O que você sabe sobre o vodu?

O vodu haitiano é uma sociedade secreta que tem suas raízes em ritos antigos vindos diretamente da África, praticados pelos povos do Benin e do Togo. Essas culturas veneram potências invisíveis chamadas vodu

Da Redação | Foto: Reprodução/Twitter | Adaptação web Caroline Svitras

 

O vodu é uma religião praticada no Caribe, especialmente no Haiti, um sincretismo de elementos rituais católicos com o animismo e a magia dos escravos daomeanos, em que um deus supremo comanda um grande panteão de divindades guardiãs locais, ancestrais endeusados e santos, e se comunica com os crentes por meio de sonhos, transes e possessões rituais. Está ligado ao vodu os zumbis, que são pessoas vivas escravizadas. Elas entram nesse estado a partir da ingestão de drogas ministradas pelo mago vodu. Apenas o mago vodu pode ministrar essas drogas aos adeptos dessa religião.

 
Os haitianos se iniciam no vodu para se livrar do perigo da zumbificação. Mas, mesmo assim, ainda há risco de atender ao chamado do feiticeiro, quando se está no túmulo. Por isso, em muitos lugares do Haiti enterram os mortos de boca para baixo, com os lábios costurados, além de uma faca entre as mãos para a sua defesa.

 

A zumbificação vodu tem uma explicação lógica. Wade Davis, um etnobiólogo, estudou os zumbis haitianos e descobriu que eram, na verdade, indivíduos aos quais tinham sido administradas drogas que faziam com que parecessem estar mortos. Depois, eram enterrados vivos. A vítima recebe um forte veneno, ou por meio de uma ferida aberta, ou na comida. A poção, geralmente em pó, contém vários produtos tóxicos animais e vegetais, incluindo venenos naturais de origem animal ou vegetal, como bufotoxina e tetradotoxina, que induzem a um estado de semimorte. Desde o século 6° antes de nossa era, o ensinamento atribuído a Orfeu é amplamente fundido na Grécia, mas permanece secreto e reservado a uma minoria, segundo as próprias palavras do poeta: “Fechem as portas a todos os não iniciados, sem distinção.”

 

Sacerdote vodu, realiza uma cerimônia em Mizak, uma pequena aldeia no sul do Haiti | Foto: Paul Jeffrey

 

Os iniciados aprendem que foi o esquecimento das recomendações de Perséfone que causou a perda de Eurídice. Da mesma maneira, no homem, é o esquecimento de sua natureza divina e das circunstâncias dramáticas de seu nascimento que é a causa de suas incessantes encarnações. Segundo eles, a alma liberada do corpo, no instante da morte, sacia sua sede em uma fonte de esquecimento antes de se reencarnar outra vez.

 

Os órficos se reúnem em confrarias chamadas tíases, nas quais lhes são transmitidas informações iniciáticas e se praticam uma ascese permanente e particularmente austera, ressaltada na absoluta proibição de derramar sangue e comer carne. Essa proibição tem significação profunda, pois implica no rompimento dos órficos com os ritos da cidade que necessariamente comportam sacrifícios sangrentos e banquetes em honras aos deuses do Olimpo.
Nos primeiros séculos depois de Cristo, as sociedades órficas se fundem no pitagorismo, antes de desaparecer; tão logo a Era Cristã se estabelecem definitivamente

 

Festival vodu de Páscoa atrai milhares peregrinos à aldeia de Souvenanc | Foto: Andres Martinez Casares/Xinhua Imprensa/Corbis

 

 

Os rituais

Os iniciados ao orfismo não se contentavam em levar uma vida austera, mas ainda participavam de mistérios iniciáticos dos quais pouco se sabe. Acredita-se que os mistérios consistiam em conselhos sobre a conduta no além.

 

Era ensinada aos adeptos a geografia da morada dos mortos e aconselhavam-nos a não beber água na fonte do esquecimento. Para completar esses ensinamentos, os iniciados recebiam uma lâmina de ouro, sobre a qual estão gravadas essas recomendações. Quando morria, a ela era depositada junto ao corpo do morto, para que lhe pudesse servir de viático no Hades. Esse ensinamento, inclusive, garante aos iniciados a beatitude da vida eterna.

 

Orfeu entre os animais, tocando lira | Foto: James Barry

 

Bem diferente dos mistérios de Elêusis, pelos quais os iniciados voltam para casa depois de sua iniciação, o orfismo conheceu um inegável sucesso no mundo grego e, depois, no romano. Até a metade do século 20, os essênios são conhecidos por raras menções feitas a eles, em particular a do escritor judeu do século 1º, Flávio Josefo. Segundo algumas correntes históricas, eles viveram em comunidades, que se espalhavam pela Palestina, Egito até a Síria. A seita dos essênios remonta provavelmente ao século 2º a. C., época que certos judeus, mostrando-se muito críticos com relação à casta dos sacerdotes, desligaram-se deles. Reagruparam-se, então, fora de Jerusalém, em particular nos mosteiros de Qumran, onde seus ensinamentos divergem diretamente do judaísmo tradicional.

