Conheça a história do surf

Considerado parte intrínseca da cultura jovem moderna, o surf sempre teve sua imagem vinculada ao modo de vida alternativo relacionado com a liberdade e a busca de sensações emocionantes e de novas experiências da juventude. O que muitos não sabem é que o esporte radical é praticado há mais de mil anos, tendo sido descoberto há mais de dois séculos, logo após o tempo das grandes navegações

Por Luiz Muricy Cardoso | Foto: Leroy Grannis | Adaptação web Caroline Svitras

 

 

Aloha! “Vamo cair que o mar tá bombando!”. A “rapeize” do surf em uma linguagem toda pró-moderna. O “Esporte dos Reis” é considerado coisa relativamente recente. No Brasil é praticado desde o início dos anos 40. Mas foi principalmente durante a década de 70 que o esporte teve sua prática alavancada e, figurando pela primeira vez numa novela da globo, O Pulo do Gato (1978), os surfistas tiveram, na figura do ator, surfista até hoje, Cadu Moliterno (interpretando o surfista Billy) a sua representação e valorização social. Foi também nos anos 50 nos EUA, com a era beatnick, movimento cultural – e principalmente musical que iria influenciar toda a juventude –que o esporte dos feras conheceu o início de sua glória. Nos anos 50 e também nos 60 com a contracultura e o movimento hippie.

 

Entretanto o que muitos talvez não saibam é que o surf é um esporte pré-histórico até, praticado há milhares de anos. Foi no ano de 1778 que o capitão James Cook, navegante inglês, deparou, nas ilhas da Polinésia e Havaí, com as tribos indígenas e suas pranchas – de madeira – sobre as quais o marinheiro viu com uma mistura de admiração e encantamento os guerreiros a deslizarem sobre as ondas enormes dos “mares do sul”. Sim, antes de ser o esporte dos lourinhos californianos e australianos, o surf já era praticado pelos índios, cuja raça, como sabemos, caracteriza até hoje o povo havaiano. A cultura surf sempre esteve associada às danças como o Hula-hula, em que os bailarinos, homens e mulheres, fazem movimentos com os quadris, braços e mãos que simulam a arrebentação das ondas para a direita e a esquerda. E também às festas chamadas Luaus, em que se come peixe e frutas da região como o coco, abacaxi e mamão regadas a bebidas típicas varando as noites estreladas da ilhas ao sul dos Estados Unidos.

 

O “Poder da flor”, o movimento hippie teve seu auge nos anos 60 | Foto: The Washington Post/Getty Images

 

Acredita-se que o surf começou a ser praticado entre os indígenas do país que hoje é o Peru. Tendo sido exportado para o Havaí por Tahíto, rei polinésio, começou uma mudança na feição do esporte. Antes praticado em canoas feitas de junco, começou-se a esculpir as tábuas em madeira.

 

O surf era originalmente praticado apenas pelos homens. Os antigos havaianos surfavam em pranchas feitas de madeira endurecidas no fogo. O próprio surfista fabricava sua prancha. Os antigos praticavam o esporte como um ritual de adoração ao espírito do mar. O surf começou a ganhar notoriedade a partir de 1912. Foi quando o campeão olímpico de natação Duke Paoa Kahanamoku declarou, durante os jogos de Estocolmo, que treinava a modalidade cavalgando de prancha sobre as ondas do Havaí. Duke então começou a difundir sua prática fazendo demonstrações na Califórnia e por todo o mundo, na França, na Austrália, na América do Sul, na África. Em torno de 1940 o surf começou a se popularizar nos EUA principalmente no sul da Califórnia.

 

Ícones do movimento Beatnik, da esquerda para direita, Michael McClure, Bob Dylan e Allen Ginsberg | Foto: Dale Smith

 

As pranchas e os points

Desde sua descoberta, o esporte tem evoluído muito. Das pranchas, que eram de madeira até o começo do século 20 até os materiais atuais, muita coisa mudou. Veio o poliuretano, uma espuma plástica muito leve que, moldada em forma alongada, possuía – como até hoje – uma longarina de madeira no centro que empresta resistência à prancha. Para a fabricação do artefato cobre-se a placa de poliuretano shapeada (formatada com lixas) com uma camada de tecido de fibra de vidro, recobrindo- se tudo, então, com resina poliéster cujo endurecimento é apressado com a adição de um catalizador.

