Interesses da Reforma Protestante

Por Valter Costa | Adaptação web Caroline Svitras

 

No momento em que o clero, autorizado pela Igreja Católica, passou a absolver os penitentes da culpa de seus pecados e da punição no inferno após a morte, teve início uma das maiores celeumas religiosas da história – senão a maior. E esse perdão nem era tão pleno assim, pois não absolvia de fazer penitência na terra. Ao fazer uma contribuição monetária, o fiel receberia uma indulgência e, assumindo não cometer mais pecados, teria diminuído o tempo que haveria de sofrer no purgatório para a remissão de seus pecados.

 

A indulgência não cancelaria pecados, apenas um padre durante uma sessão de confissão poderia fazê-lo, mas esse conceito nunca foi muito compreendido. Will Durant, ex-sacerdote que perdeu sua fé e se tornou um historiador excepcional e estudioso, influenciado por filósofos franceses e o racionalismo iluminista, deu destaque a essa questão na obra A História da Civilização – A Reforma.

 

Martinho Lutero tinha objeções à doutrina da Igreja, mas havia também sua própria crise espiritual, as dúvidas sobre sua própria salvação, a crença de que a fé interior somente, sem a imprescindível realização de boas obras, era o necessário para atingir a salvação. Ele acabou condenando o celibato, as peregrinações santas, a veneração de santos e imagens sagradas, e a doutrina da infalibilidade dos papas e conselhos gerais da Igreja. Lutero também descartou os antigos ritos sacramentais, exceto o batismo e a eucaristia.

 

Mas, além de todas as questões teológicas, haviam as econômicas, pois a transferência de renda para o sul do país e para a Itália incomodava príncipes, duques e bispos do outrora próspero norte germânico; questões sociais como o casamento, pois o próprio Lutero logo se casou com uma ex-freira de 26 anos e foi trabalhar para viver; e, por fim, questões de poder com a bigamia de Filipe de Hesse, que Lutero e seu braço direito, Phillip Melanchthon, consentiram; e a mais famosa delas, envolvendo Henry VIII, rei da Inglaterra, que era defensor da fé católica, contra a Reforma, mas que não obtendo aprovação papal para se divorciar de sua esposa, Catarina de Aragão, resolveu trocar de lado.

 

O fato é que tudo tinha seu valor na época: as indulgências, os interesses pessoais, as riquezas etc. A religião e a fé sempre foram artifícios de manipulação. Em tempo, só um parêntese: o rei Henry VIII terminou com seis esposas e imensamente rico com todos os bens e terras roubados das igrejas católicas e mosteiros no reino. Tudo em nome de Deus!

 

Confira a Reforma Protestante na revista Leituras da História Ed. 99

Foto: revista Leituras da História Ed. 99