Solano Lopes e a Guerra do Paraguai

O país foi responsável pelo massacre que quase dizimou a população paraguaia em 1864

Por Robson Rodrigues | Foto: Valter Campanato | Adaptação web Caroline Svitras

Solano López esperava um cenário muito diferente quando desafiou as maiores potências da América do Sul na Guerra do Paraguai. Pagou com a vida da maioria da população de seu país, inclusive a sua.

 

Com o ex-presidente Fernando Lugo não muito foi diferente: com a imagem desgastada depois do escândalo conjugal em que admitiu ser pai de duas crianças, que nasceram no período em que era bispo da Igreja Católica, o sociólogo foi acusado de mau desempenho de suas funções pelo parlamento – dominado pela oposição – e derrubado.

 

Solano Lopes | Foto: Reprodução

A história conta que, em dezembro de 1864, o Paraguai declarou guerra ao Brasil, iniciando o que seria o conflito mais sangrento da América Latina, em que mais de 300 mil vidas se perderiam dos dois lados, entre batalhas, fome e doenças. O Paraguai foi aniquilado na guerra: perdeu 75% de sua população adulta e reduziu sua importância a pouco mais que um país entre Argentina e Brasil.

 

Em 2012, após o impeachment de Lugo, o Brasil e o Uruguai convocaram seus embaixadores em Assunção para esclarecimentos, um sinal, na diplomacia, de relações estremecidas. A Argentina foi além e retirou seu embaixador do Paraguai até “a restituição da ordem democrática”. Além disso, o novo presidente que assumiu, Federico Franco, teme que as medidas sejam irreversíveis para o seu país, pois reconheceu que a dependência da economia do Paraguai em relação ao Mercosul é total e que o Brasil é seu principal parceiro econômico.

 

O professor e coordenador do MBA de Relações Internacionais da FGV-SP Oliver Stuenkel complementa: “Hoje a economia brasileira é 114 vezes maior do que a paraguaia. Seria um desastre econômico qualquer tentativa de represália por parte daquele país.”

 

O ditador Francisco Solano López também tinha noção da superioridade dos inimigos, mesmo assim, entrou na guerra sabendo que a população do Brasil era dez vezes maior que a do Paraguai, em torno de 8 milhões de habitantes contra 800 mil.

 

Argentinos traidores?

Créditos: Itamatary, Ministério de Relações Exteriores, Ministério de Minas e Energia e Fundação Getúlio Vargas

No século 19, Solano López não esperava ter de enfrentar Brasil, Uruguai e Argentina. Ao contrário, desejava ter os dois últimos ao seu lado e quem sabe unificar os três países ao fim da guerra e criar uma grande nação nas fronteiras do antigo vice-reino do Rio da Prata, do Peru à Patagônia. Coincidências à parte, os longos discursos de Hugo Chávez – a la Fidel Castro – sobre a revolução bolivariana são carregados de ideais de unificação.

 

Da mesma forma que em 1865 os paraguaios não contavam com a traição argentina, hoje é o Brasil que está nas mãos dos hermanos portenhos. O impasse econômico entre os dois governos é de longa data, sendo necessária a intervenção da Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo da populista Cristina Kirchner diversas vezes impôs um feroz protecionismo por meio de barreiras alfandegárias ao Brasil e, mesmo sendo o principal parceiro econômico na América Latina, Cristina tenta tirar o país da lama levando vantagem sobre o governo brasileiro.

 

Revista Leituras da História Ed. 54

Adaptado do texto “As reais intenções “brasilenãs””