 

Após a secagem, passa-se lixa grossa e fina e finalmente uma cera para alisar a superfície. Não sem antes fixarem-se as quilhas. Uma evolução recente deu-se com a introdução do isopor e da resina epóxi para substituir o poliuretano e o poliéster. Com isso, as pranchas, que pesavam apenas cerca de 4 ou 5 kg, passaram a ser ainda mais leves. Isso é, as chamadas “pranchinhas” (shortboards), porque há também os pranchões e as longboards, pranchas maiores do que aquelas que medem cerca de 6 pés e 3 polegadas (1,90 m mais ou menos). Um pranchão pode ter mais de 2,80 m e, naturalmente, é mais pesado.

 

Prancha de madeira | Foto: Townend

 

Há também as longuíssimas paddleboards, uma das últimas novidades. Muito grandes e volumosas, nelas o surfista não rema deitado e com as mãos, mas com um remo de madeira e em pé. As pranchas, que antigamente só tinham uma quilha, passaram a ter duas, três, quatro e até cinco quilhas. Com isso ficaram mais “soltas”, mais versáteis e velozes, permitindo manobras de maior habilidade. Assim, também no que se refere às manobras, houve enorme evolução. Antigamente as manobras se limitavam ao tubo, às batidas (em que o surfista joga a prancha contra a crista e a traz de volta agressivamente), os cutbacks, em que a prancha desenha um “S” na onda, os snapbacks, combinação das duas e os hang tens e hang fives, em que o praticante põe um ou os dois pés no bico da prancha num equilíbrio precário. Depois vieram os 360’s e aéreos ou a combinação dos dois, os 360’s aéreos, em que o surfista roda no ar com a prancha em torno do próprio eixo – atualmente o americano Jamie O’brien, que é verdadeiro acrobata, faz estripulias na prancha que deixam até surfistas profissionais de boca aberta. Também o Body Board, ou surf deitado, surgiu depois, nos anos 80, com as pranchinhas chamadas Morey Boogies. Anterior ao Body Board é o pouco conhecido Kneeboard, ou surf de joelhos, com suas pranchinhas curtas e seus pés-de-pato.

 

Todos identificam o Havaí como a Meca do surf. De fato, as condições de vento e maré e o tipo de onda lá são especialmente favoráveis. Points como Waimea, Sunset Beach e Pipeline, na ilha de Oahu, no North Shore (litoral norte) e outros na ilha de Maui, por exemplo, são disputadíssimos. O problema no Havaí, como em outros lugares do mundo, é o crowd – uma palavra inglesa que significa “multidão”. Os surfistas dizem que o mar está crowded (ou crowd) quando tem um número excessivo de gente dentro d’água surfando; o que torna a prática problemática e mais propensa a acidentes.

 

Uma onda serve basicamente para dois surfistas quando quebra para os dois lados. Não podem descer três ou quatro numa mesma onda. Isso porque as vagas perfeitas quebram para a direita ou para a esquerda (ou para ambos os lados), porque não se surfa em onda “fechada”; uma onda perfeita vai quebrando para um ou para os dois lados e o surfista vai então percorrendo a “parede” dela fazendo as manobras. Quando a onda fecha e vira espuma ela acaba. Assim, quem está no “pico” da onda é o dono dela, não se pode “rabear” (ou “queixar”, como se diz no nordeste) a onda do colega. Desse modo, numa “direita”, quem está mais à esquerda é o dono da onda, e numa “esquerda” é o dono quem está mais à direita. Queixar a onda de alguém pode levar a sérios conflitos inclusive com briga na areia, como acontece muitas vezes. Isso porque não se pode manobrar com alguém atrapalhando na frente do que ficou em pé primeiro (pois este estava no pico).

