Entenda quem foi Mao Tse-tung

Um líder que conseguiu a façanha de controlar um número extraordinário de pessoas, esse é Mao Tse-tung. Durante mais de 20 anos ele comandou mais de 1 bilhão de pessoas em uma área geográfica igualmente grandiosa que abrangia mais de 9 milhões de quilômetros quadrados

Da Redação | Foto: Reprodução/Creative Commons | Adaptação web Caroline Svitras

Astuto, sábio, perverso… um líder talentoso que derrotou um exército de mais de 4 milhões de soldados ratificando sua vocação. Mao Tse-tung – também conhecido por Mao Zedong – foi o líder da guerrilha comunista que assumiu o poder do país mais populoso do mundo em uma luta armada que durou 22 anos. Com assumida admiração por Sun Tzu, que, inclusive, foi o mestre de outros tantos líderes revolucionários, Mao permaneceu no poder por mais 26 anos.

 

Dedicou-se inteiramente ao comunismo, mas se casou inúmeras vezes. Na primeira, com uma mulher bem mais velha do que ele e escolhida pela família – com ela não chegou a consumar o casamento. Na segunda vez, em 1920, casou-se com uma jovem chamada Yang Kai-hui e viveram juntos em uma casa alugada na periferia de Changsha. Yang tinha o mesmo interesse que Mao pela política, era uma jovem líder e comunista ativa que, mais tarde, em 1930, seria executada por Ho Chien, um governador anticomunista da província de Hunan.

 

Passado um tempo, Mao casou-se novamente, pela terceira vez, com Ho Tsu-chen, uma professora primária. Por fim, casou-se com a quarta e última esposa, uma atriz de cinema e teatro chamada Jiang Qing. Ambos tinham os mesmos ideais e o mais importante era o de que a arte deveria servir tanto ao povo, quanto à causa revolucionária. Mao teve cinco filhos.

 

Ditadores ou tiranos?

 

O marxismo
Foto: Universal History Archive/UIG via Getty Images

Em 1913, chegou à conclusão de que já sabia o suficiente para sair da escola e ensinar. Trabalhou como assistente de Li Ta-chao, bibliotecário na Universidade de Pequim entre 1918 e 1919. Com Li, aprendeu muito sobre o marxismo, assunto que ensinaria em 1919, em Changsha, ao assumir o cargo de professor primário. Nesse período estudou Marx e Engels e, com tanta bagagem intelectual sobre o marxismo, passou a atrair multidões em suas palestras abertas ao público. Nessa época ingressou também como um dos membros fundadores da Associação dos Estudantes Unidos da província de Hunan.

 

Em 1 de julho de 1921, junto a seus colegas, Mao funda o Partido Comunista Chinês, em Xangai. Em seu 1º Congresso, o PCC tinha 57 membros, mas só 13 participaram dele. Mais tarde, em 1945, somavam 1,2 milhões de pessoas e, em 49, mandavam no país.

 

Dois anos após sua fundação, o PCC se uniu ao Partido Nacionalista – ou Kuomintang. Entretanto, quando Chiang Kaishek assumiu o poder, expulsou todos os socialistas e iniciou a unificação do país. O Kuomintang, de um lado, tinha fortes seguidores nas cidades chinesas, já o PCC tinha forte apoio dos camponeses. Em 1927, Mao e seus seguidores estimularam uma série de revoltas – a mais notável foi na cidade de Nan-ch`ang. Com a repressão delas, Mao e seus companheiros foram morar em uma base nas montanhas Ching-kang, na fronteira entre Hunan/Kiangsi, e lá começaram a preparar a guerrilha. Em 1931, eles ocuparam parte de Kiangsi e fundaram a República Soviética Chinesa, sendo Mao o líder. Suas guerrilhas camponesas eram, agora, o Exército Vermelho.

 

Por outro lado, com Chiang Kaishek no comando do governo em Pequim, em 1928, ele estava disposto a estrangular a República Soviética Chinesa e a cercou com 700 mil homens. O resultado não foi muito favorável: metade do exército foi perdido – nessa época, Mao teve sucessos e fracassos, inclusive fundando sindicatos. Em 1934, a RPC controlava uma população de vários milhões de pessoas e se encontrava repleta de nacionalistas. Em 15 de outubro daquele ano, as cerca de 10 mil pessoas que sobraram fugiram para o oeste, uma viagem de 9.600 quilômetros que durou 2 anos, de sua base no sudeste da China até uma remota fortificação em Yenan, na fronteira com a União Soviética. Das mais de 100 mil pessoas que haviam iniciado a viagem, apenas 8 mil chegaram. Durante a “Longa Marcha”, Mao reforçou seu controle sobre o Partido e transformou o episódio em um dos pilares da República Popular da China.

 

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