Conheça a primeira mulher sobrevoar o Atlântico sozinha

A manchete no New York Times de 3 de julho de 1937 dizia: “Sta. Earhart é forçada a descer no mar, próximo à Ilha Howland – A guarda costeira deu início às buscas”

Por Rodrigo dos Santos | Fotos: Getty Images | Adaptação web Caroline Svitras

Amelia Earhart foi um dos pilotos mais famosos do mundo, até que desapareceu enquanto tentava um voo ao redor do mundo, no trecho entre a Nova Guiné e a minúscula Ilha Howland, no oceano Pacífico. Como não foi encontrada até hoje, não se sabe, com certeza, o que aconteceu com ela, com seu avião nem com seu navegador. A partir de então, houve muitas conjecturas, algumas bizarras, como a afirmação de que ela estava em uma missão de espionagem e foi capturada pelos japoneses. Somente quando Roy Conyers Nesbit escreveu o livro Missing Believed Killed, é que surgiu uma explicação plausível sobre o que realmente aconteceu (tanto que meu artigo é baseado em sua extensa pesquisa).

 

De início, Amelia explodiu na cena nacional dos Estados Unidos em 1928, quando se tornou a primeira mulher a voar sobre o Atlântico Norte, de Nova Iorque para Londres, na condição de passageira, que teve a companhia do piloto Wilmer Stultz e do copiloto e mecânico Louis Gordon no voo. Mas isso não minimizou sua conquista nem a simpatia que adquiriu do público. Pouco depois, foi importante o suficiente para ficar ao lado de Orville Wright durante a inauguração da pedra angular do Memorial Wright em Kitty Hawk, em 17 de dezembro de 1928, data na qual também se dava o 25º aniversário do primeiro voo dos irmãos Wright.

 

Orville Wright, à esquerda, na inauguração da pedra angular do Wright Brothers Memorial em Kitty Hawk, Carolina do Norte, tendo à direita da placa tanto o senador Hiram Bingham quanto Amelia Earhart | Foto: Wilbur and Orville Wright

 

Mas foi somente em 1937 que Amelia assegurou seu lugar na história, quando se tornou a primeira mulher a voar sozinha no Atlântico Norte. Com o seu avião vermelho de motor único Vega, ela partiu de Newfoundland, no Canadá, para um campo de pastagem em Culmore, norte de Derry, na Irlanda do Norte. Nessa época, seu marido, George P. Putnam, passou a chamá-la de “Lady Lindy”, em referência a Charles Lindbergh, que realizou a façanha dez anos antes. Desde então, ela continuou a estabelecer muitos registros de voos, incluindo os de velocidade em todo o país e, assim, acabou por se tornar a primeira pessoa a voar sozinha sobre o Pacífico, do Havaí à Califórnia.

 

Aos 38 anos, como sabia que sua carreira arriscada beirava o fim, decidiu fazer algo aventureiro para encerrá-la: criar um novo recorde, voando ao redor do mundo, seguindo um curso que a manteria o mais próximo possível do Equador. Contudo, como o feito exigia um avião maior e mais rápido, ela escolheu um Lockheed 10-E Electra twin-engine. Mesmo assim, a aeronave foi modificada, para armazenar, ainda nos Estados Unidos, cerca de 1.200 galões de combustível. Para tanto, adicionaram ao Electra seis tanques de combustível na fuselagem e mais seis nas asas que, em conjunto, poderiam garantir uma faixa teórica de 4 mil milhas no ar, a uma velocidade de 145 milhas por hora e uma altitude de 4 mil pés.

 

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Adaptado do texto “Sonho de Ícaro…”