 

A evolução do surf se deve aos variados tipos de prancha, tanto no formato como o material | Foto: Leroy Grannis

 

Felizmente há onda para surfar ao redor de todo o planeta. A Austrália, por exemplo, é um continente muito profuso em boas ondas em points com Bells Beach  e Snapper Rocks. A Nova Zelândia também é famosa entre os surfistas. Também quebra onda surfável na Indonésia, no Taiti e no Japão. Na Europa, lugares como Biarritz, na França e Cascais, em Portugal, são conhecidos no mundo inteiro. Na América do Sul tem onda boa no Chile e no Peru (para onde muitos brasileiros viajam para surfar a baixo custo). Tem onda na América Central (na Costa Rica, por exemplo) e na América do Norte, no México e há muitos points bons também nos EUA, por exemplo, na Califórnia, praias como Huntington Beach (em Los Angeles), Malibu e Trestles. Tem ondas de sonho também na África do Sul (exatamente lá no melindroso Cabo das Tormentas, ou Cabo da Boa Esperança, que o navegador Bartolomeu Dias conseguiu cruzar só com muito esforço! – em 1488). É no extremo sul da África que se situa Jefferey’s Bay, um dos melhores picos do mundo, com suas famosas direitas que duram um minuto!

 

O Brasil também tem ondas boas como o Leme e Saquarema, no Rio de Janeiro, o Guarujá, em São Paulo, Praia da Joaquina, em Santa Catarina, Guarapari,  no Espírito Santo, Porto de Galinhas, em Pernambuco, Titanzinho e Ponte Metálica em Fortaleza, Ceará, BarraventoStella Mares, em Salvador e Ihéus e Itacaré, famosa no mundo inteiro, também na Bahia; e muitos, muitos outros points em nossa costa imensa.

 

 

Os primórdios

Muita coisa evoluiu desde sua descoberta no século 18. No século 19 os colonizadores ingleses, protestantes, chegaram a proibir a prática do esporte tão viril e saudável alegando que as roupas sumárias usadas pelos guerreiros havaianos eram indecentes, assim como as danças e os ritos religiosos, que foram reprimidos também. Foi em torno de 1940 que o surf começou a ser mais largamente difundido, primeiro nos EUA (no continente). Principalmente na Califórnia a juventude se encantou por essa prática que rapidamente se popularizou para, em 1974, acontecerem os primeiros campeonatos.

 

Logo as pranchas evoluíram e com a Revolução dos Materiais vieram as primeiras pranchas feitas de derivados petroquímicos, bem mais leves que os trambolhos que até então eram confeccionados em madeirite. De lá para cá os shapes evoluíram, surgiram as pranchas de duas e três quilhas, mais versáteis e manobráveis. Os australianos Simon Anderson e, antes dele, Mark Richards, responsáveis por essa evolução, tornaram o seu país o maior celeiro de campeões  do mundo. Hoje em dia é Kelly Slater, da Flórida, o surfista que coleciona maior número de títulos mundiais; onze! O surf chegou ao Brasil no final dos anos 40, tendo começado a ser praticado em Santos. Foi o americano Thomas Ernest  Rittscher quem trouxe para o Brasil a técnica de fabricação de pranchas naquela época. Foi quando seu filho Thomas Ernest Rittscher Junior, Osmar Gonçalves e Roberto Suplicy Hafers começaram a popularizar a prática em nossas praias.

 

Simon Anderson é o criador dessas três barbatanas que ficam na parte de baixo e atrás da prancha | Foto: Simon Anderson/Surfing Hall of Fame

 

O surf aportou no Rio de Janeiro em 1952 levado por Paulo Preguiça, Jorge Paulo Lehman e Irencyr Beltrão. Mas as pranchas de fibra de vidro só chegaram a nosso país em 1964. Após esforços no sentido de tornar o surf um esporte reconhecido oficialmente, só em 1988 o Conselho Nacional de Desportos o fez. Isso muito depois de ser fundada a Associação de Surf do Estado do Rio de Janeiro (em 1965). Naquele ano aconteceria o primeiro campeonato em praia nacional. Atualmente o esporte é regulamentado pela Federação Brasileira de Surf, filiada ao Comitê Olímpico Brasileiro, e pela Associação Brasileira de Surfistas Profissionais, que promove o “Circuito Super Surf”, o campeonato nacional.

 

 

Influenciando gerações

A cultura surf muito influenciou e muito tem influenciado a vida principalmente da juventude. Da música à vestimenta, do cinema ao modo de falar e se comportar e se divertir, o esporte dos reis sempre deslumbrou milhões de jovens ao redor do mundo. No Brasil e no exterior o surf teve um boom principalmente nos anos 1970. Era o tempo das cocotas, as garotas que namoravam surfistas e que usavam, como os homens, as calças que tinham esse nome, com gancho baixo e camisas da marca Hang Ten e de florais, além dos tênis.

