A história de Nelson Mandela

Por Rose Mercatelli | Foto: AFP | Adaptação web Caroline Svitras

 

Há vezes, em que alguém arrisca, de fato, tudo em alguma coisa para o bem de outras pessoas, quando descobre e defende uma verdade. O mundo costuma ser hostil nesses casos – e o foi com Nelson Mandela. É fato que ele merecia toda a reverência e todo respeito possível depois do imensurável sacrifício que fez por sua nação – e pelo mundo – em sua incansável luta pela liberdade na África do Sul. Mas, de maneira inesperadamente singular, nem a família nem seus próprios correligionários políticos parecem dispostos a conceder ao herói da luta antiapartheid o merecido descanso depois de mais de 70 anos de luta contra um dos regimes mais cruéis do mundo contemporâneo.

 

O povo sul-africano assiste, estarrecido, à luta que se desenrola nos bastidores entre filhos, netos e parentes distantes pela divisão de seu patrimônio. Também brigam por definir onde será enterrado e o que farão do uso político de sua imagem. Prestes a completar 95 anos e internado por conta de uma infecção pulmonar desde o dia 8 de junho de 2013 no Medi-Clinic Heart Hospital, em Pretória, Mandela permanece em estado de coma enquanto uma multidão, do lado de fora do hospital e nos jardins de sua casa em Johannesburgo, aguarda por informações, presta homenagens ao seu idolatrado Madiba (o Conciliador) com orações e uma profusão de flores e mensagens.

 

Ambulância quebrada…

Desde o momento em que foi transferido ao hospital, o destino parece conspirar contra Mandela. Primeiro foi a ambulância que quebrou na entrada entre Johannesburgo e Pretória, distantes uma da outra em 50 quilômetros. O veículo ficou parado quase uma hora em um frio de 6 graus. Nelson, já padecendo de graves distúrbios respiratórios, teve uma parada cardíaca, mas foi prontamente ressuscitado pela equipe médica. Ao seu lado, sua esposa Graça Machel entrava em desespero.

 

Nesta imagem retirada de um vídeo divulgado pelo ANC, em 29 de abril de 2013, o presidente Sul-Africano Jacob Zuma (centro-esquerda) sorri ao lado de Nelson Mandela (apático e sem a vitalidade habitual) com alguns membros da família e da equipe médica | Foto: AP Photo/SABC TV/ÁFRICA DO SUL OUT (Associated Press)

 

Depois, uma série de notícias trouxe à tona as desavenças da família Mandela na disputa de seu patrimônio avaliado em 15 milhões de dólares. O enredo teve de tudo, de sequestro de restos mortais, alteração de documentos assinados pelo próprio Madiba, ações judiciais e até disputas de poder entre os chefes de sua própria tribo, os tembus.

 

Ele tinha certeza que seu patrimônio seria motivo de disputa entre suas filhas e netos. Antecipando a discórdia, entre 2003 e 2005, com ajuda de seus advogados, Mandela criou vários fundos de investimentos para gerenciar sua fortuna e também assinou um documento nomeando curadores independentes para administrar a herança. Entretanto, sem o conhecimento do pai, duas de suas filhas, Makaziwe Mandela e Zenani Dlamini, secretamente, adulteraram o documento com a ajuda de um advogado.

 

Desde o início de 2013, Zenani é a embaixadora sul-africana na Argentina e também representa seu país no Paraguai. É a primeira filha do ex-presidente e de sua segunda esposa, Winnie Mandela, e foi casada com o príncipe Thumbumuzi Dlamini, de Suazilândia, de quem conserva o sobrenome e o título real.

 

Mandela se casou com sua segunda mulher, Winnie, em 1957, e o casal teve dois filhos juntos | Foto: AFP/Getty Images

 

Já Makaziwe, filha de Mandela com sua primeira mulher Evelyn Mase, falecida, é mais conhecida por brigar com a imprensa internacional, chamando os jornalistas de “abutres”. Logo, ela, em abril de 2013, com sua meia-irmã Zenani, entrou na Justiça para retirar do conselho de dois fundos de investimentos o amigo e advogado George Bizos, que defendeu seu pai em seu julgamento nos anos 60.

Sequestro dos restos mortais

No dia 26 de junho, os médicos de Pretória, frente ao quadro de “estado vegetativo permanente”, ou, em outras palavras, em coma irreversível no qual se encontrava Mandela, aconselharam a família a desligar a máquina que o ajuda a respirar e o mantém artificialmente vivo. A informação consta da documentação judicial entregue ao tribunal de Mthatha (ao sul do país) que arbitra o conflito familiar sobre onde serão sepultados os restos mortais do ex-presidente sul-africano.

