O conceito de trabalho

A sociedade de consumo implantada pelo advento do capital determina o tipo de trabalhador necessário para executar a produção dos bens, dentro de um contexto econômico, político e social

Por José Calixto Sousa Filho | Foto: Wikimedia/Queensland Newspapers Pty Ltd

Adaptação web Caroline Svitras

Desde o princípio dos tempos do homem até  os nossos dias, o conceito de trabalho foi sendo alterado e  se fundindo com a história da humanidade e de suas civilizações, garantindo novos domínios políticos, valores e técnicas. Conforme Daniel R. Fusfeld, “Marx via o  trabalho como uma contínua interação entre as pessoas, a natureza e o produto de trabalho. O trabalho era um elemento essencial no desenvolvimento da personalidade humana, logo a completa realização pessoal pressupunha um desenvolvimento rico e completo das relações dos indivíduos com os meios de produção e com o produto. No capitalismo, porém, o trabalhador é separado tanto do fruto do trabalho como das  ferramentas de produção pertencentes ao capitalista. Impede-se que o indivíduo e sua personalidade se desenvolvam plenamente. O resultado é um alienação que se apodera das pessoas e desumaniza todas as relações pessoais e sociais.”

Sociologia: Relações de trabalho no filme Trabalhar Cansa

 

Já a divisão do trabalho em Smith e em Taylor coloca uma nova dimensão para o ato de trabalhar, pois a divisão e a especialização resultam nas tarefas e funções do sistema capitalista de produção e das profissões. Com o maquinismo, o Taylorismo e o Fordismo, a condição do empresário se fortalece e duas novas profissões surgem: o administrador e o operário fabril. Portanto, quando exercemos uma profissão, estamos definindo certo método, um modo de ser a partir das atividades exercidas no trabalho. Sobre o operário fabril, Smith lamentava seu empobrecimento mental, Marx criticava a sua escravidão material e espiritual, e Taylor argumentava sobre a sua imaginação bovina e preguiça. Por sua vez, Henry Ford dizia que ” a fábrica não é um local de conferências”. Conclui-se, então, que as profissões são criadas e destruídas em cada fase do desenvolvimento do capital, para atendê-lo no seu objetivo permanente de acumulação.

 

Revista Leituras da História Ed. 95

Adaptado do texto “Febre do consumo”