Consequências sociais da Grande Depressão

No longo do verão de 1929, mais de 1 milhão de pessoas que especulavam na bolsa de valores ganharam dinheiro com uma rapidez extraordinária, antes de enfrentarem a pior queda de todos os tempos

Por Morgana Gomes | Foto: Keystone-France/Gamma-Keystone via Getty Images | Adaptação web Caroline Svitras

Em 1929, após a quebra da bolsa, bancos e investidores tiveram imensas perdas financeiras. Só que a situação dos bancos ainda se agravou mais, devido às enormes somas de dinheiro que foram emprestadas aos fazendeiros que, com o início da grande depressão, se tornaram incapazes de pagar suas dívidas. Por conseguinte, além da queda de lucros, essas mesmas instituições ainda viram seus cofres se esvaziando, em virtude das pessoas que retiravam o dinheiro depositado, temendo uma possível falência. Entre 1920 e 1930, aproximadamente 14 mil instituições bancárias foram fechadas. Logo, a quantidade de fundos disponível no mercado também diminuiu, provocando a queda gradativa da produção industrial norte-americana. Se, em 1929, o valor total dos produtos industrializados produzidos nos Estados Unidos era de 104 bilhões de dólares, em 1933, esse valor já havia caído para 56 bilhões, configurando uma queda de aproximadamente 45%. A produção de aço, por exemplo, caiu em aproximadamente 61%, entre 1929 e 1933. O mesmo aconteceu com a produção de automóveis que também caiu em cerca de 70% no mesmo período.

 

Em paralelo, em virtude do Ato Tarifário Smoot-Hawley, que aumentava as tarifas alfandegárias de 20 mil itens não-perecíveis estrangeiros e a consequente represália das outras nações que também impuseram sanções aos produtos norte-americanos, houve uma queda súbita nas exportações que, diretamente, fizeram as taxas de desemprego subirem de 9% em 1930 para 16% em 1931 e 25% em 1933 (número equivalente a 1/4 de toda a força de trabalho americana). Nesse período, cerca de 30% dos trabalhadores que continuaram em seus empregos foram obrigados a aceitar reduções salariais, enquanto poucos ganhavam um aumento por hora.

 

Centenas de homens e mulheres em frente à bolsa de valores de Nova Iorque testemunhavam, mas ainda não acreditavam, no desastre do dia 24 de outubro de 1929 | Foto: Library of Congress’s Prints and Photographs division

 

Outro problema enfrentado foi a grande deflação (queda do preço dos produtos e do custo de vida em geral) ocasionada pelo excesso de produtos que excedia amplamente a demanda. Entre 1929 e 1933, os preços dos produtos industrializados não-perecíveis em geral caíram em aproximadamente 25%. Já o preço de produtos agropecuários se reduziu em cerca de 50%, exatamente por causa do excedente da produção. Em pouco tempo, os baixos preços levaram ao endividamento de muitos fazendeiros que, até então, mantinham certa estabilidade. Nesse contexto, casos de suicídio, por parte de empresários, acionistas e investidores em geral, que haviam perdido tudo o que possuíam, além de outros civis que, com a crise, haviam se endividado ou não tinham nenhuma forma de sustento, se tornaram bastante comuns.

 

Para ler o artigo na íntegra garanta a sua revista Leituras da História Ed. 103 aqui!