A democracia brasileira em ruínas

“A democracia surgiu quando, devido ao fato de que todos são iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si.” Aristóteles (Aristóteles, filósofo 384 a.C.-347 a.C.)

Por Daniel Medeiros* | Foto: Shutterstock

A nossa democracia é sem demo e quase sem cracia: a representação é completamente às avessas e, para os governos, o cidadão é um ruído. Não fosse assim e não teríamos uma escola pública tão precária, uma saúde tão doente, uma segurança tão homicida. Mas se serve de consolo, esse mal é um veneno que bebemos desde que a República é “república”: basta lembrar que nosso primeiro presidente eleito diretamente, Prudente de Morais, recebeu o voto de 2,2% da população. Isso foi em 1894. Washington Luís, em 1926, teve o voto de 2,3% da população. Trinta anos de “rés publica” e… nada.

 

A crise da democracia no Brasil

 

Agora vivemos a crise. Mas vivemos, igualmente, na renúncia de Deodoro, no arbítrio de Floriano, no desgoverno de Hermes da Fonseca, no Estado de Sítio de Artur Bernardes, na ditadura de Vargas, na tentativa de impedimento contra Juscelino, na renúncia de Jânio, na deposição de Jango, no AI-2 de Castelo, no Ai-5 de Costa e Silva, no Pacote de Abril de Geisel, no Centrão da constituinte, no afastamento do Collor, na compra da reeleição do FHC, no mensalão de Lula, no Petrolão e no impeachment da Dilma, em cada santo dia do governo Temer.

 

É uma crise que tem uma natureza: nossa República é um fantasma. Ou uma garatuja. Não aconteceu. Como uma maldição que se perpetua, ainda vale a frase dita no primeiro artigo sobre a proclamação, na manhã do dia 15, escrita pela pena sincera de Aristides Lobo: a participação popular foi nula. O povo assistiu a tudo bestializado…

 

Revista Leituras da História Ed. 107

Adaptado do texto “Sem voto! Sem voz!”

*Daniel Medeiros é Doutor em Educação Histórica pela UFPR e professor no Curso Positivo.