Protesto solitário

Foto: Damon Cleary | Adaptação web Caroline Svitras

 

 

Em 1962, enquanto o mundo bipolarizado vivia o terror de um possível conflito mundial de proporções arrasadoras, o fotógrafo inglês Donald McCullin captou uma foto icônica do medo que tomou conta da humanidade por 13 dias: um manifestante antiguerra, desconhecido e solitário, confronta pacificamente a polícia em Whitehall, Londres, durante a crise dos mísseis cubanos, apenas com um cartaz nas mãos.

 

Difícil saber, mas pela postura que adotou, ele poderia ser um simpatizante do Comitê dos 100, grupo britânico antiguerra fundado em 1960, que pregava a desobediência civil contra as armas nucleares. Embora na época da foto a organização já estivesse subdivida entre outras ações, ao surgir, ela soube impor aos manifestantes a disciplina da não violência, organizada de uma forma tranquila e ordenada. Mesmo diante do abuso policial, caso fossem presos, a orientação era não cooperar de forma alguma, pois o intento do grupo era encher todas as prisões, para obrigar o governo a responder às reivindicações.

 

Revista Leituras da História Ed.97