiro. O texto foi modificado apenas em 2002, quando o governo japonês expandiu os direitos aos japoneses residentes fora do Japão. Só há poucos anos os japoneses residentes no Brasil passaram a usufruir desses direitos.

Hoje, de acordo com o governo japonês, há 3,5 mil hibakushas cadastrados no Ministério da Saúde - eles receberam uma caderneta mediante a qual obtêm tratamento médico gratuito em qualquer parte do Japão, com direito a consultas, exames e, se for o caso, cirurgias. Entretanto, as vítimas são obrigadas a ir até seu país de origem para fazer jus a este benefício, pois não há hospitais e clínicas cadastrados no Brasil.

Segundo a Associação das Vítimas da Bomba Atômica, apenas dois terços dos 135 hibakushas que vivem em território nacional recebem a ajuda financeira. O restante, por morar em regiões mais afastadas, tem dificuldade para viajar a São Paulo e se submeter aos exames. Para conseguir o dinheiro e a carteirinha, é preciso passar por uma avaliação. "Há dois anos, os hospitais Santa Cruz e o Nipo-Brasileiro, ambos em São Paulo, passaram a realizá-la. A vítima da radiação deve preencher um formulário, escrito em inglês ou japonês, e solicitar o benefício", explica a historiadora Yasuko Morita, filha de um casal de hibakushas.

PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | Próxima >>

 

 

 

Assinaturas
 
Assine as publicações do núcleo Ciência & Vida.
Matérias, novidades acadêmicas, reportagens e muito mais.
Filosofia História historia Psique
 
Edição nº23
SUMÁRIO DA EDIÇÃO
MATÉRIA DE CAPA
REPORTAGENS
TESTEMUNHA OCULAR
EDIÇÕES ANTERIORES
EXPEDIENTE
FILOSOFIA
LEITURAS DA HISTÓRIA
PSIQUE
SOCIOLOGIA
AGENDA
ARTIGOS
 
Busca
Buscar
 
 
Newsletter
Cadastre-se e fique atualizado diariamente com nosso conteúdo.
  OK
 
 
Institucional
Publicidade
Adicionar Favorito
Links Úteis
 
 
Legenda
O acesso ao conteúdo do portal Ciência&Vida é identificado por cards.
Assinante
Cadastrado


 
Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000