Porta-voz-do-budismo-convoca-correspondentes-norte-americanos-para-protesto-doloroso

Porta-voz do budismo convoca correspondentes norte-americanos para protesto doloroso

Porta-voz do budismo convoca correspondentes norte-americanos para protesto doloroso

Porta-voz do budismo convoca correspondentes norte-americanos para protesto doloroso

Em 10 de junho de 1963, um porta-voz do budismo informou correspondentes norte-americanos, que estavam no Vietnã, que algo importante iria acontecer no dia seguinte em frente à embaixada do Camboja, em Saigon. Embora vários jornalistas tenham ignorado a mensagem, um pequeno número deles compareceu ao local, incluindo o fotógrafo Malcolm Browne, também presidente da agência de notícias Associated Press. De início, todos viram cerca de 350 monges e religiosos, precedidos por um carro, marchando em dois grupos, com cartazes escritos em vietnamita e inglês contra o governo autoritário e anticomunista do católico Ngo Dinh Diêm.

O que ninguém esperava era que o monge Thích Quảng Đức deixasse o veículo exatamente na intersecção das ruas Phan Dinh Phung e Lê Văn Duyệt, para jogar uma lata de gasolina sobre o próprio
corpo e, então, com um fósforo, atear fogo em si mesmo, em um protesto doloroso e silencioso que exigia o cumprimento das promessas referentes à igualdade religiosa. Browne paralisado, como explicou mais tarde, apenas registrou a cena horripilante que correu o mundo. Diante da comoção que se instalou, os Estados Unidos começaram a pressionar o presidente do Vietnã do Sul para reabrir as negociações com os budistas. Em 16 de junho, um acordo finalmente foi assinado, mas as reformas nunca concluídas provocaram outras imolações, que só terminaram com um golpe militar que, além de depor, também matou Diêm, em 2 de novembro do mesmo ano.

Revista Leituras da História – Ed. 102