O enigma dos crânios de cristal

Eles são um conjunto de peças de cristal, aparentemente esculpidos em quartzo translúcido e outros minerais semipreciosos... e guardam muitos mistérios! Quem os teria feito? Como foram feitos? Qual o seu significado? Seriam reais ou mais um embuste?

Por José Pio Martins | Fotos: Creative Commons | Adaptação web Caroline Svitras

 

Os crânios de cristal fazem parte de um enigma da tecnologia antiga e o que intriga mais os pesquisadores sobre esses objetos é o modo como eles teriam sido feitos. Um dos conjuntos ficou conhecido como Mitchell-Hedges, por ter sido encontrado em 1927 por F. A. Mike Mitchell-Hedges, um arqueólogo nascido em 1882, e que dedicou sua vida à aventura – muitas delas relatadas no livro Danger My Ally, publicado em 1954.

 

Apesar de terem sido feitos vários estudos, não se sabe com precisão a idade dos crânios, mas os laboratórios de Hewlett-Packard, que estudaram os objetos, estimaram que sua confecção teria exigido no mínimo 300 anos de trabalho de diversos artesãos hábeis. Outras curiosidades chamaram a atenção dos pesquisadores sobre os crânios, um deles teve a peça da mandíbula extraída de um mesmo bloco de cristal e, quando as duas peças se encaixam, o crânio se mexe sobre a base da mandíbula, dando a impressão de fala enquanto se abre e fecha o conjunto da boca.

 

Algumas lendas dizem que o lobo frontal fica turvo, chegando às vezes a ficar leitoso. Em algumas ocasiões, o crânio chegaria a emitir uma “aura luminosa”.  Segundo Frank Dowland, cristalógrafo da Hewlett-Packard, às vezes, formaram-se figuras dentro do crânio, como imagens de discos voadores e de algo que parece ser o observatório Caracol, no sítio maia-tolteca de Chichén Itzá.

 

 

Únicos e intrigantes

Os crânios de cristal foram encontrados nas ruínas da antiga cidade de Lubaantun, que significa “lugar das pedras caídas”, na atual Belize. Curiosamente, Mitchell-Hedges dedica apenas três parágrafos de seu livro a essa descoberta inusitada. Ele escreve: “O crânio do destino é feito de puro cristal de rocha e, segundo os cientistas, deve ter levado mais de 150 anos para ser esculpido, geração após geração de artesãos trabalhando diariamente, a vida toda, esfregando pacientemente com areia um imenso bloco de cristal, até emergir dele o crânio perfeito. Ele tem menos de 3.600 anos de idade e, segundo a lenda, foi usado pelo sumo sacerdote maia em rituais esotéricos. Dizem que quando ele jurava alguém de morte com o auxílio do crânio, a morte era inevitável. Já foi descrito como a materialização de todo o mal. Não quero tentar explicar esse fenômeno”.

 

 

No entanto, não são só os crânios que despertam curiosidade, mas a forma como foram encontrados. Ao escavar próximo de um altar desmoronando, ao lado de uma parede adjacente das ruínas de Lubaantun, a filha adotiva de Mitchell-Hedges, Anna, encontrou o 1º crânio em tamanho natural no dia de seu 17º aniversário. Na ocasião, Anna escalou, sem a permissão do pai, a pirâmide mais alta da região e avistou o crânio.

 

A menina contou mais tarde: “Uma vez no alto, de fato conseguia ver bem de longe e tudo era muito bonito. Senti que poderia permanecer ali por horas a fio. Mas o sol estava fortíssimo e havia como que um brilho no meu rosto. Lá embaixo, numa fenda, percebi algo que refletia luz e fiquei bastante intrigada. Como desci tão depressa não saberia dizê-lo, mas de volta, acordei meu pai e disse-lhe que avistara um objeto curioso. Recebi uma bronca, obviamente, pois nunca deveria ter subido lá.” Três meses após a descoberta de Anna, a uns 7,5 metros do altar, foi encontrado um maxilar que se ajustava perfeitamente ao crânio. Assim uma das descobertas mais estranhas do mundo passou a figurar na lista de objetos misteriosos da humanidade.

 

Atualmente, um desses crânios de cristal se encontra no Museu Britânico e outro no Museu Trocadero, em Paris. Um outro está nas mãos de Anna “Sammy” Mitchell- Hedges, em Kitchener, Ontário, no Canadá, ou em sua casa no sul da Inglaterra. Nos últimos anos, o crânio ficou famoso por ter sido exibido em festivais místicos nos Estados Unidos e no Canadá.

 

 

300 anos de relatos…

A história de crânios de cristal permanece um mistério. Os crânios de Mitchell-Hedges são os mais eminentes, porém outras descobertas e alguns relatos foram surgindo ao longo dos séculos, eis alguns:

 

SÉCULO 18

Início dos anos 1700: um monge fazia sua caminhada diária perto de Luv, na Rússia, quando percebeu um pedaço de quartzo rosa que emergia de um pequeno monte – era um grande crânio. No local havia, ainda, um grande número de artefatos que estão ligados aos antigos citas, um povo que viveu na Rússia, há mais de 1000 anos. Este é um dos crânios que está nas mãos da sra. Joky Van Dieten, e é chamado de crânio “Luv”.

Final de 1700: um artesão cego trabalhava com um Shaman da Amazônia para esculpir uma caveira de cristal de tamanho humano a partir de um grande bloco de quartzo. Eles disseram ter percebido alguma entidade espiritual de origem desconhecida, presente neste crânio. Essa peça é conhecida com o “Windsong” e está de posse de Floyd Petri, no Texas/EUA, que relatou aspectos paranormais do crânio em várias ocasiões.

 

SÉCULO 19

1860’s-1880: Eugene Boban trabalhava no México durante a ocupação francesa e era da Comissão Científica. Suspeita-se que neste momento ele tenha adquirido alguns crânios de cristal, possivelmente encontrados em várias ruínas mesoamericanas – ou negociados com escultores locais. Dois deles ficaram famosos e estão em museus de Paris e Londres. Sabe-se que outras peças foram adquiridas por Boban, mas acabaram vendidas para várias pessoas naquele período.

 

SÉCULOS 20-21

1906: uma família maia cavava em sua propriedade (em algum lugar na Guatemala), quando uma pá atingiu um objeto duro no chão. Nesse momento eles descobriram um crânio de cristal de tamanho humano feito de quartzo enfumaçado, porém ligeiramente diferente do crânio humano. Essa peça ficou conhecida, mais tarde, como “ET”, após ter sido adquirido também pela sra. Van Dieten.

2000 +: pesquisas foram conduzidas nos EUA e na Europa, com vários crânios de cristal, antigos e contemporâneos, utilizando uma grande variedade de dispositivos eletrônicos. Nos últimos dez anos ou mais, um grande número de crânios foi descoberto, mas precisam ser autenticados com relação à sua antiguidade.

 

Revista Leituras da História Ed. 97