O perigoso programa atômico que a Alemanha desenvolveu na 2ª Guerra Mundial

A pesquisa e a construção da uma bomba atômica atraíam o interesse das principais potências militares logo no início da segunda guerra mundial. A corrida científica para deter o controle absoluto dessa poderosa energia com fins militares envolveu centenas de cientistas, trabalhadores e um vasto serviço de segurança. A nação que detivesse o conhecimento dessa nova arma alteraria os rumos da guerra e da própria história da humanidade

Da Redação | Adaptação web Caroline Svitras

 

 

No final dos anos 30, poucos meses antes do início da guerra, um grupo de cientistas alemães aprofundou os seus estudos e concluíram que havia grande possibilidade em enriquecer o urânio e convertê-lo para fins pacíficos ou militares. Porém, as pesquisas e os testes levariam ainda alguns anos para serem definitivamente concluídos. O destino dessa nova energia dependeria dos seus governantes. Obviamente, Hitler e seus auxiliares investiram milhões de marcos alemães no conhecimento e no domínio dessa nova energia, mas para obter resultados mais concretos seria necessário mais tempo em pesquisas e uma enorme soma em dinheiro. A necessidade em desenvolver armas convencionais, como foguetes V1, V2 e novos modelos de aviões mais velozes foram as prioridades dos nazistas. Essa foi uma das causas que impediram o avanço científico alemão no programa nuclear.

 

A própria conjuntura militar da Alemanha nos primeiros anos da guerra foi o principal obstáculo que impediu o avanço científico alemão no desenvolvimento da bomba atômica. As sucessivas e rápidas vitórias do exército nazista em inúmeros países da Europa fortaleciam um sentimento de confiança e autoestima em Hitler e no seu alto comando militar, o que convertia na ideia de que a guerra alemã estava prestes a ser vencida. Acreditavam que a rendição da Inglaterra, prestes a acontecer, permitiria atacar e conquistar as principais cidades russas em poucos meses. Diante dessa conjuntura militar, investir em projetos extremamente caros e de alto nível científico não atraía a atenção dos generais e do próprio Hitler. A declaração de guerra dos Estados Unidos contra a Alemanha e o Japão e a dura resistência soviética contra os alemães permitiram que os cientistas nucleares alemães voltassem a ter mais credibilidade e atenção entre os principais membros do Reich. Novas pesquisas foram conduzidas, mas diante das sucessivas derrotas alemãs os cientistas depararam com sérias dificuldades em concluir os seus trabalhos.

 
Segundo Rainer Karlsch, historiador alemão, em sua longa pesquisa sobre os principais segredos militares da 2ª Guerra Mundial, a Alemanha de Hitler estava prestes a fabricar a sua um bomba atômica. De proporções inferiores à de Hiroshima e Nagasaki, mas com grande impacto devastador caso os alvos fossem Londres ou Nova Iorque. A utilização da chamada “híbrida arma nuclear” não mataria centenas de milhares de pessoas, como ocorreu nas duas cidades japonesas, mas proporcionaria a destruição e a contaminação radiativa de inúmeros centros urbanos da Inglaterra ou outra nação. Os jovens cientistas alemães não só dominaram o conhecimento teórico da mais nova arma como também tiveram a oportunidade de testá-la em humanos. Karlsch argumenta, em seu livro, que o teste nuclear de Thuringia, no Mar Báltico, no dia 3 de março de 1945, destruiu uma área equivalente a 500 metros quadrados e utilizou como cobaias centenas de prisioneiros de guerra no campo de concentração. Karlsch comenta que todas estas informações foram adquiridas nos arquivos secretos russos.

 

Esquema atômico nazista

 

No início da democratização soviética, no final dos anos 80 – ”Perostraka”, os pesquisadores puderam ter mais acesso a arquivos confidenciais e obter informações sobre a guerra em arquivos sigilosos. Entre as centenas de papéis destes arquivos, constam inúmeros memorandos escritos por um espião russo, onde descreve uma poderosa explosão na noite de três de março. No início dos anos 60, Karlsch entrevistou algumas pessoas que viveram próximas à região. Estes comentaram que após a explosão sofreram fortes dores de cabeça, sangramento pelo nariz e uma contínua ânsia de vomito.

