Reverência olímpica ao poder negro

Foto: AP Photo/FILE | Adaptação web Caroline Svitras

 

Nos Jogos Olímpicos de Verão de 1968, a prova dos 200 metros rasos rendeu o lugar mais alto do pódio mexicano ao norte-americano Thomas “Tommie” Smith, atleta que derrubou a barreira dos 20 segundos, cravando 19s83.

 

Ao seu lado, mas duas posições abaixo, estava o também norte-americano John Carlos. Ambos eram negros. Por isso, durante a entrega das medalhas, respectivamente de ouro e bronze, eles surpreenderam os expectadores com uma ousadia peculiar. Enquanto era entoado o hino nacional dos Estados Unidos, os dois abaixaram a cabeça, ao mesmo tempo em que erguerem os punhos cerrados em uma saudação de apoio ao movimento Black Panthers.

 

A organização política e social norte-americana lutava contra a discriminação dos negros na América branca. A premiação aconteceu, mas em virtude da alegação de uso político dos Jogos Olímpicos, os velocistas acabaram expulsos da Vila Olímpica e da delegação norte-americana de atletismo. Mas em compensação, eles conseguiram chamar a atenção mundial tanto para o movimento que enfatizava o orgulho racial quanto para as instituições culturais e políticas que promoviam interesses coletivos, valores e autonomia segura para os afrodescendentes.

 

O gesto aparentemente simples, mas carregado de um enorme significado, além de se tornar uma imagem para a História, também imortalizou a expressão ”black power”, que fora criada por Stokely Carmichael, militante radical do movimento negro nos Estados Unidos que, após sua 27ª detenção, em 1966, anunciou: “Estamos gritando liberdade há seis anos. O que vamos começar a dizer agora é poder negro.” A ideologia dos direitos iguais independente da cor da pele começava a se espalhar pelo mundo!