Conheça mais sobre a arte e a religião chinesa

Da Redação  | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons | Adaptação web Caroline Svitras

Os chineses acumularam, com o decorrer do tempo, consideráveis conhecimentos científicos. Foram os primeiros a conhecer o papel de trapo, a pólvora, os poços artesianos, a circulação do sangue, a vacina contra a varíola, a bússola, o movimento dos astros, a seda, a porcelana, a laca e o verniz.

 

Já no século 13 a.C., o ano fora dividido em 365 dias e ¼, distribuído em 12 ou 13 luas. No século 4º d.C., os chineses inventaram a imprensa com tipos de madeira. Como na língua chinesa a palavra é imutável, a escrita conta com tantos sinais quantos podem expressar as ideias. Eles chegam a 44 mil, mas, na prática, são usados 6 mil ou 7 mil.

 

A literatura chinesa é, por seu volume, a mais importante da Ásia. Na coleção dos livros sagrados (King), figuram os seguintes como mais importantes: 1) Yi-King – livro das mutações do universo; 2) Chu-King – que trata da história do Império; 3) Che-King – seleção de poesias religiosas; 4) Li-King – manual de ritos e cerimônias; 5) Lu-King – história do país de Lu. Durante as dinastias Tsin e Han, a literatura chinesa atingiu o apogeu, compreendendo numerosas obras de filosofia, história, teatro e poesia.

 

A escultura na China foi admirável pelas miniaturas feitas de ouro, de prata, marfim, pedras preciosas e pelos recortes de pedras feitos na época Han, que ainda existem em grande número nos túmulos, representando centenas de batalhas, cenas mitológicas; e sobre pilares funerários executados em baixos-relevos. As paredes dos túmulos do período Chang estavam revestidas de pinturas de cores brilhantes, representando monstros, gênios, dragões, sem preocupação pelas proporções e perspectiva, restando hoje apenas fragmentos dessas criações artísticas.

 

Guerreiros enterrados em Xi’an, no Leste da China, com Qin Shi Huang | Foto: Eric Feferberg/AFP

Os chineses possuíam conhecimentos de engenharia desenvolvidos, como nos mostram as grandes estradas, as pontes suspensas sobre abismos e o canal imperial de 1200 km de extensão. Merece destaque especial a Grande Muralha que mede 3600 km. A construção desta obra durou muitos séculos – e ela foi inúmeras vezes restaurada. O objetivo era proteger as fronteiras do Império contra os invasores.

 

No período Chang, construíram palácios e templos (pagodes), destacando-se a torre de porcelana de Nanquim e o Templo do Céu, em Pequim. Sobre outras construções, possui-se apenas informações por meio de livros porque os materiais empregados (taipa, madeira, telhados de colmo) eram essencialmente perecíveis.

 

Os próprios edifícios funerários não parecem ter sido construídos para durar. Os vasos, os utensílios de bronze, as armas, os símbolos de jade, constituem os materiais mais abundantes que existem hoje da civilização chinesa.

 

Religião

Entre os cultos primitivos da China, distinguia-se o culto familiar e o culto nacional. No culto familiar, adoravam os antepassados, divinizados ao morrer. Era praticado no lar, onde se oferecia aos espíritos dos defuntos alimentos, bebidas, roupas, músicas e cantos para se obter felicidade e bênçãos. Durante a dinastia Chang, chegavam a praticar, nesses cultos, sacrifícios humanos em grande escala – as vítimas eram, em geral, prisioneiros de guerra.

 

O culto nacional era oferecido pelo imperador às divindades do Império. Sacrificava animais em templos ou pagodes edificados em honra dos deuses, que eram inúmeros. Entre os mais importantes estavam Tien (céu), supremo princípio do universo, que fecundava Ti (terra), mãe dos homens. Tien podia castigar ou premiar os mortais e existiam, ainda, os espíritos superiores ou deuses secundários.

 

Teto de um dos templos de Fujian; à direita, esquema de construção de grande parte dos tetos das arquiteturas chinesas: Fotos: Reprodução/Wikimedia Commons

 

Os chineses acreditavam que cada ser humano possuía duas almas: uma material (p’o), que seria o princípio da vida embrionária; e uma espiritual (huen), que aparecia depois do nascimento – embora não soubesse qual era o destino da alma espiritual na outra vida. Uns acreditavam que permanecia no templo dos antepassados; outros, mais numerosos, atestavam que ia para o céu.

 

Para a alma material, variavam também as opiniões: segundo uns, continuava a viver junto ao cadáver, outros afirmavam que vivia no mundo subterrâneo dos mortos. Por esse motivo, as pessoas eram enterradas com todos os seus objetos pessoais, esposas, servidores, alimentos. O culto aos antepassados foi um traço característico das crenças chinesas e era praticado com a mesma intensidade pelos ricos e pelos pobres.

 

Revista Leituras da História Ed. 66

Adaptado do texto “Religião e arte chinesa”