 

Na verdade, Mandela nunca deixou por escrito como gostaria que fosse seu funeral, mas, por várias vezes, expressou o desejo de ser sepultado na aldeia de Qunu, onde passou parte de sua infância. Ali foram enterrados três de seus descendentes, frutos de seu primeiro casamento: seu filho mais velho Thembekile, que morreu em 1969; sua filha Makaziwe, que faleceu com nove meses em 1948; e de Makgatho, falecido em 2005 em consequência de complicações provocadas pelo vírus HIV.

 

Em 1956, Mandela em trajes tradicionais| Foto: Rex

 

Porém, a história começou a tomar um rumo sinistro quando, em 2011, Mandla, de 38 anos, neto mais velho de Nelson, filho de Makgatho, à revelia de seus familiares, mandou exumar e transferir os restos mortais de seus tios e pai de Qunu para Mvezo, a aldeia natal do clã, da qual é chefe. Como a tradição xhosa – a qual pertence o ex-presidente – manda que Nelson seja sepultado junto aos seus, a vontade dele de descansar em Qunu não seria respeitada e, por tabela, Mandla poderia fazer do túmulo de seu avô um lugar de peregrinação atraindo fama e turistas para Mvezo.

 

A família prontamente se manifestou contra o arbítrio de Mandla e 16 de seus parentes entraram na justiça com uma ação, pedindo que os ossos dos filhos de Mandela voltassem à aldeia de Qunu. Graça Machel estava entre os queixosos. No dia 2 de junho, o juiz sul-africano Lusindiso Pakade, do tribunal de Mthatha, determinou que os restos mortais fossem devolvidos para a aldeia de Qunu, o que aconteceu dois dias depois da sentença. Deputado pelo Congresso Nacional Africano (CNA) desde 2009, Mandla foi levado anteriormente à justiça por não pagar pensão alimentícia à sua primeira ex-esposa.

 

Interesses políticos
Protesto: Mandela queima o passaporte, em 1960| Foto: Rex

Até Buyelekhaya Dalindyebo, rei da tribo dos tembus, quer destituir Mandla do cargo de chefe do vilarejo de Mvezo. O pedido de Dalindyebo não deverá ter efeito nenhum, na medida em que sua própria autoridade é questionada por um grupo de líderes tembu, desde que o rei foi acusado de homicídio em 2005.

 

Nem seus antigos correligionários políticos parecem estar interessados em deixá-lo em paz em seus últimos dias. O próprio presidente Jacob Zuma negou que o ex-presidente Nelson Mandela esteja em estado vegetativo, desautorizando, assim, o documento assinado pelos médicos do hospital de Pretória. Contrariando a todos, Zuma afirmou que o estado de saúde do líder político continua “crítico, mas estável”.

 

Na África do Sul, especula-se que há pressões políticas por parte do Congresso Nacional Africano (o partido de Mandela e de Jacob Zuma) para que a família só desligue a máquina depois de 18 de julho, dia do 95º aniversário do herói sul-africano. Dessa maneira, a morte de Mandela não estragaria a festa já preparada pelo CNA para o seu aniversário. A questão levantou tanta polêmica que Graça Machel tentou minimizar o constrangimento dizendo que o grande herói do apartheid não está em sofrimento.

Encrenqueiro de nascença

Além da vida e da aparência vigorosa, Mandela recebeu do pai quando nasceu seu nome do meio, Rolihlahla, que em uma tradução livre do dialeto xhosa quer dizer “encrenqueiro”. Não que seu pai tivesse o dom da premonição, nada disso. “Porém, amigos e parentes costumavam relacionar ao meu nome as muitas tempestades que provoquei e suportei. O nome inglês pelo qual sou conhecido, só recebi no meu primeiro dia de escola”, escreve Nelson Rolihlahla Mandela na abertura de sua comovente autobiografia Longo Caminho para a Liberdade, escrita em boa parte durante seu longo cativeiro de 27 anos.

 

Ele nasceu em Menzo, uma aldeia no território de Transkei, no sudeste da África do Sul, em 18 de julho de 1918. Era a área destinada à nação xhosa, povo orgulhoso de sua língua e costumes e com uma crença ferrenha na importância do respeito às leis, aos estudos e à cortesia. Seu pai, Henry Mphakanyiswa, ou Henry Mandela, chefe da tribo dos tembus (um dos grupos da nação xhosa), tinha ao todo 13 filhos das quatro esposas. Nelson era filho de sua terceira mulher.

 

Teimosia de família

A história de Henry Mandela confirma que “o encrenqueiro” teve a quem puxar. Quando Nelson ainda era um bebê, a família sofreu um grande baque por conta do temperamento de Henry. Orgulhoso e com um enorme senso de justiça, Henry não aceitou as ordens de um juiz branco (na época, a África do Sul estava sob o domínio britânico) que o interpelou por causa de uma simples vaca. Em represália pela rebeldia, Henry perdeu seu título, a fazenda, o gado e todos os rendimentos que lhe eram devidos como chefe: “ Passamos a viver em Qunu com menos luxo, mas foi lá que passei os melhores anos da minha vida”, escreve Nelson em sua autobiografia.

