Conheça as 7 maravilhas do Mundo Antigo

Anteriormente, como todas as Maravilhas do Mundo Antigo eram de civilizações mediterrânicas, surgiram imitações da lista original e, entre elas, algumas chegaram a misturar obras da natureza com realizações humanas

Por Morgana Gomes | Adaptação web Caroline Svitras

 

Também conhecida como “Ta hepta Thaemata” (as sete coisas dignas de serem vistas), a lista que foi elaborada aproximadamente entre os anos 150 e 120 a.C., elegeu os monumentos erigidos até então pelas mãos dos homens, que se destacavam por sua grandeza, suntuosidade, magnitude e história. Tais edificações resistiram ao tempo, não somente por terem sido monumentais, mas principalmente por suas belas histórias que ainda ecoam na eternidade e provocam certo questionamento. Atualmente, dentre as 7 maravilhas do mundo antigo, a única que resistiu aos séculos foram as Pirâmides de Gizé, um monumento digno de ser visto. Considerado mundialmente como “um lugar comum de cultura e herança que merece um status especial”, ele se localiza a uns 20 quilômetros ao sudoeste da cidade do Cairo, no Egito.

As Pirâmides de Gizé

Existe um provérbio árabe que faz referência às Pirâmides: “[O] Homem teme [o] Tempo, [e] ainda [o] tempo teme as Pirâmides”. As pirâmides de Gizé estão localizadas na esplanada que leva o mesmo nome, na antiga necrópole da cidade de Mênfis e, atualmente, elas integram o Cairo, no Egito. Resistindo ao tempo e às intempéries da natureza, Quéops, Quéfren e Miquerinos ocupam a primeira posição na lista das sete maravilhas do mundo antigo. Elas foram construídas como tumbas reais para os reis homônimos (pai, filho e neto).

 

Observe a proporção entre o tamanho de um homem e os blocos com que foram construídas as Pirâmides de Gizé

 

A primeira delas, Quéops, foi edificada há mais de 4.500 anos, por volta do ano 2.550 a.C. Chamada de A Grande Pirâmide tem 147 metros de altura e, durante mais de quatro mil anos, foi a maior construção feita pelo homem. Somente no século 19 (precisamente em 1889) foi superada pela torre Eiffel de Paris (França). Por sua vez, Quéfren mede, nos dias de hoje, 143 metros de altura. No entanto, suas paredes erguem-se menos íngremes que as da Grande Pirâmide. Já Miquerinos é a menor em tamanho e a terceira dentre as mais famosas pirâmides do mundo antigo. As três encontrando-se em relativo bom estado e, por este motivo, não necessitam de historiadores nem poetas, para serem conhecidas, já que podem ser visitadas. Apesar da natureza mística, durante a construção delas, também foi usada uma série de conhecimentos de trigonometria relacionados com as dimensões da Terra e certas projeções celestiais, tanto que é possível constatar que, se a meridiana do ponto em que se encontram até a interseção do indico com o continente africano, fosse dividida em 6.666.666 unidades, cada uma equivaleria tanto ao metro padrão quanto a sexta parte da circunferência da Terra.

Jardins da Babilônia
Concepção artística dos Jardins Suspensos da Babilônia, conforme Maarten Heemskerk (1498-1574), um dos principais pintores holandeses do século 16

Além de poucos relatos, não há nenhum sítio arqueológico que possa indicar qualquer vestígio dos Jardins Suspensos da Babilônia. O único que pode ser considerado “suspeito” é um poço fora dos padrões, que se imagina ter sido usado para bombear água. Provavelmente, os jardins foram construídos por volta de 600 a.C., às margens do rio Eufrates, na Mesopotâmia. Na verdade, eles eram seis montanhas artificiais feitas de tijolos de barro cozido, com terraços superpostos onde havia árvores e flores plantadas. Calcula-se que estivessem apoiados em colunas, cuja altura variava de 25 a 100 metros. Para se chegar aos terraços subia-se por uma escada de mármore. Estima-se também que ficavam próximos ao palácio do rei Nabucodonosor II, que os teria mandado construir em homenagem à mulher, Amitis, saudosa das florestas de sua terra natal.

 

Tanto luxo tem uma explicação. A Babilônia, nessa época, era a cidade mais rica do mundo antigo. Vivia do comércio e da navegação, mas como não dispunha de pedras, usava tijolos de barro cozido e azulejos esmaltados em suas construções. No século 5º a.C., segundo o historiador Heródoto, ela “ultrapassava em esplendor qualquer cidade do mundo conhecido”. Mas em 539 a.C. o Império Caldeu foi conquistado pelos persas e dois séculos mais tarde passou a ser dominado por Alexandre, o Grande, tornando-se parte da civilização helenística. Depois da morte do grande conquistador, a cidade deixou de ser a capital do império e entrou em decadência. Não se sabe quando os jardins foram destruídos; mas sobre as ruínas da Babilônia ergue-se, hoje, a cidade de Al-Hillah, a 160 quilômetros de Bagdá, capital do Iraque.

