Com vocês, Simone de Beauvoir

Da Redação | Foto: Cretaive Commons | Adaptação web Caroline Svitras

Em pleno século 21, enquanto alguns ainda tentam impor o estereótipo de “a bela, recatada e do lar”, a Imagem para a História desta edição celebra a figura de Simone de Beauvoir (em foto de autor desconhecido). Nascida em 9 de janeiro de 1908, em uma família da chamada crème de la crème da sociedade francesa, ninguém imaginava que a menina mimada ia escapar do destino da maioria das moças de sua época, que seguia aos mitos da educação católica que visavam apenas formar boas e respeitáveis esposas.

 

Graças à aversão que sentia pelo padrão social vigente, aos 14 anos, anunciou sua descrença em Deus e, um ano depois, decidiu que ia se tornar escritora. Para tanto, cursou filosofia em Sorbonne, graduou-se em 1929, fugiu do casamento, viveu sua bissexualidade e renunciou à maternidade. Mas amou e foi amada por Jean Paul Sartre, o Pai do Existencialismo ateu, com quem compartilhou ideias e vivenciou um relacionamento aberto até a morte dele em 1980.

 

Na maioria de suas obras, escreveu sobre si mesma, a fim de se compreender diante dos fortes antagonismos da sua época. Entre suas frases, talvez a mais famosa seja “não se nasce mulher, torna- se mulher”, cunhada em O segundo sexo, livro que mudou o pensamento ocidental e contribui tanto para a libertação das mulheres quanto dos homens.

 

Como Beauvoir também acreditava que tudo se constrói, inclusive a felicidade e a identidade pessoal, sempre deixou explícito que a responsabilidade de moldar o próprio destino, era uma obrigação individual. Finalmente, quando elevou a feminilidade à categoria de algo fabricado, ganhou a imortalidade que, até hoje, acena com a emancipação, bem como com os riscos decorrentes de tal condição.

 

Adaptado do texto “Não ao destino abjeto”

Revista Leituras da História Ed. 95