 

Aos 7 anos, tornou-se o primeiro membro da família a frequentar uma escola metodista na qual estudavam apenas as crianças da elite local. Mas, aos 9 anos, Rolihlahla perdeu o pai e sua vida complicou. Jongintaba, o príncipe regente dos tembus, tornou-se seu padrinho e não permitiu que ele deixasse de estudar para “não passar a vida trabalhando nas minas de ouro do homem branco, sem saber escrever o próprio nome”. Aos 16, Mandela se submeteu ao ritual de iniciação de sua tribo, ficou por um tempo recluso em uma caverna e saiu de lá com o corpo pintado de branco e achando-se pronto para iniciar sua vida adulta. Em 1938, com 20 anos, seguiu para Fort Hare, a única universidade negra do país.

O capitão de sua alma

Foi na universidade que Mandela entrou em contato pela primeira vez com membros do Congresso Nacional Africano, CNA. No segundo ano do curso de direito, ele aderiu ao movimento por melhorias na faculdade, acabou expulso e não teve alternativa a não ser voltar para casa. O rei dos tembus, Jongintaba, desgostoso com a situação, arranjou um casamento para o encrenqueiro que, inconformado com a ordem, fugiu para Joanesburgo em 1941, com seu primo e irmão adotivo Justice.

 

O jovem Mandela no escritório de advocacia de Mandela e Tambo, em Joanesburgo, 1952| Foto: American Academy of Achievement/Jurgen Schadeberg

Seu primeiro emprego como segurança de uma mina de ouro durou poucos dias, pois foi despedido assim que descobriram sua fuga do casamento arranjado. Nesse momento, Mandela descobriu que ser livre para comandar seu próprio destino seria muito mais complicado do que imaginava, até porque, para onde fosse, a intricada rede de parentesco de seu padrinho o encontrava e o delatava ao chefe.

A teimosia herdada do pai, entretanto, não deixou que ele desistisse. Saia de porta em porta à procura de ajuda com os parentes e sempre arranjava acomodação e comida. Para logo ser despejado quando descobriam suas mentiras. Sua sorte começou a virar quando foi bater na porta de certo Walter Sisulu, da mesma região de Transkei, que dirigia uma agência imobiliária. Além de comerciante de prestígio, Sisulu também era um respeitado líder comunitário e foi o primeiro a escutá-lo com atenção e a dar-lhe crédito. Ao saber que Mandela queria se formar em Direito, encaminhou-o para um amigo que o aceitou como estagiário.

 

O início da luta

Nessa época, ele morava em Alexandra, uma das favelas mais violentas da cidade. Em 1942, foi estudar direito em Witwatersrand, mas não conseguiu realizar os testes finais e ficou sem diploma, o que não o impediu de advogar. Ainda na universidade, em 1944, casou-se com uma prima de Sisulu, Evelyn Ntoko Mase, a primeira de três esposas.

 

A partir de 1944, sob influência de Sisulu, Mandela se juntou às fileiras do CNA. Mas a imobilidade do partido político, que existia desde 1912, o irritava tanto que, com Sisulu, Oliver Tambo e Govan Mbeki, fundou a Liga dos Jovens do CNA.

 

Apoiadores do CNA incentivam Mandela, confinado em um veículo que o transportava até o Tribunal de Joanesburgo, em 28 de dezembro de 1956

 

Em 1948, o regime racista levou Nelson Mandela a radicalizar a militância. Nos anos seguintes, liderou várias campanhas de desobediência civil, o que ajudou a transformar a resistência ao regime em um grande movimento de massas. Em 1952, com Oliver Tambo, abriu um escritório de advocacia negro bem em frente ao Palácio de Justiça de Joanesburgo, afrontando o regime racista no qual todos os juízes eram brancos. Entretanto, apesar de ser um advogado famoso, o Senhor, como também era chamado, estava proibido de se sentar onde quisesse por conta da lei do apartheid.

 

Nos anos seguintes, Mandela organizou e participou de inúmeras manifestações pacíficas contra as leis que cada vez mais oprimiam o povo negro da África do Sul e tirava-lhes a dignidade. Em 1955, participou de um grande movimento para redigir a Carta da Liberdade, que defendia um governo democrático e multirracial e que desse poder ao povo.

 

O partido comunista clandestino apoiou o movimento e isso foi o suficiente para o governo mandar prender todos os líderes oposicionistas, inclusive o Senhor, Nelson Mandela.

 

Hoogverraad!

