Múmias tatuadas são atração em museus

Da Redação | Foto: Reprodução/rarehistoricalphotos.com | Adaptação web Caroline Svitras

No século 19, Horatio Gordon Robley, natural da Ilha da Madeira, Portugal, graças à condição de artista e oficial do Exército Britânico, que serviu durante as guerras na Nova Zelândia, assim que se aposentou e foi morar na Inglaterra, investiu em uma coleção macabra. Devido à paixão que tinha por tatuagens, começou a comprar e guardar mokomokais, nome dado às cabeças de chefes maoris tatuadas e mumificadas. Na época, a demanda por tais objetos era grande, pois os maoris eram tidos mais como animais do que como pessoas, pelos civilizados europeus que não se preocupavam em entender a cultura deles, na qual a tatuagem moko indicava tanto o status social quanto a conexão entre o indivíduo e seus antepassados.

 

Por isso, quando um mokomokai morria, na maioria das vezes, sua cabeça era decepada, seu cérebro e olhos removidos e todos os orifícios vedados. Depois ela passava por um processo de cozimento, seguido de defumação em uma fogueira, secagem durante vários dias ao sol para, então, ser reidratada com óleo de tubarão. Entre os maoris, tais cabeças preservadas eram mantidas pelas próprias famílias em caixas ornamentadas, para serem usadas em cerimônias sagradas. Porém, quando elas eram de inimigos mortos em batalha, adquiriam a condição de troféus de guerra, que auxiliavam em negociações diplomáticas. Nesse contexto, o retorno ou o intercâmbio de um moko se tornava condição prévia de paz entre tribos.

 

Mas, com a chegada dos europeus e a desestabilização social dos nativos, os mokomokais, que passaram a ser trocados por armas de fogo e munições, ganharam a condição de obra de arte e, dessa forma, alcançaram preços elevados entre colecionadores e museus tanto na Europa quanto na América.

 

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Adaptado do texto “Apropriação cultural macabra”