A relativa tolerância parisiense

Foto: Georges Brassai | Adaptação web Caroline Svitras

 

O lesbianismo sempre existiu e as mulheres que o praticavam se misturaram discretamente à sociedade. Algumas até chegaram a morar juntas, mas tidas como solteironas, a desculpa de economizar no aluguel era aceita pelos mais conservadores. Porém, após a 1ª Guerra Mundial, enquanto Paris ganhava maior destaque devido ao clima de relativa tolerância, que fez florescer uma variedade de prazeres noturnos, inclusive com muitas boates gays e lésbicas, elas se liberaram momentaneamente das amarras.

 

Em 1920, Lulu de Montparnasse, por exemplo, abriu o Le Monocle, a mais famosa das discotecas lésbicas da cidade. Situada na zona de Montmartre, por ela circulava vários tipos de mulheres, inclusive as que se vestiam como homem – de smoking e com cabelo curto. Até então, com trajes mais discretos, as lésbicas já eram encontradas na região, mas somente em cafés ao ar livre ou no Moulin Rouge, momentos em que ostentavam um monóculo, muitas vezes, acompanhado por um cravo branco na lapela, como uma espécie de código indicador de orientação sexual.

 

Desse estilo próprio surgiu o sugestivo nome da discoteca que, por diversas vezes, teve imagens internas captadas por Georges Brassai, pseudônimo do húngaro Gyula Halász que, apesar de ser um dos fotógrafos preferidos da alta sociedade francesa, revelou o esplendor libertário do Le Monocle, casa que foi fechada nos anos de 1940, em virtude da ocupação nazista na França e a consequentemente perseguição aos homossexuais.

 

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