Não ao Hijab!

Da Redação | Foto: Creative Commons | Adaptação web Caroline Svitras

 

Em 8 de março de 1979, um dia após a lei que impôs as mulheres iranianas o uso de lenços para sair de casa, a fotógrafa pioneira Hengameh Golestan infiltrou-se no meio da multidão, composta por pessoas de todas as idades, incluindo homens, que foi às ruas de Teerã para lutar pela liberdade política, religiosa e também individual. Até então, ela havia participado de todos os protestos durante a revolução, mas naquele momento sentiu que deveria estar entre o povo como profissional, para documentar a História do seu país.

 

Golestan conta que, na ocasião, levou 20 rolos de filmes e, quando o dia acabou, correu para casa para revelá-los no quarto escuro. Em seguida, ofereceu as fotos para diversos jornais, mas nenhum as quis, devido à falta de sensibilidade para perceber que aquele seria o último dia em que as iranianas andariam com o rosto descoberto em público. Embora a Imagem para a História que captou tenha sido menosprezada por muito tempo, a maior frustração dela foi a de viver com seus compatriotas a primeira grande decepção com os novos governantes pós-revolução do Irã, pois o intento desejado não foi alcançado até os dias de hoje.

 
Depois desse episódio, Golestan conta que ainda tentou documentar a guerra Irã-Iraque, mas foi impedida pelas autoridades locais que só mandaram homens para a linha de frente, mudou-se para Londres, junto ao marido e o filho, em 1984. A partir daí, mesmo distante de sua terra natal, ela pôde ver centenas de grandes fotógrafas surgir em seu país, um território bastante controverso, onde grande parte das jovens de gerações que nunca viram mulheres sem véus nas ruas ainda ignora a força das manifestações e das reivindicações anteriores que, por sua vez, eram permeadas de solidariedade e de uma alegria que talvez nunca venham a compreender.