 

Muitos usavam parafina no cabelo para alourar e a maioria – como até hoje – usava drogas. O hábito de se drogar parece estar vinculado à periculosidade do esporte. Por ser o surf perigoso em grande medida, seus praticantes estão sujeitos a sérios acidentes. Por isso talvez, pensando inconscientemente na necessidade de tomar anestesia, os surfistas mais fracos recorrem a substâncias psicoativas como maconha e cocaína. Mas há também profissionais sérios de todas as áreas que são praticantes de surf. O estereótipo do surfista vagabundo nunca correspondeu, realmente à verdade. Por ser um esporte predominantemente jovem, a maioria é estudante. Mas os coroas também surfam, muitos há mais de 40 anos e, médicos, advogados, engenheiros, profissionais de todo tipo têm na prática do surf uma verdadeira terapia. Muitos chegam a passar mais de três horas dentro do mar pegando onda e voltando na remada para a linha de arrebentação. Por isso todos são fortes, musculosos e alguns praticam outros esportes, seja “radicais”, como skate, kitesurf, parapente ou artes marciais e outros.

 

 

Filmes e revistas

Não há fotografia mais bela que a de surf. A textura é linda e, sabendo captar o momento preciso da manobra, o fotógrafo produz uma peça da mais valiosa qualidade. Por isso, desde antes dos anos 70 vem surgindo no mundo e no Brasil uma grande variedade de revistas, das americanas Surfer e Surfing, veteranas, à nacional Brasil Surf, extinta, que fez a cabeça da geração que hoje tem mais de 50 anos de idade.

 

Jamie O’Brien, precursor do freesurfing professional | Foto: Bo Bridges

 

Muitos filmes também já foram rodados sobre o tema. Nos anos 70 foram famosas fitas como Zephyr e Red, Hot and Blue, nos Estados Unidos. Na atualidade há DVD’s como Riding Giants, Billabong Odissey, Stories from the Search, Freak Side – impressionante pelos malabarismos de Andy Irons – e muitíssimos outros. No Brasil tiveram destaque as fitas Fábio Fabuloso (com o campeão paraibano Fábio Gouveia), Pé na Estrada e o excelente Primeiro Turno, cheio de bom humor e piadas tabaroas nordestinas em que pegou muito bem a trilha sonora cheia de híbridos de maracatu e rock e as referências jocosas à política nacional em que os atores, surfistas, brincam com a probidade duvidosa de nossos representantes.

 

Brazilian Storm

Talvez nunca no Brasil o surf tenha tido tanto destaque quanto agora. A mídia sisuda rendeu-se finalmente a ele e o Jornal Nacional noticiou com a merecida deferência a gloriosa vitória de Adriano de Souza, o Mineirinho, 28 anos no campeonato da Liga Mundial de Surf (WSL é a sigla da entidade em Inglês). Mineirinho é representante da brilhante nova geração de surfistas brasileiros que as revistas gringas de surf chamam Brazilian Storm (Tempestade Brasileira). Os outros são o paulista Gabriel Medina, campeão mundial de 2014, 21 anos, que recebeu semelhante destaque na mídia, Jadson Andrade e Ítalo Ferreira, ambos potiguares, 21 anos, Wiggolly Dantas e Miguel Pupo, paulistas, 25 e 24 anos de idade e o mais jovem, Filipe Toledo, também paulista, 20 anos – uma revelação!

 

Todos se destacaram no último campeonato, quando Mineirinho venceu o australiano Mick Fanning, tricampeão mundial. A revista Veja foi outro veículo de peso que também publicou matérias de visibilidade sobre o surf e as vitórias dos brazucas. Adriano de Souza, paulista, foi apelidado Mineirinho pelos companheiros  por causa de suas maneiras comedidas e seu temperamento calado.

