O papel do Brasil na Segunda Guerra Mundial

O ano era 1942 e Getúlio Vargas cumpria seu terceiro mandato como presidente da República de nosso país. O Brasil vivia seu período sob a política ditatorial do Estado Novo, implantada um ano antes da eclosão de um dos maiores conflitos armados encenados na História

Por Caroline Svitras | Foto: FEB

Quem nunca ouviu a expressão “a cobra vai fumar”?  O dito popular surgiu no vocabulário do brasileiro durante o conturbado período da Segunda Guerra Mundial. Ela faz referência ao discurso do presidente Getúlio Vargas sobre ser “mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na Guerra”.  Luciano Gomes dos Santos, professor de Antropologia, Filosofia e Ciências Sociais da Faculdade Arnaldo Janssen, comenta que “o governo era contrário à entrada do Brasil na guerra”.

A situação mudou em 1942 quando “os países latinos americanos decidiram condenar os ataques japoneses aos Estados Unidos em 7 de dezembro de 1941”. Dois anos depois, o Brasil enviou suas primeiras tropas para a Itália, a fim de ajudar soldados norte-americanos a liberar territórios ocupados pelo exército alemão. A entrada efetiva de nosso país na Guerra aconteceu quando tropas de Hitler atacaram portos brasileiros no Norte e Nordeste que abrigavam homens do exército estadunidense. “A partir do fato, o Brasil deixou sua neutralidade e proclamou estado de guerra”, conta Santos.

Segundo o professor, houve uma forte campanha de alistamento para que os “25 mil homens da Força Expedicionária Brasileira (FEB), e 42 pilotos e 400 homens de apoio da Força Aérea Brasileira (FAB)” fossem enviados para o campo de batalha. Mulheres também embarcaram para a Europa, representadas por 73 enfermeiras que ofereciam apoio aos militares. Santos alega que metade dos homens enviados “era composta por civis que nunca havia pegado em armas. Houve pouco tempo de preparação do exército brasileiro”.

Apesar da pouca divulgação sobre o fato que temos nos dias de hoje, “o Brasil ajudou os aliados (Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética) a libertar a Europa do nazi-facismo”. Santos conta que “esse fato obrigou o governo Getúlio Vargas abrir o sistema político para iniciativas democratizantes”. Por fim, em troca do apoio durante a Guerra, os Estados Unidos “financiariam a construção da hoje chamada Companhia Siderúrgica Nacional”.

No combate faleceram “450 soldados, 13 oficiais e 8 pilotos. Tivemos aproximadamente 12 mil soldados feridos nos combates”.