A polêmica afixação das 95 teses

Por Rodrigo Trespach | Foto: Philipp Melanchthon/Cranach, Lucas, the Elder/Galleria degli Uffizi, Florence | Adaptação web Caroline Svitras

Melanchton (foto) foi o primeiro a mencionar o fato da afixação das teses na porta da igreja em Wittenberg e o fez no prefácio do primeiro volume das obras reunidas de Lutero, pouco depois da morte deste, em 1546. O problema é que Melanchton não estava em Wittenberg em 1517. Como ele soube, por Lutero? A história atravessou os séculos até que, em 1961, o historiador católico Erwin Iserloh, revisando todas as obras e cartas de Lutero, declarou que o autor das teses nunca mencionou tê-las afixado na porta de qualquer igreja. A pesquisa de Iserloh concluiu que a história não passava de propaganda luterana.

 

Em 2006, porém, o doutor Martin Treu, da Fundação Lutero, descobriu uma anotação escrita à mão por Georg Rörer, um dos secretários de Lutero. No final da cópia revisada do Novo Testamento, de 1540, Rörer fez a seguinte observação: “Na noite anterior do Dia de Todos os Santos, no ano de nosso Senhor 1517, teses sobre as cartas de indulgência foram pregadas nas portas das igrejas de Wittenberg pelo doutor Martin Lutero”. Assim, a afixação teria acontecido não em uma (a do castelo), mas também em outras igrejas na cidade  de Wittenberg.

 

 

Tal como Melanchton, Rörer não fora testemunha ocular. Mas nos anos seguintes ao desencadeamento da Reforma, ele tonou-se um dos funcionários mais próximo de Lutero. A cópia do Novo Testamento, em que ele fez a anotação, contém muitas entradas do próprio punho de Lutero. A informação de Rörer de que as teses foram afixadas em igrejas, no plural, confirmaria o que era regra nos estatutos das universidades: todos os anúncios que visavam debates acadêmicos tinham de ser pregados nas portas das igrejas para que atingisse o maior número de interessados possível e não apenas um lugar em especifico. De qualquer forma, mesmo isso não sendo uma prova definitiva, embora seja a mais antiga referência ao ocorrido no dia 31 de outubro de 1517.

 

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Adaptado do texto “O legado de Lutero”