 

Mark Richards, campeão mundial por quatro vezes | Foto: John Witzig

 

A Veja cometeu, entretanto, um  equívoco ou pelo menos não se expressou com precisão ao afirmar que os surfistas são “…amantes de mares encrespados”. Na verdade, mar encrespado é a última coisa que um surfista pode desejar. O mar é bom quando está liso, porém com ondas. O melhor vento é o chamado terral, que vem da terra para o mar, que geralmente é um vento  fraco e que faz com que as ondas vão quebrando de maneira perfeita para a direita e/ou para a esquerda, sem“fechar”. Erro semelhante cometeu a meteorologista Maria Júlia, a Maju do Jornal Nacional ao dizer que os surfistas não gostam do vento que vem da terra. O mar para estar perfeito deve ter vento terral que o deixa liso como um espelho, porém ondulado.

 

 

Surf de biquíni

Muito tempo depois das antigas tribos havaianas as coisas mudaram para as mulheres. Hoje elas dão um charme especial às sessões de surf. Em torno de 1920 uma australiana, Isabel Letham, quebrou os rígidos padrões morais que vedavam a prática às mulheres e começou a surfar. Foi discípula do pioneiro Duke Kahanamoku. Com a autorização de seu pai que pediu a Duke que lhe confeccionasse uma prancha e, impressionada com a beleza do esporte, Isabel logo se apaixonou pelo surf e se tornou uma atleta esperta.

 

Hoje em dia as mulheres brilham no esporte deixando admirados até surfistas de renome. Muitas são profissionais, como a brasileira Cláudia Gonçalves, jornalista, que apresenta um programa de televisão no canal Off, da Globosat e Silvana Lima e Luana Coutinho, que, também brazucas, como Maya Gabeira, filha do senador Fernando Gabeira, são atletas que ressaem no cenário internacional. Maya é Big Rider (surfista de onda grande) e tem no seu currículo sessões na praia taitiana de Teahuppo, uma onda muito grande, tubular e arriscada, e até no Alasca. Também já surfou em locais como Jaws e Nazaré, Portugal, onde quebrou a maior onda já surfada na história. Outra brasileira que se destaca é Bruna Schmitz, ou Bruna Surfistinha, paranaense, muito conhecida pela mídia local e internacional.

 

Isabel Letham | Foto: Local Studies Section, Warringah Library Services

 

Entre as gringas são feras a australiana Sally Fitzgibbons, 25 anos, a havaiana Coco Ho e as americanas Sage Erickson e Quincy Davis, uma revelação nova-iorquina de apenas 20 anos. Também merece destaque a veterana Keala Kennely. Essa loura americana de 37 anos concilia o surf de ondas grandes com as atividades de DJ e atriz e surfa desde os 17 anos.

 

 

Tow in e as ondas gigantescas

O surf de ondas oceânicas é um capítulo à parte na história do esporte. Praticado há menos de 30 anos, o chamado tow in (surfe a reboque) tem esse nome porque nessa modalidade o surfista entra na onda rebocado por meio do recurso de um cabo atado a jet ski (tow, em Inglês, quer dizer rebocar) até que atinja velocidade suficiente para prosseguir sozinho na onda. Isso porque só na remada com os braços o surfista não conseguiria atingir velocidade tal que o permitisse pegar as ondas gigantescas que se surfa nesse estilo. Por isso, só com o advento dos jet skis surgiu o surf de onda gigante. É comum as ondas oceânicas terem mais de 20 metros de altura, sendo que o recorde mundial foi uma morra de 90 pés (cerca de 30 metros, o tamanho de um edifício de dez andares!). Surfada pelo americano Garret McNamara na Praia do Norte, em Portugal, a façanha foi filmada e figura no Guinness, livro dos recordes.

 

No tow in a prancha é menor, possui uma placa de metal em seu interior – para deixá-la mais pesada –, tem quilhas de um formato especial e alças no deck para prender os pés. É muitíssimo perigoso, se o surfista “virar vaca” (cair da prancha, no jargão) ele pode passar mais de meio minuto embolando na espuma tomando caldo. Por isso o praticante precisa usar colete salva-vidas. Já houve, inclusive, óbitos. Os principais spots para a prática do tow in são Maverick, em Half Moon Bay, na Califórnia, Jaws, no Havaí e Nazaré, em Portugal, além de outros. Recentemente surgiu a modalidade tow in puxado por helicóptero, insano! A prática não é, entretanto, muito difundida pelo motivo óbvio de ser muito cara.

 

 

Adaptado do texto “Esporte dos reis”

Revista Leituras da História Ed.92