A estátua de Zeus
Estátua de Zeus, representada artisticamente por Maarten Heemskerk

Construída no século 5º a.C., pelo escultor Fídias (Atenas, 490 a.C. – provavelmente Olímpia, 430 a.C.), ela homenageava o deus dos deuses. A obra-prima de Fídias foi esculpida na cidade grega de Olímpia, na planície do Peloponeso. Ela representava Zeus, sentado em seu trono, como o senhor do Olimpo, morada das divindades. Toda feita em ouro e marfim, ela teria de 12 a 15 metros de altura, o equivalente a um prédio de cinco andares. Zeus, cujos olhos eram de pedras preciosas, na mão direita levava a estatueta de Nike, deusa da vitória; e na esquerda, uma esfera sob a qual se debruçava uma águia. Supõe-se que Fídias levou cerca de oito anos em sua construção e os gregos passaram a considerar a escultura como uma espécie de revelação aos homens, da imagem do deus dos deuses.

 

Porém, na época em que a estátua estava sendo construída, Atenas e Esparta já se rivalizavam pela hegemonia no Mediterrâneo. Em consequência, a Grécia continental mergulhou seus cidadãos numa sucessão de guerras. No entanto, os combates não prejudicaram as realizações culturais e artísticas do período. Muito pelo contrário, o século 5º a.C. ficou conhecido como o século de ouro na história grega, devido ao extraordinário florescimento da arquitetura, escultura e outras artes. Apesar das escassas referências concretas a escultura, alguns historiadores ainda dizem que, como em representações de outros artistas, o Zeus de Fídias também mostrava o cenho franzido. Segundo uma lenda, quando o deus franzia a fronte, o Olimpo todo tremia. Curiosamente, após 800 anos em Olímpia, a estátua de Zeus foi transferida para Constantinopla (hoje Istambul), onde se acredita ter sido destruída em 462 a.C., por um incêndio, provocado por um terremoto.

Templo de Ártemis
Concepção artística do templo de Ártemis, segundo Maarten Heemskerk

Localizado em Éfeso (atual Turquia), foi o maior templo do mundo antigo e, durante muito tempo, o mais significativo feito da civilização grega. Quando os colonizadores gregos encontraram os habitantes da Ásia Menor cultuando uma deusa que se identificava com Ártemis, a deusa grega dos bosques, da caça e dos animais selvagens, eles resolveram construir um pequeno templo que, sucessivamente, passou ser aumentado, até que na quarta expansão, após 120 anos, foi incluído na lista das sete maravilhas do mundo antigo.

 

O templo, erguido pelo arquiteto cretense Quersifrão e seu filho Metagenes, em 550 a.C., era composto por 127 colunas de mármore, com 20 metros de altura cada uma. Ele media 138 metros de comprimento por 71,5 m de largura e, além de abrigar muitas obras de arte, entre elas a escultura da deusa em ébano, ouro e prata, também passou a receber visitas e oferendas. Mas ele foi destruído em 356 a.C. por Heróstrato, que acreditava que agindo assim, teria seu nome espalhado pelo mundo.

 

Detalhe do único pilar que restou do templo de Ártemis

 

Anos mais tarde, Alexandre, o Grande, resolveu restaurá-lo, porém o templo só começou a ser reconstruído em 323 a.C., ano da morte do macedônio. Em 262 d.C., ele foi novamente destruído, dessa vez, por um ataque dos godos que também o saquearam. Posteriormente, com a conversão dos cidadãos da região ao cristianismo, o templo foi perdendo importância até que veio abaixo em 401 d.C. Hoje, existe apenas um pilar da construção original em meio a ruínas, entretanto as esculturas e objetos do templo, que atravessaram os séculos, encontram-se expostos em Londres (Inglaterra).

 

Mausoléu De Halicarnasso
O Mausoléu de Halicarnasso, a partir de descrições históricas

Construído entre 353 e 350 a.C., atualmente seus fragmentos estão no Museu Britânico, em Londres, e em Bodrum, na Turquia. O suntuoso túmulo foi um tributo que a rainha Artemísia II da Cária, mandou construir em Halicarnasso (atual Bodrum, Turquia), sobre os restos mortais de seu irmão e marido, Mausolo, um rei provinciano do Império Persa. Sua estrutura, que tinha aproximadamente 45 metros de altura, foi desenhada pelos arquitetos gregos Satiro e Piris; e cada um de seus quatro lados foi adornado por relevos criados pelos escultores Briáxis, Escopas de Paros, Leocarés e Timóteo. Segundo Antípatro de Sidon, a estrutura finalizada já era uma espécie de triunfo estético.

