Rainha Elizabeth II na inauguração do MASP

Da Redação | Foto: Acervo da Biblioteca e Centro de Documentação do MASP | Adaptação web Caroline Svitras

Em pleno período ditatorial, a monarquia inglesa desembarcou no Brasil, com o objetivo de estreitar a amizade e os laços comerciais. Esteve em Recife, Salvador e Brasília. Mas, ao chegar em São Paulo, penúltima parada antes do Rio de Janeiro, a jovem rainha Elizabeth II – em sua única visita ao nosso país – foi convidada a discursar na inauguração da nova sede do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp).

 

Como amiga de Chatô, ex-embaixador do Brasil em Londres, falecido em 4 de abril de 1968, ela aceitou o convite. Em 7 de novembro daquele ano, após a sessão solene, junto ao príncipe Philip, o governador Abreu Sodré e demais autoridades, ela circulou entre as obras de arte. Apreciou as pinturas de Manet e Renoir, mas se encantou com o quadro A Sala Azul de Trent Park, pintado pelo ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill, em 1934.

 

Pietro Maria Bardi, diretor do museu (até 1996), fez questão de explicar que ele fora doado a um leilão beneficente pelo próprio Churchill, arrematado por brasileiros e, em seguida, doado ao Masp. Contudo, foi a forma arrojada do edifício projetado por Lina Bo Bardi, que impressionou a comitiva e fez Elizabeth II elogiar a beleza arquitetônica e a simplicidade das linhas.

 

No mês que o Masp completa 65 anos, apesar de a Imagem para a História ter um quê de conto de fadas que se contrapõe à legião de jovens da época que lutava pela democracia, ela também consegue simbolizar o privilégio que eles tiveram ao promover e vivenciar a grande revolução cultural que se instaurava em nosso país.

 

Revista Leituras da História Ed. 56