Sociedades secretas: conheça a Ordem dos Templários

Esta ordem espiritual de cavaleiros fundada em 1119 para proteger os lugares santos da Palestina e os cristãos peregrinos. Saiba tudo sobre esta sociedade secreta

Bernardo de Clairvaux, autor da regra monástica da Ordem dos Templários / Foto: Philippe de Champaigne

Os fundamentos do regimento da Ordem dos Templário foram criados em 1114 quando o nobre Hugo de Champagne se deslocou da França para o Oriente para se encontrar com São Bernardo, admirador de Santo Agostinho. Para ajudar na consolidação dessa sociedade secreta, Hugo ofereceu a São Bernardo a Abadia de Clairvaux, localizada na Europa. A nova ordem foi acolhida por Balduíno I, em uma das acomodações do Templo de Salomão, em Jerusalém. Tempos depois, Balduíno abandonou o local deixando tudo nas mãos dos Templários.

Os membros da ordem juravam total pobreza, castidade e obediência. Ela era estruturada de forma hierárquica. No topo ficava o grande mestre e, abaixo, estavam os irmãos, que se dividiam entre cavaleiros, capelães e irmãos de serviço. A vestimenta era um manto branco com a cruz vermelha de garras, cujo uso era permitido apenas aos cavaleiros – que deviam conservar a barba, os cabelos rasos, vestir-se com humildade e fazer os votos de castidade, pobreza, caridade e obediência aos ofícios religiosos.

A consagração era realizada durante a noite em construções isoladas para preservar o mistério. Os candidatos deviam se comprometer, sob juramento, a proteger ao máximo todos os segredos que lhes fossem revelados. Sem permissão, os membros não poderiam deixar a ordem. Para violação de regras religiosas, havia um código específico, que estabelecia as penas. Os Templários tinham autorização de receber dízimos, ter seu próprio cemitério e ali enterrar seus mortos. Nas batalhas contra inimigos eles passaram a ter direito a uma parte dos despojos.

Mas antes de se tornar definitivamente a lendária Ordem dos Templários, em 1118, os cavaleiros Godofredo de Saint- Omer, Hugo de Champagne, Hugo de Payns e São Bernardo resolveram fundar uma ordem religiosa e militar que foi conhecida como Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão. Com o tempo, eles passaram a ser conhecidos como Os Pobres Soldados de Jesus Cristo e do Templo de Salomão… Os Cavaleiros do Templo de Salomão… Os Cavaleiros do Templo… e, por fim, os Templários.

Castelo de Sidon / Foto: Reprodução/Creative Commons

Deveres santos

Bernardo de Clairvaux – São Bernardo – redigiu as regras da ordem. O clérigo criou um conjunto de rigorosos deveres militares e religiosos baseado nas regras de São Benedito. O regimento interno da ordem continha 72 artigos. Entre elas, estavam: a postura com que os membros da organização deveriam criticar o estado que, ao invés de defender, matava. Os que desejavam ingressar no grupo era obrigatório cumprir um treinamento e, somente após o pronunciamento dos votos, eram considerados membros da ordem.

As normas seguidas pelos cavaleiros estipulavam: a renúncia às coisas mundanas, à prática da caça, uso de hábito branco aos cavaleiros e do manto negro para os escudeiros e oficiais inferiores. Os cavaleiros deviam praticar a castidade, obediência e pobreza, além da realização de ofícios religiosos pela manhã e à noite. Eles faziam muitas orações e participavam de missas. Os cavaleiros deviam rezar 26 Pais-Nossos ao se levantarem e 60 antes das refeições. No total deveriam repetir a oração 148 vezes por dia. As obrigações religiosas eram revezadas com os cuidados – na mesma intensidade – com as armas, armaduras, cavalos, e outros equipamentos do arsenal dos guerreiros. Não era permitida nenhuma decoração nas salas de armas e armaduras.

Os templários se separavam das famílias e doavam suas riquezas. Uma outra regra da ordem envolvia o relacionamento entre os membros que eliminava diferenças sociais. Os cavaleiros deveriam estar sempre dispostos a dar sua vida pelos seus irmãos. Por isso, muitos templários, que eram aprisionados, inclusive grão-mestres, foram quase sempre executados.

O hábito

No início os Cavaleiros Templários usavam roupas seculares, entretanto, a partir do Concílio de Troyes passaram a fazer uso do manto. O hábito templário foi pensado com o objetivo de facilitar a vida do cavaleiro, portanto, deveriam ser simples e práticas. Os hábitos não eram muito longos ou curtos e os acessórios usados eram discretos, era composto de um manto com o símbolo de uma cruz vermelha costurada sobre o ombro esquerdo.

A entrega do manto era feita por um membro da Ordem. Cuidar do hábito era uma das regras mais importantes e quem o perdesse era punido sem perdão. A cor branca simbolizava a castidade e em relação à cruz, acredita-se que o símbolo foi tomado como recordação de suas ligações com os cônegos do Santo Sepulcro. A cruz vermelha veio depois, em 1139. Os cavaleiros eram obrigados a usar o hábito o tempo todo, exceto quando estavam em suas casas.

Mulheres e crianças

Pelas regras, a presença das mulheres e das crianças era proibida. Apesar disso, a Ordem costumava acolher os filhos dos cavaleiros e dos nobres para aperfeiçoarem sua educação militar. Alguns gostavam tanto que nunca mais saiam e se tornavam cavaleiros – os candidatos tinham 28 anos de idade, já para a função de sargento não podia ter mais de 27 anos.

As mulheres não podiam fazer parte da Ordem – era totalmente proibido. O contato era tão proibido que os cavaleiros não deveriam nem beijar suas mães. Essa aversão às mulheres fazia parte da época, onde se considerava a figura feminina coma a porta voz do demônio.

Revista Leituras da História | Ed. 90