 

Edificado sobre uma coluna, com vista panorâmica para a cidade, o mausoléu ficava num pátio fechado cujo centro abrigava a tumba do rei que, por sua vez, foi feita com um bloco quadrado de mármore que media um terço da altura (135 pés) do próprio edifício. Essa parte ainda era coberta de esculturas em relevo que exibiam cenas de ação da mitologia grega, como a batalha dos centauros com os lapitas e gregos lutando contra amazonas, uma raça de mulheres guerreiras. No topo desta seção havia trinta e seis colunas delgadas, nove em cada lado, que se erguiam por outro terço da altura do tumba. Eretas, entre cada coluna, destacavam estátuas. O telhado, que englobava o terço final da altura da construção, era uma pirâmide, que sustentava quatro massivos cavalos que puxavam uma biga, em que se ressaltavam as imagens de Mausolo e Artemísia. A construção resistiu por 16 séculos, até 15 d.C.

 

Colosso de Rodes
Atualmente, a teoria tradicional de que o Colosso de Rodes vigiava a entrada no porto, com as pernas abertas e um pé em cada margem do canal, passa por revisões

A fabulosa estátua de Hélios, deus grego do Sol, foi construída entre 292 a.C. e 280 a.C., pelo escultor Carés de Lindos. Segundo relatos históricos, o povo de Rodes mandou construir o monumento para comemorar a retirada das tropas do rei macedônio Demétrio (filho do general Antígono, que herdou de Alexandre, uma parte do Império Grego), que havia promovido um longo cerco à ilha na tentativa de conquistá-la. Como o material utilizado na escultura foi obtido da fundição dos armamentos que os macedônios ali abandonaram, ao ficar pronto, o colosso apresentava 30 metros de altura, 70 toneladas e, embora fosse oco, na mão direita, ainda trazia um farol que orientava as embarcações à noite.

 

Era tão imponente que, além de demorar 12 anos para ser concluído, um homem de estatura normal não conseguia abraçar seu polegar. Mas, dessa forma, qualquer embarcação que chegasse a Rodes, teria que passar obrigatoriamente sob as pernas da estátua de Hélios, já que ela tinha um pé em cada margem do canal que dava acesso ao porto. Embora o colosso tenha sido considerado uma maravilha, Carés suicidou-se logo após tê-lo terminado, desgostoso com o pouco reconhecimento público. Porém, a estátua também só ficou em pé por 55 anos, quando um terremoto a atirou no fundo da baía de Rodes, onde ficou esquecida até o século 7º, época em que os árabes chegaram à região e a venderam como sucata. Porém, o volume do material era tão grande que foram necessários novecentos camelos para transportá-lo.

 

Farol de Alexandria
Representação artística do Farol da Alexandria

Considerado uma das maiores produções técnicas da Antiguidade, ele foi construído em 280 a.C. A torre de mármore, situada na ilha de Faros (por isso farol), foi edificada a mando de Ptolomeu, próximo ao porto de Alexandria (Egito), tanto como marco de entrada para o porto da cidade quanto como farol, já que em seu topo ardia uma chama que, por meio de espelhos, iluminava até 50 km de distância. Sua base era quadrada, mas o resto do edifício se erguia de forma octogonal a uma altura que variava entre 115 e 150 metros, divididos em três estágios, cada um, construído sobre o topo do outro. O primeiro, provavelmente, tinha mais de 200 pés de altura e 100 pés quadrados. Nele ficavam centenas de armazéns e uma grande rampa em espiral que permitia que os materiais fossem levados ao topo, sobre o lombo de cavalos. No segundo havia uma seta com aparador, utilizados para transportar combustível até o fogo. No topo destacava-se um cilindro que se estendia para uma cúpula aberta, na qual o fogo que iluminava o farol era queimado.

 

De acordo com relatórios históricos, também havia um grande espelho encurvado, talvez feito de metal polido, usado para projetar a luz do fogo. No telhado da cúpula ainda havia uma enorme estátua de Poseidon. Supõe-se que os navios podiam perceber, à noite, a luz da torre ou a fumaça do fogo, durante o dia. Por mais de cinco séculos, o farol manteve-se entre as mais altas estruturas feitas pelo homem. Em 1375, ele foi destruído por um terremoto, mas, com exceção das Pirâmides de Gizé, foi o monumento que mais tempo durou entre todas as outras maravilhas. Já no século 20, mais precisamente em 1994, suas ruínas foram encontradas por mergulhadores, fato que depois foi confirmado por imagens de satélite.

 

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Fotos: Leituras da História Ed. 101