Holocaustos no continente africano

Da Redação | Foto: Bettmann/CORBIS | Adaptação web Caroline Svitras

Além do holocausto alemão, outros países também passaram por processos idênticos de eliminação em massa. Em 1952, o Quênia, por exemplo, foi palco de uma rebelião comandada pelos revolucionários Mau Mau, tidos pela imprensa ocidental apenas como uma sociedade secreta, primitiva e ritualística.

Poucos admitiam que de misteriosos eles não tinham nada, pois só queriam libertar seu país do jugo imperialista inglês, que persistia desde meados do século 19. A batalha durou quase uma década. Mesmo assim, as notícias referentes ao movimento sempre se resumiam aos “monstros brutais”, que matavam colonos, soldados e policiais brancos.

Somente com a Independência do país africano – alcançada em 12 de dezembro de 1963 – e a abertura de 8.800 arquivos secretos, relativos à eliminação dos inimigos da administração colonial em 37 colônias britânicas – incluindo Bahamas, Botswana, Lesoto e o próprio Quênia, entre 1930 e 1970 –, a verdade veio à tona.

Durante o conflito, altas autoridades coloniais autorizaram a tortura em massa, que incluía desde espancamentos, privação de alimentos, castração, queimaduras, estupros, sodomia e até a introdução forçada de objetos nos anus dos prisioneiros. Segundo organizações de direito internacional, de 1952 a 1960, mais de 10 mil civis quenianos foram mortos de maneira atroz. Em 1954, em um dos poucos processos movidos contra os torturadores, um juiz de Nairóbi, Arthur Cram, comparou os métodos usados pelos ingleses aos dos soldados da Gestapo. Uma triste e vergonhosa lembrança para a História.