Senhores dos Andes

Os incas, originários das montanhas do Peru, expandiram seu controle por toda região dos Andes e alcançaram seu apogeu no século 15, sob o comando de Pachacuti

Por Morgana Gomes | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Os incas, originários das montanhas do Peru, expandiram seu controle por toda região dos Andes e alcançaram seu apogeu no século 15, sob o comando de Pachacuti – seu nono governador e primeiro imperador. Tido como o homem mais poderoso da antiga América, ele enviava expedições para conquistar novas terras, mas diplomaticamente, antes das invasões, sempre mandava seus mensageiros expor as vantagens da unificação pacífica com o Império.

 

A cultura inca, mescla das culturas preexistentes na região andina, era muito rica no que se refere à arte ligada à ciência, à religião e ao cotidiano. A ourivesaria, por exemplo, possuía caráter funcional e ornamental. O desenho das peças tinha aspectos geométricos, entre as quais se destacavam as facas de sacrifícios. O figurativismo das estatuetas de metal era bem estilizado, tanto que as cabeças eram mais trabalhadas que o restante do corpo. A prata era um dos metais mais apreciados, mas eles também tinham conhecimento do ouro.

 

As estatuetas de metal tinham um figurativismo bem estilizado, caracterizado pelo trabalho da cabeça em detrimento do corpo| Foto: Reprodução/Creative Commons

Na ciência, os incas fizeram várias descobertas farmacológicas: usavam o quinino – no tratamento da malária –; e folhas de coca, tanto como analgésico quanto para minorar a fome – embora os mensageiros também as usassem para obter energia extra. Já as construções arquitetônicas de pura rocha de granito branco, com vértices esculpidos em diversos ângulos de até 40 graus, eram encaixadas com tanta perfeição que nem uma lâmina fina poderia atravessar as paredes.

 

As pedras que podiam resistir os frequentes tremores de terra, tinham uma forma trapezoidal e eram tão pesadas que chegavam a atingir três toneladas. Ainda hoje não sabemos que tipo de instrumento foi utilizado na construção das cidades incas, já que não há vestígios de ferramentas ou das rodas. Nativos da região dizem que as tais ferramentas utilizadas seriam feitas de hematita, oriunda de meteoritos. Segundo os cientistas, essa hipótese é um tanto improvável. No entanto, é incontestável a engenhosidade de certas construções, como os canais que transportavam água, as poderosas cisternas que a armazenavam ou os diversos níveis de terraços, que nos terrenos íngremes da região, permitiram um melhor aproveitamento da terra para a agricultura.

A dualidade da religião

Basicamente, o bem era representado por tudo aquilo que era importante para o homem, como a chuva e a luz do sol. Já o mal, por forças negativas, como a seca e a guerra. Os incas construíram diversos tipos de templos consagrados às suas divindades. Alguns dos mais famosos são a Casa do Sol, em Cuzco; o Templo de Vilkike; o templo do Aconcágua, que fica na montanha mais alta da América do Sul; e o Templo do Sol, no Lago Titicaca – esse último construído com pedras encaixadas de forma fascinante tinha uma circunferência de mais de 360 metros, que abrigava uma grande imagem do sol. Em algumas partes desse templo também havia incrustações douradas que representavam espigas de milho, lhamas e punhados de terra.

 

Ruínas do Templo do Sol, no Lago Titicaca | Foto: Reprodução/Creative Commons

 

Os sumo-sacerdotes, chamados Huillca-Humu, apesar da vida reclusa e monástica, com a ajuda dos yanaconas, administravam as porções das terras dedicadas ao deus do sol. Eles também profetizavam, utilizando uma planta sagrada chamada huillca ou vilca, com a qual preparavam uma bebida de propriedades enteógenas (derivada do grego, a palavra significa literalmente: manifestação interior do divino), que era servida na Festa do Sol. Os incas também ofereciam sacrifícios, tanto de humanos quanto de animais nas ocasiões mais importantes, como nas sucessões Imperiais. Na maioria das vezes, esses sacrifícios eram feitos ao nascer do sol e, não raro, incluíam as mulheres à serviço dos templos. Mas geralmente, tais sacrifícios eram impostos a grupos recentemente conquistados ou derrotados em guerra, como tributo à dominação. Contudo as vítimas sacrificais deveriam ser fisicamente íntegras, sem marcas ou lesões e, preferencialmente, jovens e belas.

 

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