 

Os essênios acreditam em um dualismo entre o corpo e a alma e esperam a vinda de um Messias vingador. Eles se preparam para essa vinda praticando a pureza e o ascetismo. Desse modo, a regra de sua comunidade lhes impõe vida austera, alimentação frugal, renúncia às riquezas, prática de rituais de purificação, promoção da castidade, embora o grupo seja composto por homens e mulheres.

 

Os Manuscritos do Mar Morto foram compilados por uma doutrina de judeus conhecida como Essênios | Foto: John Walker

 

Organização

A seita dos essênios é extremamente hierarquizada. Ela se compõe de um primeiro círculo exterior, formado pelos practici, encarregados de trabalhar para a comunidade. Seguem-se os theoritici, os contemplativos, que são os verdadeiros iniciados, vivendo em meditação, mas praticando igualmente a arte da medicina, na qual são considerados peritos. No topo da fraternidade, está o misterioso senhor da justiça, que é o detentor dos mistérios maravilhosos e verídicos. Ele é cercado por um conselho composto por dez membros eleitos.

 

A admissão na seita é extremamente difícil: dois a três anos de espera e provas são necessárias antes que um batismo concretize a entrada do novo membro.

 

Os essênios davam a própria vida para não violar nenhum preceito religioso. Serviram a D´us, ajudavam os necessitados, não praticavam o sacrifício de nenhum animal e também não cultuavam imagens. Faziam parte de uma comunidade livre, onde trabalhavam duro e viviam daquilo que produziam. Conheciam os segredos das ervas, exerciam o ocultismo e foram os guardiões da Cabala. Possuíam como método, em suas escolas, o mesmo que as escolas iniciáticas praticavam – e praticam até hoje –, ou seja, havia rituais de iniciação e passagem de graus.

 

Essênios acreditam ser o povo escolhido para preparar o mundo para a vinda de dois Messias: um deles para reinar e restabelecer a prática pura do judaísmo, restituindo o poderio do povo de Israel. O outro Messias deveria vir da tribo de Levi, para dar continuidade a linhagem de sacerdotes | Foto: John Walker

 

Eles se achavam o povo escolhido cuja missão seria preparar o mundo para a vinda do Messias. Para ser mais exato, os essênios se preparavam para receber não apenas um só messias. Na realidade, eles esperavam dois. O primeiro teria que vir da Casa de Davi, casa de onde supostamente viria Jesus Cristo que, embora não haja nenhuma menção de seu nome nos pergaminhos, há apenas a menção de um “Mestre da Justiça” que alguns identificam com Jesus, gerando imensa polêmica.

 

Um dos dois messias viria para reinar e restabelecer a prática pura do judaísmo, restituindo o poderio do povo de Israel. O outro Messias deveria vir da tribo de Levi, para dar continuidade a linhagem de sacerdotes estabelecida no tempo de Moisés, esse sim deveria representar a redenção do povo de Israel com a sua morte, tudo isso previamente traçado por D´us, fazendo o papel que foi atribuído a Jesus Cristo na Bíblia. Devido ao fato desses pergaminhos estarem escritos em hebraico, aramaico e grego, alguns especialistas questionam sua veracidade.

 

Existe uma teoria polêmica de que Jesus tenha estudado com os essênios, no período que corresponde entre seus 13 anos e 30 anos. E o próprio João Batista teria sido um essênio, devido ao seu grande fanatismo – e sua vida de asceta.

 

Foto: Alamy

 

Infelizmente essa comunidade desapareceu, ou está, de certa forma, oculta em algum lugar por aí. Existem diversas lendas e histórias fantásticas sobre esse povo, algumas atribuindo poderes mágicos, fazendo ligações com os Atlantes, Maias, Lemurianos, e todos os tipos de ligações fantásticas que as mentes mais imaginativas conseguem fazer parecer a verdade absoluta, mas uma coisa é certa: esses manuscritos foram bem úteis para o cristianismo e o judaísmo, revelando importantes fatos sobre o mundo onde Jesus Cristo vivia. Alguns cientistas acham que ainda existem mais fragmentos nessas e em outras cavernas que estejam ainda por descobrir, ou ainda em mãos de colecionadores, mas só o tempo dirá.

 

Adaptado do texto “Vodu e o pó dos zumbis”

Revista Leituras da História Ed. 86