A face da justiça

Da Redação | Foto: Harold M. Roberts

 

Em julho de 1944, após as forças soviéticas chegarem ao campo de trabalho forçado de Majdanek, próximo a Lublin, na Polônia, apesar de os alemães terem tentado esconder as evidências do extermínio em massa, tanto evacuando os prisioneiros por meio das longas marchas para a morte quanto demolindo algumas das estruturas do mal, como a empreitada continuou com a ajuda daqueles que lutavam contra os nazistas, o mundo assombrado acabou por conhecer as inimagináveis condições dos presos.

 
Na maioria dos campos, principalmente de extermínios, além de pilhas de corpos que não haviam sido enterradas, havia uma baixíssima percentagem de sobreviventes, que mais pareciam esqueletos ambulantes. Entre eles, embora todos sonhassem em retomar suas próprias vidas, poucos o fizeram. Mas graças a um lampejo de força coletiva, alguns apontaram, atacaram e até mataram seus próprios algozes como forma de revide por tanto sofrimento.

 
Em meio a esse contexto dramático, em 14 de abril de 1945, o fotógrafo Harold M. Roberts captou a Imagem para a História com a qual eternizou uma cena redentora: um prisioneiro soviético não identificado, mas com ar atônito, ao ser liberado pela 3ª Divisão Blindada do Primeiro Exército dos Estados Unidos do campo de trabalho forçado de Buchenwald, na Turíngia, Alemanha, teve o privilégio de identificar, diante dos aliados, um ex-guarda que espancava brutalmente todos os detentos locais. Se antes violento, no momento da foto, o nazista só conseguiu apresentar uma expressão perplexa, com um misto de medo e indignação, pois a partir dali, sabia que seu destino também oscilaria entre a vida e a morte, tal como o dos homens que molestara com suas próprias mãos.

 

 

Adaptado do texto “Algoz acuado”

Revista Leituras da História Ed. 94