Civilização persa

Por Alan Bernetto | Foto: Rafael Sanzio/pt.wikipedia | Adaptação web Caroline Svitras

Zoroastro

Apesar de terem criado pouca coisa de original, os persas souberam aproveitar a herança de conhecimento que lhes transmitiram os povos conquistados. Na arquitetura, por exemplo, onde nos deixaram magníficas construções, os palácios assentam sobre plataformas, como na Mesopotâmia; os tetos são sustentados por colunas, como nas salas hipóstilas egípcias; as paredes se apresentam ornadas por baixos-relevos, como na Assíria; e por tijolos esmaltados, como em Babilônia. A escrita persa utilizou os caracteres cuneiformes mesopotâmicos. O grande rei Dario acolhia em sua corte sábios babilônios, médicos gregos e artífice egípcios.

 

Darius retratado no chamado vaso grego Darius em Nápoles, encontrado em 1851, em Canosa di Puglia | Foto: August Baumeister/pt.wikipedia

Dois aspectos caracterizaram a civilização persa: o religioso e o político. Com efeito, o Zoroastrismo apresentava uma elevação moral e espiritual pouco comum na Antiguidade. Quanto ao aspecto político, a obra realizada pelos persas foi totalmente original, quer no que diz respeito ao tratamento dispensado aos povos sob seu domínio, quer no que tange à organização administrativa.

Coube-lhes o mérito de aproximar as nações conquistadas. Fazendo desaparecer rivalidades e desconfianças, estimularam o intercâmbio de produtos e de ideias. Com a unificação do sistema monetário por meio do dárico (moeda mandada cunhar por Dario I), as atividades comerciais foram grandemente incrementadas. A excelente rede de estradas, algumas com mais de 2 mil quilômetros, facilitava as comunicações oficiais e o trânsito das caravanas. A justiça e a clemência dos reis persas foi fator preponderante nessa aproximação.

Se a civilização persa não nos deixou obras originais no campo da arte, da cultura e da ciência, ou se seu legado, nesse terreno, foi inferior ao dos egípcios e mesopotâmicos, podemos dizer que a ela se deve a revelação de valores éticos de profundo significado humano. E essa contribuição é inestimável.

 

O império
Até hoje o Império Aquemênida é considerado o maior de todos os impérios da história, e uma das maiores nações (Mapa do Império Aquemênida ca. 500 a.C.) | Foto: Anton Gutsunaev/pt.wikipedia

 

A expansão persa se iniciou em 549 a.C. com a manobra política que colocou Ciro no trono da Média. A união dos dois países iranianos formava, por si só, uma poderosa potência. Mas a habilidade diplomática e o talento militar dos soberanos aquemênidas transformariam a Pérsia no centro do maior império até então constituído. Semitas, hititas, gregos e egípcios foram, durante muitos anos, vassalos da aristocracia persa.

 

A base da organização política do Estado era a satrapia (província), cujo governador se mantinha em permanente contato com o rei, recebendo ordens e enviando relatórios sobre a situação local. As comunicações eram rápidas e eficientes, graças às ótimas estradas, que interligavam os principais pontos do império, e a um perfeito serviço de correio a cavalo.

 

Dárico (moeda cunhada por Dario)

Apesar de nunca terem descurado o exercício de sua autoridade, os soberanos persas asseguraram uma larga margem de autodeterminação, em assuntos internos, aos povos conquistados, permitindo que falassem as próprias línguas, cultuassem os próprios deuses e desenvolvessem em paz suas atividades econômicas. A cunhagem de uma moeda única para todo o império, como foi dito, foi fator importante para impulsionar as atividades comerciais. Caravanas partiam da Babilônia, da Ásia Menor e da Média, ligando regiões distantes por meio de um ativo intercâmbio de mercadorias, facilitado pela inexistência de fronteiras e pela paz reinante.

 

 

 

Xerxes, filho de Salamida, foi um Shahanshah Persa (imperador) do Império Aquemênida | Foto: Guillaume Rouille/pt.wikipedia

O rei, de tão vasto e poderoso império, era, como todos os soberanos orientais que o haviam precedido, um rei absolutista. Governava em nome de deus e vivia em meio à extrema pompa e aparato. Quem quer que dele se aproximasse, devia fazê-lo ajoelhando-se. Mas a nobreza desempenhava relevante papel nos negócios da Corte e muitas das decisões reais levavam em conta a opinião dos membros da aristocracia.

 

A fase de maior vitalidade do Império Persa foi a de sua formação e organização (549-485 a.C.) sob os governos de Ciro, Cambises e Dario. Esse último lhe deu fronteiras definitivas e uma estrutura altamente eficiente. A expansão persa foi freada pelo conflito com os gregos, iniciado ao tempo de Dario (490 a.C.) e concluído com as derrotas de Salamina (480 a.C.) impostas pelos helenos a seu filho e sucessor: Xerxes.

 

A Pérsia renunciou a novas conquistas, permanecendo como maior potência asiática até a invasão macedônica em 331 a.C.

 

Revista Leituras da História Ed. 72