 

Mas as informações referentes ao avanço militar nazista em construir uma bomba nuclear e testá-la no continente Europeu não ficaram somente na análise e observação do historiador alemão Rainer Karlsch. O jornalista italiano Luigi Romerso, hoje com 88 anos de idade garante que presenciou um teste nuclear feito em uma pequena e reservada ilha do Mar Báltico, em 1944. Em seu livro Hitler Secret Weapon, Luigi alega que os testes nucleares nazistas estavam mais avançados do que o de cientistas americanos e ingleses. ”… Hitler esteve muito próximo de adquirir a primeira arma nuclear do mundo, e só não pôde utilizá-la por falta de urânio enriquecido em seus centros de pesquisa.”

 

 

Romerso, em seu livro, comenta que em setembro de 1944 trabalhava no importante jornal italiano Corriere della Siera como jornalista, e seu amigo e presidente italiano Benito Mussolini o encarregou de uma importante missão secreta. Mussolini não acreditava nas palavras de Hitler, de que o curso da guerra sofreria uma grande mudança nos próximos semestres com o domínio da energia nuclear. Para se certificar dessa preciosa informação, Romerso foi enviado para a Alemanha e se encontrou com Hitler. Em 12 outubro, Romerso e o alto comando militar alemão chegaram à ilha de Ruegen e assistiram estarrecidos à detonação de uma mini bomba atômica, com efeitos devastadores por toda a ilha. “… Fui levado a um bunker no subsolo da ilha. Usamos um óculo especial e, quando a bomba foi detonada, houve uma rápida luz clara por toda a sala com a qual nossas vistas ficaram afetadas por alguns instantes. Ficamos no recinto durante horas. O alto índice de radiação proveniente da bomba estava no ar por toda a ilha.” Cinco anos após o término da Segunda Guerra Mundial, ele escreveu artigo a uma importante revista italiana da época, relatando as suas experiências com o teste nuclear alemão. Militares das forças aliadas, que administravam a Itália após a guerra, o obrigaram a desmentir o artigo.

 

 

Teste nuclear

 

A missão secreta Vemork

No dia 23 de fevereiro de 1943, um grupo de jovens da resistência norueguesa acompanhado por agentes do serviço secreto britânico, se lançou em uma das missões mais arriscadas e importantes da 2ª Guerra Mundial. Seu objetivo era sabotar o centro de tratamento e purificação de água pesada, elemento indispensável para enriquecimento de urânio. Conscientes dessa arriscada missão, o grupo de jovens enfrentou inúmeros obstáculos físicos e psicológicos ao ultrapassar as altas cercas de arame e o severo esquema de segurança montado pelo serviço secreto alemão durante toda a noite.

 

Fábrica de água pesada de Vemork

 
No interior da fábrica, sua preocupação era instalar bombas de dinamites, principalmente próximo ao reservatório de água tratada. Foi uma missão extremamente difícil segundo o relato do último membro da missão, Vermork Ray Mears. O acesso de uma seção para outra no interior da fábrica tinha que ser feito silenciosamente, pois a vigilância militar alemã circulava continuamente por todo o local. Para que a missão fosse cumprida o mais rápido possível, dividiram-se em grupos de dois. Ao instalarem as cargas de dinamites e conectá-las os cabos de contato, o maior perigo concentrou-se na retirada do grupo antes da detonação. Renderam alguns soldados alemães nas principais guaritas da fábrica e imediatamente acionaram o detonador.
A missão foi um sucesso, os cilindros contendo a água foram rompidos com o impacto das explosões. Os 3 mil litros de água pesada foram para o ralo e quatro ou cinco meses de produção foram jogados no lixo. Os jovens da resistência norueguesa não só obrigaram os nazistas a procurar e instalar uma nova fábrica para produção de água pesada, como impediram que Hitler lançasse a sua arma atômica contra os aliados.

 

 

Adaptado do texto “Programa atômico alemão” | Fotos: Revista Leituras da História Ed. 87