Presságios de fim do mundo que aconteceram. Confira

A história está regada de presságios malsucedidos, pessoas que neles acreditaram e alívio geral quando o dia seguinte surge normalmente

Por Thais e Silva | Fotos: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Os bem-sucedidos

A história carrega dois acontecimentos que, de fato, resultaram no fim do mundo. O mais popular teria acontecido a cerca de 2400 a.C., quando Deus decidiu destruir a humanidade e todos os demais seres vivos que habitavam a Terra. Teria dito Ele a Noé: “Para mim, chegou o fim de todos os homens, porque a terra está cheia de violência por causa deles.” Noé foi escolhido por Deus para reunir sua família e casais (um macho e uma fêmea) de cada espécie de animais e levá-los à arca que ele foi incumbido de construir. Choveu, então, 40 dias e 40 noites sem parar, até a água cobrir o pico da montanha mais alta. Tudo o que habitava a terra foi destruído. Coube a Noé, após o término das chuvas e a secagem da água, reiniciar o povoamento do “Novo Mundo”.

 

Outro fim menos religioso e mais científico ocorreu, segundo historiadores, há 65 milhões de anos. Um asteroide de 10 quilômetros de diâmetro atingiu a Terra na região da Península do Iucatão, no México. A explosão, responsável pela abertura de uma cratera de 180 quilômetros de diâmetro, equivalia à força de milhares de bombas nucleares, extinguindo não apenas os dinossauros, mas diversas outras espécies de seres vivos.

 

Orson Welles: ficou famoso mundialmente por provocar pânico nos ouvintes, que imaginavam estar enfrentando uma invasão de extraterrestres | Foto: Reprodução

 

Os falhos

O primeiro boato em relação ao fim do mundo ocorreu na primeira virada do milênio. No capítulo 20 do livro Apocalipse, da Bíblia Sagrada, consta que Satanás seria solto após ter ficado mil anos no abismo. “O ano 1000 foi muito temido pelos medievos. Nessa época, segundo o historiador Georges Duby, tudo o que parecia ser um desregramento na natureza era considerado um sinal anunciando os tormentos que deviam preceder o fim do mundo”, conta Tais.

 

Quando em 1033 a morte e ressurreição de Jesus Cristo completaria o primeiro milênio, surgiram novos rumores de que o mundo chegaria ao seu fim. O mesmo ocorreu em 1910, com a passagem do cometa Halley pela Terra, já que na época não havia estudos claros sobre cometas.

 

Fotografia do Cometa Halley, em 1910 | Foto: Reprodução

Já em 1999, foi a vez de os textos do médico francês Michel Notredrame (1503-1556), mais conhecido como Nostradamus, causar pânico nas pessoas. Isso porque o profeta já havia acertado alguns prenúncios feitos centenas de anos antes de acontecerem, como o nazismo de Hitler e o totalitarismo de Saddam Hussein, no Iraque. Apesar de historiadores considerarem seus escritos de difícil interpretação, a frase “no ano de 1999, sétimo mês, do céu virá o grande rei do terror” deu margem para o entendimento de que o Juízo Final aconteceria naquele ano (precisamente em julho, sétimo mês, ou um pouco depois, em 11 de agosto, quando ocorreu um eclipse total do Sol).

 

Poucos meses depois, na virada do segundo milênio, um novo rumor sobre o fim do mundo pairava sobre a humanidade: o Bug do Milênio. Na década de 70, foi notado um problema em relação aos computadores do mundo. Quando o ano de 1999 terminasse, as máquinas com programas mais antigos poderiam não reconhecer o numeral 00 (as datas eram representadas por dois dígitos apenas) como o ano 2000, mas confundi-lo com 1900. Um erro como esse poderia resultar aos investidores lucros negativos nos bancos, gerar boletos com 100 anos de atraso, credores passariam a ser devedores, entre outros equívocos. Diante dessa incerteza, muitas previsões foram feitas: de blecautes a um holocausto nuclear. Muitas empresas se preocuparam com o que poderia acontecer e contrataram programadores, inclusive os já aposentados, para tentar reverter a programação das datas antes que fosse tarde demais. Apesar de todo o medo e expectativa, o ano se iniciou normalmente, com apenas alguns problemas em computadores isolados.

 

Religião X Ciência

A Bíblia é a principal referência quando o assunto é o fim do mundo, mesmo as Sagradas Escrituras não fornecendo uma data certa para o juízo final. “Todos os elementos componentes do cenário do fim do mundo podem ser encontrados na Bíblia. Marcos (capítulos 12 e 13), São Lucas (12), Isaías (24-27), Ezequiel (1;8;21;37), Daniel (2;7;12), por inúmeros Salmos, especialmente o 50, e, finalmente, pelo Apocalipse”, afirma Maria do Carmo Santos, professora de História Medieval da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

 

Michel de Nostredrame, mais conhecido sob o nome de Nostradamus | Foto: Reprodução

O livro Apocalipse de São João é uma revelação de que Deus vai agir na história, julgando e destruindo o mal para implantar definitivamente o seu Reino entre os homens. “Estas passagens criaram toda a iconografia do juízo final: os anjos cujas trombetas anunciam o fim do mundo, a aparição do arco-íris no qual está sentado em um trono o Deus-Juiz, com uma espada na boca, cercado de animais fantásticos, de querubins, dos apóstolos e 24 sábios; a ressurreição da carne; a separação dos eleitos e dos condenados”, completa a historiadora.

 

Como os presságios em torno do fim dos tempos giram em torno de religiões, a maior parte das catástrofes imaginadas está ligada a fenômenos naturais: furacões, terremotos, dilúvios, grandes incêndios etc. Mas há também interpretações científicas, sempre baseadas em cálculos mais precisos. Levam em consideração o degelo dos Pólos Norte e Sul, o aumento do nível do mar, o desmatamento, a quantidade de alimentos ideal para a população mundial, a extinção de espécies importantes para manter a vida terrestre, meteoros que podem colidir com o planeta Terra, entre outros estudos.

 

Revista Leituras da História Ed. 58

Adaptado do texto “Sobrevivemos, mais uma vez…”