Cento e cinquenta e duas pessoas, entre negros, oposicionistas e brancos, foram acusados de planejar um golpe contra o governo. O julgamento se arrastou por anos e a sentença só saiu em 1961. Por conta da enorme pressão feita pela imprensa internacional, todos foram considerados inocentes da acusação de alta traição.

 

Em março de 1960, em Sharpeville, uma cidade industrial próxima a Joanesburgo, eclodiram manifestações contra as leis cada vez mais racistas que resultaram em uma onda de violência, nas quais cerca de 68 pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas. A repressão ficou mais forte, o CNA foi banido e Mandela, que tinha partido para a clandestinidade, desistiu da resistência pacífica e fundou a Umkhonto we Sizwe, ou Lança da Nação, o braço armado do CNA.

 

Em 1961, Mandela faz um discurso eletrizantedesafiando o regime do apartheid e convocando uma convenção nacional para discutir uma nova constituição baseada em princípios democráticos

 

Entre 1961 e 1962, ele comandou ataques que o levariam de novo a julgamento junto a sete militantes do partido. Em 1964, foi sentenciado à prisão perpétua por terrorismo. Começaram tempos duríssimos para o encrenqueiro. A primeira cela que ocupou em Robben Island era tão pequena que ele, com 1,85m de altura, dormia sobre uma esteira, com os pés e a cabeça quase tocando as paredes. Tomou banho gelado por oito anos. Costumava sair da cela, onde permaneceu durante 18 anos, para cumprir jornadas de trabalho forçado, quebrando pedras de cal no pátio.

 

Foram 27 anos de reclusão, nos quais ele nunca se aquietou. Nas poucas visitas que recebia, aproveitava para enviar cartas aos seus companheiros de luta, incentivando-os a continuar na resistência. Durante o tempo na prisão, Mandela aproveitou para aprender a língua inglesa. Só dessa maneira, dizia aos seus companheiros, é possível entender como funciona o raciocínio de seus opressores e vencê-los de forma pacífica.

 

Enfim, a liberdade

Desde 1978, o governo branco da África do Sul começou a sofrer mais e mais pressão dos organismos americanos e europeus para acabar com o regime do apartheid e liberar os presos políticos. Um boicote econômico internacional foi organizado e o regime do presidente P.W. Botha foi colocado em xeque. Botha declarou que estava preparado para libertar Mandela desde que ele renunciasse à violência como forma de protestar contra o apartheid. Mas não houve acordo. Em fevereiro de 1985, em frente a uma multidão de manifestantes, sua filha leu sua carta de rejeição à proposta do governo: “Só homens livres podem negociar. Prisioneiros não podem firmar acordos. Não posso e não vou firmar qualquer compromisso enquanto eu e você, povo, não estivermos livres. A minha liberdade é a liberdade de meu povo e não podem ser separadas.”

 

As negociações para a liberdade de Mandela ainda se arrastariam por mais cinco anos. Em fevereiro de 1990, o então presidente Frederik de Klerk, com quem Mandela dividiria o Prêmio Nobel da Paz em 1994, reverteu o banimento do CNA e com esse ato Mandela voltou à liberdade, com 71 anos. A responsabilidade do futuro da África do Sul estava, a partir daquele momento, em suas mãos.

 

Nelson Mandela faz uma visita à sua antiga cela de prisão, em Robben Island | Foto: Rex

 

“Nosso maior medo não é sermos inadequados. Nosso maior medo é sermos poderosos além do que podemos imaginar… pensando pequeno você não ajuda o mundo. Não há nenhuma bondade em você se diminuir, recuar para que os outros não se sintam inseguros ao seu redor… Quando nos libertamos do nosso medo, nossa presença automaticamente libertará outros.”

 

Com essas palavras, Nelson Rolihlahla Mandela, o conciliador mais teimoso já nascido no continente africano, pronunciou seu discurso de posse em 10 de maio de 1994. Aos 75 anos, Mandela se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul. Seu maior objetivo foi consolidar a união de seu país dividido.

 

Mandela discursando para a multidão no estádio; ao seu lado, Winnie e Walter Sisulu, apenas dois dias depois de sua libertação | Foto: Mirrorpix

 

O líder sul-africano foi fiel aos seus compromissos de campanha e economicamente responsável, sem esbanjar os parcos recursos de seu país. Em grande parte, conseguiu mudar a imagem de um país estigmatizado no cenário internacional pela segregação e violência. Com ele, a África do Sul passou a fazer parte das agendas de mandatários importantes, tanto da Europa quanto das Américas.

 

Sem sua liderança firme e equilibrada, dizem os analistas políticos e historiadores, fatalmente o país teria acabado em uma guerra civil, até porque como escreveu Marc Ross, cientista político americano: “Os brancos ainda tinham o dinheiro e as armas e os negros queriam vingança.”

 

Adaptado do texto “O herói da liberdade”

Revista Leituras da História Ed. 63