Conheça o movimento militar Coluna Prestes

Por aquelas terras áridas de veredas sinuosas rodeadas pela vegetação agonizante do sertão cruzaram retirantes fugidos da geografia inóspita, rebanhos famélicos em busca de pastos mais convidativos e sertanejos tomados pela persistência de seguir a vida em condições tão adversas

Texto e fotos: Eduardo Vessoni | Adaptação web Caroline Svitras

No início do século passado, a região do Alto Sertão paraibano assistiria a um dos acontecimentos políticos mais marcantes, não só para aquele pedaço isolado do Nordeste, como para todo o país. Entre os dias 5 e 11 de fevereiro de 1926, passaram apressados pela região, militares da Coluna Prestes, movimento político e militar que, entre 1925 e 1927, cruzou 25 mil quilômetros do interior do país, do Rio Grande do Sul ao Piauí, para conscientizar a população brasileira contra a política imposta pelos governadores da República Velha. No início do século passado, a região do Alto Sertão paraibano assistiria a um dos acontecimentos políticos mais marcantes, não só para aquele pedaço isolado do Nordeste, como para todo o país. Entre os dias 5 e 11 de fevereiro de 1926, passaram apressados pela região, militares da Coluna Prestes, movimento político e militar que, entre 1925 e 1927, cruzou 25 mil quilômetros do interior do país, do Rio Grande do Sul ao Piauí, para conscientizar a população brasileira contra a política imposta pelos governadores da República Velha.

 

Em apenas seis dias, aqueles homens percorreriam 18 municípios do interior paraibano em uma alucinada travessia de 330 km sertão adentro. Eles tinham pressa e precisavam seguir com a propagação de suas propostas de mudanças na política do então presidente Artur Bernardes. Algumas décadas antes, Antônio Conselheiro, o líder religioso e político que esteve à frente da Guerra dos Canudos, já proferia sua frase mais conhecida: “O sertão vai virar mar.” Mas o que não se sabia é que aquele discurso metafórico entoado pelo velho peregrino tido como profeta em terras nordestinas caberia também para descrever o derrame de sangue que aquela gente simples e incauta veria acontecer bem diante do portão de casa.

 

 

Coronelismo e pobreza

Naquela época, a cidade era palco de uma disputa política que envolvia a família Leite e o deputado estadual padre Aristides, aliado do então governador João Suassuna. Acredita-se que com o objetivo de afastar o padre da vida política, os Leite teriam montado uma emboscada que recepcionava com tiros a chegada dos militares de Prestes. O plano incluía a divulgação da falsa notícia de que o padre Aristides era o autor do combate que causaria uma das grandes baixas da coluna, a morte do tenente Laudelino Pereira da Silva. Outras versões afirmam que a rivalidade entre nordestinos e sulistas teriam dado origem aos conflitos ocorridos em Piancó.

 

Dava-se início a um acerto de contas entre os militares e o padre, em uma cidade vazia que abrigava alguns poucos homens dispostos a lutar contra os militares recém-chegados. O resultado foi o fuzilamento de habitantes locais que, mais tarde, ficariam conhecidos como os “Mártires de Piancó”.

 

Segundo relatos da época, o padre, morto no dia 9 de fevereiro, teria sido torturado com outras 17 pessoas que permaneceram na cidade em sua defesa, entre elas o prefeito de Piancó, e, posteriormente, levado a um barranco para ser degolado. Atualmente, o local abriga um monumento discreto, fechado a chaves, em sua homenagem. Acredita-se que o episódio ocorrido na cidade, descrito pelo próprio governo local como “má conduta militar e um tempo de medo e crueldades”, foi uma das maiores resistências que a coluna enfrentou durante sua marcha país adentro.

 

Aquela marcha revolucionária de ideais comunistas teve início no Rio Grande do Sul no fim de 1924 e continuou nos anos seguintes em direção ao Piauí, via Estados como Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e o território onde, atualmente, encontra-se o Tocantins, e seguiu até o Maranhão antes de regressar pelo interior nordestino, passando também por Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia.

 

Revista Leituras da História Ed. 61

Adaptado do texto “Nos passos da Coluna Prestes”