O Urso de Stalingrado

Vasily Ivanovich Chuikov, tenente-general no Exército Vermelho e comandante do 62º Exército durante a Batalha de Stalingrado, foi duas vezes consagrado herói nesse período e, após a 2ª Guerra Mundial, ainda recebeu a patente de marechal

Por Morgana Gomes | Foto: ITAR-TASS Photo Agency/Alamy Stock Photo | Adaptação web Caroline Svitras

Nascido no dia 12 de fevereiro de 1900, em uma família de camponeses residente na aldeia de Serebryane Prud, localidade próxima à região de Tula, ao sul de Moscou, Vasily Ivanovich Chuikov foi o oitavo de 12 irmãos e o quinto de oito filhos homens que, na idade adulta, também se tornaram militares. Devido às condições financeiras da família, abandonou a escola aos 12 anos e foi trabalhar em uma fábrica em São Petersburgo, que produzia esporas para oficiais de cavalaria. A partir daí, sua vida particular fica cheias de lacunas – ao menos, aqui no Ocidente. No entanto, é sabido que às vésperas da Revolução Russa de 1917 perdeu o emprego, mas com a ajuda de um irmão mais velho, acabou sendo recrutado para a Guarda Vermelha.

 

Já em 1918 juntou-se ao Exército Vermelho. Em outubro do mesmo ano, foi enviado à frente sul como comandante de uma companhia adjunta para lutar contra o Exército Branco. Em decorrência do desempenho e esforço demonstrados, em 1919, tornou-se comandante do 40º Regimento (mais tarde rebatizado de 43º Regimento), que fazia parte do 5º Exército. Apesar da mudança, manteve-se na batalha contra o Exército Branco, dessa vez, em Kolchak na Sibéria. Nesse mesmo período, embora tenha sido ferido por quatro vezes, recebeu dois prêmios por bravura e heroísmo.

A violência das guerras

 

Um ano depois, já em 1920, enquanto lutava na Polônia, foi atingido por um fragmento de projétil – nunca extraído – que perfurou seu braço esquerdo e, além de provocar paralisia parcial e a perda temporária do uso do membro superior, o marcou para sempre. Em seguida, já durante o período entre guerras, deixou seu regimento para continuar os estudos na Academia Militar Frunze. Formou-se em 1925 e, a partir de então, passou a ser descrito como um dos comandantes de campo mais agressivos de toda a frente russa, fato que também lhe rendeu o apelido de Urso de Stalingrado, durante a batalha homônima.

 

Atuação na 2ª Guerra

Em 1939, Chuikov comandou o 4º Exército durante a invasão soviética da Polônia. Passado um ano, já comandava o 9º Exército na guerra russo-finlandesa, momento em que suas tropas foram derrotadas na batalha de Suomussalmie. Em seguida, Josef Stalin o enviou para a China, para atuar como conselheiro do líder político e militar Chiang Kai-she. Consequentemente, ele estava fora de seu país, quando a União Soviética (URSS) foi invadida pelos alemães em junho de 1941. Mesmo assim, demorou quase um ano para ser chamado de volta, fato que se deu em maio de 1942. Porém, ao chegar a Moscou, assumiu de imediato o comando do 62º Exército que, posicionado na margem oeste do rio Don, participou do início da Batalha de Stalingrado, em seu flanco sul.

 

Chuikov expondo suas estratégias aos subordinados ao longo do caminho para atingir Berlim | Foto: Getty Image

 

Na época, Chuikov desenvolveu o chamado abraço ao inimigo – daí o apelido de Urso –, tática de guerra de guerrilha, pelo qual os soldados soviéticos mal armados optavam por manter o exército alemão bem próximo a eles, na tentativa de minimizar o poder de fogo superior das forças nazistas. Para atingir tal intento, seus homens atraiam os alemães para uma zona anteriormente bombardeada na cidade. Quando os inimigos chegavam o ponto desejado, além de terem o avanço impedido pelo entulho e caos da área, eram atacados mais de perto pela artilharia russa, ao mesmo tempo em que se tornavam alvos fáceis para os coquetéis molotov lançados pelas tropas da URSS. Em decorrência de tal estratégia, aparentemente simples, até a Luftwaffe começou a se mostrar ineficaz, pois se optasse pelos bombardeiros de mergulho para atacar o Exército Vermelho, também colocaria em risco as próprias forças alemãs devido à proximidade com os soviéticos.

 

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