Conheça a história das misteriosas Linhas de Nazca

Tidas pela Unesco como Patrimônio Mundial desde 1994, as linhas de Nazca sempre impulsionaram pesquisas entre especialistas, enquanto estimulavam leigos a criar todos os tipos de teoria

Por Morgana Gomes | Foto: Ocex Beijing | Adaptação web Caroline Svitras

A primeira referência é de 1547, feita por Pedro Cieza de Leon, conquistador e historiador espanhol que registrou que havia visto “sinais em algumas partes do deserto que circula Nazca… para que as comunidades possam encontrar o caminho que devem seguir”, argumento que, em 1568, fez o prefeito das províncias de Rucanas e Soras, Luis de Monzón, definir o achado como estradas traçadas por indígenas no passado. No entanto, os velhos geoglifos só foram redescobertos e apresentados ao mundo moderno no final da década de 1930, período em que as primeiras pessoas começaram a sobrevoar o deserto, avistaram as linhas e ficaram intrigadas com os enormes desenhos, que representam em perfeita simetria centenas de figuras, que variam em complexidade e abrangem desde simples linhas até animais estilizados que, por sua vez, ocupam uma área de 500 km2.

 

Todas as imagens, sejam elas antropomorfas, zoomorfas ou fitomorfas, que aparecem associadas às linhas retas de vários quilômetros de comprimento e às formas geométricas, foram traçadas no alto planalto árido que se estende por mais de 80 km entre as cidades de Nazca e Palpa, ambas nos Pampas de Jumana, ao sul do Peru. Entre as maiores figuras destacam-se o macaco de rabo formado por uma espiral incrivelmente regular com 90 metros; o lagarto com 188 metros; o pelicano e o condor com 135 metros cada um e que, aparentemente, foram traçados em uma única linha contínua que conserva uma notável proporção e simetria se comparada aos desenhos retos; a aranha de 46 metros; o peixe de 25 metros; e o colibri de 50 metros, cujo bico muitos acreditam que termina em um grupo de linhas que assinalam o solstício de 21 de dezembro (como é possível observar na imagem de abertura).

 

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Mas, além das figuras traçadas no plano, ainda há alguns desenhos de humanos estilizados nas encostas, porém eles são menos definidos, talvez pela rolagem das pedras dos próprios contornos que, durante o movimento que fizeram, apagaram alguns detalhes. Entre essas figuras, supostamente, algumas estão coroadas por três ou quatro linhas verticais, que representam penas de um cocar cerimonial.

 

Investigações científicas

Documentos atestam que as linhas foram reencontradas em 1926 pelo peruano Toribio Mejía Xesspe, um jovem arqueólogo que, em 1932, uniu-se a Julio César Tello, outro arqueólogo também peruano, para realizar a primeira pesquisa científica sobre os geoglifos, momento em que deduziram que eles eram simples caminhos. Passado dez anos, o historiador americano John Rowe alegou que eram centros de culto, crença que persistiu até sua morte em 1969. A partir de então, seu discípulo, o matemático Max Uhle que, por 60 anos, estudou as linhas, avançou a hipótese de que os desenhos poderiam representar um gigantesco calendário.

 

Em paralelo, contando com fotografias aéreas do Exército dos Estados Unidos e do Serviço Aerofotográfico de Nazca, o antropólogo norte-americano Paul Kosok também passou a investigar os geoglifos, até que, em 1941, confirmou a tese de Uhle, ao afirmar que as linhas formavam uma espécie de calendário astronômico, cuja idade determinada pela técnica de carbono 14 beirava 550 anos d.C. Pouco depois, ao regressar ao seu país em 1949, confiou sua pesquisa à matemática alemã Maria Reiche, pioneira em mapear os desenhos da região artesanalmente com uma fita métrica, um sextante e uma bússola. A partir daí, ela dedicou o restante de sua vida ao estudo e à conservação dos geoglifos, defendendo, inclusive, que eles apontavam tanto para o sol quanto para os corpos celestes no horizonte distante.

 

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Durante os anos de investigação que empreendeu, ela também disse que os contornos das figuras foram obtidos por meio de cordas esticadas entre estacas de madeira, momento em que explicou que os maiores e mais complexos padrões eram desenhados em escala menor para, então, serem reproduzidos no tamanho desejado, hipótese confirmada na década de 1980, pelo pesquisador Joe Nickell, da Universidade de Kentucky que, junto a uma pequena equipe, usando ferramentas e tecnologias disponíveis para o povo de Nazca, conseguiu reproduzir facilmente os desenhos.

 

De qualquer forma, na maior parte da década de 1960, as Linhas de Nazca ficaram restritas somente aos estudiosos. Contudo, em 1968, elas começaram a ganhar popularidade, devido ao escritor suíço Erich von Däniken que publicou o livro Memórias do Futuro, no qual afirma tanto que o homem antigo contatava extraterrestres quanto que os geoglifos eram pontos de desembarque de naves alienígenas. Ao mesmo tempo, para mistificar ainda mais as linhas, Däniken enfatizou que os desenhos só podiam ser vistos das alturas, o que não é verdade. Apesar de ser mais cômodo sobrevoar o deserto para se obter um panorama mais completo dos geoglifos, eles também podem ser observados a partir das colinas próximas ou de elevações naturais ou artificiais que se espalham pelo local.

 

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Adaptado do texto “Geoglifos misteriosos”